Janeiro 25, 2007
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(ao som de "Só tinha que ser com você", acústico por Paula Lima)

Hoje eu vou me permitir escrever uma pequena nota pessoal, porque é um dia especial de várias maneiras pra mim. Hoje completo 1 ano de namoro com minha noiva, e daqui alguns meses estaremos realizando um daqueles momentos mágicos que fazem toda diferença em nossas vidas. Aqueles instantes em que pensamos "só por isso, já valeu a pena ter vivido." . Resolvi postar a letra duma música escrita pelo Tom em 1964 que exprime exatamente o que sinto em relação à pessoa que escolhi pra passar o resto da minha vida. Minhas desculpas, então, a quem costuma passar por aqui, pelo post diferente e pessoal. Amanhã eu volto com os textos normais. E, Maíra, só tinha mesmo que ser com você.

Só tinha que ser com você
(Antonio Carlos Jobim/Aloysio de Oliveira)

É, só eu sei
Quanto amor eu guardei
Sem saber que era só prá você

É, só tinha de ser com você
Havia de ser prá você
Senão era mais uma dor
Senão não seria o amor
Aquele que a gente não vê
O amor que chegou para dar
O que ninguém deu pra você

É, você que é feita de azul
Me deixa morar nesse azul
Me deixa encontrar minha paz
Você que é bonita demais
Se ao menos pudesse saber

Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim

Que eu sempre fui só de você
Você sempre foi só de mim.
Por Ed as 8:52 PM






Janeiro 6, 2007
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(ao som de "I ain't moving", by Des'ree)

Primeiro texto do ano, agora com mais tempo livre pra escrever. Quis escrever sobre mudança mas numa perspectiva diferente, a de que às vezes não mudar é mais importante que tentar modificar o panorama ao redor. A letra, da Des'ree, veio porque expressa tudo que tentei escrever no texto. Um feliz 2007 a todos, semana que vem volto com um texto novo. Carpe Diem!

O segredo

Às vezes o segredo não está na mudança, mas na permanência.


Todos os dias somos inundados com a religião da mudança. A pregação está em todo lugar: nos livros de auto-ajuda, nas apresentações em powerpoint que recebemos por e-mail, na propaganda daquele produto na tv, na conversa da vizinha. "Reinvente-se" é a expressão do momento. Somos convidados a reinventar nossos hábitos arraigados, nosso conceito de ética e moral, o modo de encarar o futuro, a maneira como questionamos e avaliamos nossos relacionamentos. Algum aspecto da vida está em desacordo com o planejado? Mude. De perspectiva, de ambiente, de casa, de país. Faça qualquer coisa, contanto que provoque uma mudança. Será que a mudança interior é tão necessária, reconfortante e apaziguadora assim?
Eu tenho muito receio quando vejo pessoas remanejando suas prioridades, mais ainda quando reavaliam seu jeito de ser. Os tempos modernos impuseram uma concepção frágil da dualidade entre o certo e errado, e muitas pessoas acabam por perder a identidade tentando adaptar-se ao padrão social. A linha é muito tênue. Evidente que em muitos aspectos a mudança torna-se inevitável, principalmente aquela causada por fatores externos: o novo emprego, o abandono do antigo amor, a perda de alguém próximo. Não é a essa adaptação que me refiro, porque ela é inevitável. O que preocupa é a outra, aquela vinda das mensagens diretas e subliminares presentes em todo lugar. A novela que nos mostra que a traição tornou-se justificável e lugar-comum nos relacionamentos, os novos modelos estéticos conclamando a busca pela juventude a qualquer preço, o filme promovendo o "carpe diem" em seu sentido mais nefasto: aproveitar o momento de todas as maneiras possíveis, sem atentar às responsabilidades que temos com os outros e com nosso próprio corpo.
Scott Fitzgerald, um dos maiores escritores de todos os tempos, certa vez foi questionado aos 23 anos, numa entrevista logo no início da carreira, sobre qual era sua maior ambição. Sem titubear, respondeu: "escrever o melhor romance de todos os tempos e continuar apaixonado por minha mulher pelo resto da vida." Quantos de nós responderíamos algo assim, principalmente na referência ao amor pra vida toda? Scott não queria a mudança, mas a permanência. Permanecer apaixonado, permanecer fiel, permanecer escrevendo até obter a retribuição esperada. O contraditório surge de que mesmo a permanência requer adaptações constantes, mas a ambição dele consistia em acreditar em seu talento literário e na certeza de que escolhera seu amor derradeiro.
Frustra observar como as pessoas, hoje em dia, desistem muito fácil de suas aspirações. Uma dificuldade em obter emprego leva a uma nova profissão totalmente diversa da anterior, uma pequena rusga no relacionamento leva à separação. Mais fácil arrumar outra pessoa que insistir e lutar por quem está ao lado, é o que mostra a cultura atual das coisas descartáveis. Piora quando os problemas particulares levam à generalização. Os chavões do tipo "todos os homens são iguais", "mulher não gosta de homem bonzinho" ou "nunca devemos nos entregar nas relações" sempre dão as caras nesses momentos, e há quem realmente acredite neles! Resolvem mudar, adquirir hábitos que antes repugnavam, querendo ampliar o leque de relacionamentos possíveis, e então acabam perdendo-se de si mesmas e se vêem, ao final, sozinhas no mundo de faz-de-conta que criaram.
Leo Buscaglia escreveu que "Você deve compreender que se é a melhor ameixa do mundo e a pessoa a quem ama não gosta de ameixas, tem a opção de tornar-se uma banana. Mas deve estar consciente de que se escolher tornar-se uma banana, será uma banana de segunda categoria. Mas pode sempre ser a melhor ameixa." O que eu mais gostaria de perceber, em mais um ano que se inicia, é a capacidade de cada um em confiar na criança interior que sempre estará presente, naquela voz que nos sussurra que, mesmo existindo uma infinidade de seres humanos que não gostam de ameixas, há alguns poucos que as adoram, e é a esses que temos que nos dedicar, ou esperar que apareçam em nosso caminho. Não temos o direito de nos afastarmos daquilo a que fomos predestinados, mesmo que a desesperança embace a perspectiva de felicidade. Sim, o mundo continuará mudando e exigindo que nos adaptemos a ele, mas permanecermos fiéis ao que nos tornamos, àquela pequena caixa que o mundo costuma chamar de personalidade, é o que nos mantém aquecidos quando todo o resto parece ruir.


I ain't movin'
Des'ree

Love is my passion
Love is my friend
Love is universal
Love never ends

Then why am I faced with so much anger, so much pain?
Why should I hide? Why should I be ashamed?
Time is much too short to be living somebody elses life
I walk with dignity, I step with pride

'Cos I ain't movin' from my face,
from my race, from my history
I ain't movin' from my love,
my peacefull dove, it means too much to me
Loving self can be so hard
Honesty can be demanding
Learn to love yourself,
it's a great, great feeling

When your down baby, I will set you free
I will be your remedy, I will be your tree
A wise man is clever, seldom ever speaks a word
A foolish man keeps talking, never is he heard

Times much to short to be living somebody elses life
I walk with dignity and I step with pride

Cause I ain't movin from my face
From my race, from my history
I ain't movin from my love,
My peaceful dove means too much to me
Loving self can be so hard,
Honesty can be demanding
Learn to love yourself is a great great feeling

Time's too lonely, too lonely without words
Future voices need to be heard
Eyebrows are always older than the beards
Momma said be brave, you've nothing to fear

Times much to short to be living somebody elses life
I walk with diginity and I step with pride

Cause I aint movin from my face
From my race, from my history
I aint movin from my love
My peaceful dove means too much to me
Lovin self can be so hard
Honesty can be demanding
Learn to love yourself is a great great feeling
(repeat)

I ain't movin', cause I've been here long before
I ain't movin', 'cause I want more
I ain't movin', got my feet on the ground
As far as I'm concerned, love should win the rounds

Eu não vou me mexer

O amor é minha paixão
O amor é meu amigo
O amor é universal
O amor nunca termina

Então porque me deparo com tanta raiva, tanta dor?
Porque deveria esconder? Porque deveria me envergonhar?
O tempo é muito curto pra vivermos a vida de outra pessoa
Eu caminho com dignidade, eu piso com orgulho

Porque não vou me afastar da minha face,
da minha raça,da minha história,
Não vou me afastar do meu amor,
Minha pomba pacífica, significa muito pra mim.
Amar a nós mesmos pode ser tão difícil
A honestidade pode ser exigente,
Aprenda a amar você mesmo(a)
É um grande, grande sentimento.

Quando você estiver pra baixo, baby, eu te libertarei.
Eu serei teu remédio, eu serei tua árvore.
Um homem sábio é esperto, raramente diz uma palavra.
Um tolo continua falando, raramente é ouvido.

O tempo é muito curto pra vivermos a vida de outra pessoa
Eu caminho com dignidade, eu piso com orgulho.

Porque não vou me afastar da minha face,
da minha raça,da minha história,
Não vou me afastar do meu amor,
Minha pomba pacífica, significa muito pra mim.
Amar a nós mesmos pode ser tão difícil
A honestidade pode ser exigente,
Aprenda a amar você mesmo(a)
É um grande, grande sentimento.

A vida é muito solitária, muito solitária sem palavras
Vozes futuras precisam ser escutadas,
Sobrancelhas sempre são mais velhas que as barbas.
Mamãe disse "seja bravo, você não tem nada a temer"

O tempo é muito curto pra vivermos a vida de outra pessoa
Eu caminho com dignidade, eu piso com orgulho.

Porque não vou me afastar da minha face,
da minha raça,da minha história,
Não vou me afastar do meu amor,
Minha pomba pacífica, significa muito pra mim.
Amar a nós mesmos pode ser tão difícil
A honestidade pode ser exigente,
Aprenda a amar você mesmo(a)
É um grande, grande sentimento.

Eu não vou me mexer, porque tenho estado aqui muito antes
Eu não vou me mexer,porque eu quero mais
Eu não vou me mexer,tenho os pés no chão.
Até o ponto que sei, o amor deve vencer as batalhas.
Por Ed as 3:17 PM







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