Vi, nesse rfinal de semana, Elizabethtown. Fazia algum tempo que não assistia nenhuma comédia romântica tão interessante. Abaixo seguem 3´trechos de diálogos entre os protagonistas. Estou escrevendo um texto sobre o assunto comum desses diálogos, o que trata das pessoas substitutas. Até quarta-feira termino e posto o texto inspirado nesses diálogos abaixo.
- Quer ouvir minha teoria?
- Claro.
- Você e eu temos um talento especial, percebi isso logo de cara.
- Me conta.
- Nós somos as pessoas substitutas.
- Os substitutos...
- Fui uma substituta a vida toda. Não sou uma ¿Ellen¿,nunca quis ser uma Ellen. Também não sou uma Cindy, embora o Chuck me ame.
- Tenho certeza que sim.
- Gosto de ficar sozinha. Quer dizer, estou com um cara casado com a carreira acadêmica. Raramente o vejo, sou a substituta lá. Gosto disso assim, é muito menos pressão.
- Não estou acostumado a garotas como você.
- É porque sou única.
(diálogo que antecedeu o primeiro beijo entre Claire e Drew, em Elizabethtown)
- Não há nada melhor do que decidir na sua vida que as coisas talvez sejam mesmo aquilo que aparentam, preto no branco. Esse tal de Bem, que claramente não te leva a sério, que se aproveita de você, é mau! E o que estou falando é bom, entende o que quero dizer? Você não devia ser a substituta de ninguém. Esse cara devia estar aqui, agora, fazendo isso. (beija-a)
- Talvez.
- Ele tem sorte de eu não ser a pessoa certa pra você.
- Eu sei porque você não é, mas me diga, pra que eu possa ver pela sua perspectiva.
- Eu sei o que você merece.
- O que eu mereço?
- - Você merece um cara que diga (pega o papel com os votos de casamento que está à sua frente e começa a ler o texto): ¿Não posso imaginar um mundo sem você. Abriremos uma vinícola quando tivermos 70 anos. Faremos snowboard em dezembro e depois levaremos nossos filhos. E sempre teremos os Lexus vermelhos com as placas Chuck e Cindy¿. (ambos começam a rir antes dele completar, sério novamente). Você merece tudo isso, e mais.
(diálogo entre Claire e Drew, em Elizabethtown)
.
- Diga logo que me ama, e acabe com isso.
- Claire, só vou dizer isso porque você merece. Não é fácil pra mim, mas lá vai. Há 4 dias fiz uma grande companhia de sapatos americana perder 1 bilhão de dólares. E, até amanhã à tarde, todos saberão disso. Alguma reportagem será publicada me apontando como o fracasso mais espetacular na história da minha profissão, que é só o que eu sei fazer. E estou aqui todo esse tempo tentando ser responsável e charmoso, e estar à altura desse sucesso que não existe. Só o que realmente quero é não estar aqui. Me desculpe. Tenho um encontro horrível marcado com o destino. Esse é o meu segredo. É assim que sou.
- Só isso?
- Sim, só isso.
- Sinto muito. Achei que uma pequena parte de você ficaria triste ao me ver partir, mas acho que é tudo por causa do sapato.
- Claro que estou triste por sua causa. Só que isso é um pouco maior que você e eu. A propósito, eu não disse milhão. Eu disse bilhão. Um bilhão de dólares. Isso são muitos milhões.
- E daí? Você fracassou.
- Não, você não entende.
- Tudo bem, você fracassou. Fracassou, fracassou, fracassou. Acha que eu ligo pra isso? Eu compreendo. Você é um artista, cara. Sua função é ultrapassar barreiras, não aceitar a culpa e os aplausos e dizer: ¿Obrigado, sou um fracassado, agora vou embora¿. E daí?
- Eu não quero chorar.
- Quer ser mesmo grande? Então tenha a coragem de cair e ficar por perto. Faça-os imaginar porque ainda está sorrindo. Isso é a verdadeira grandeza pra mim. Mas... não preste atenção no que eu digo, sou uma Claire.
- Bem... obrigado, Claire.
- De nada. Agora você pode parar de tentar terminar comigo? Você está sempre tentando terminar comigo e não estamos nem namorando.
- Eu sei. Espere. Não estamos?
- Claro que não. Somos os substitutos, lembra?
(diálogo entre Claire e Drew, em Elizabethtown)
(ao som de " The sweetest decline", live by Beth Orton)
Resolvi mudar o formato do blog. Ando escrevendo bastante, é verdade, mas tenho atualizado pouco o blog porque guardei alguns dos textos pro novo livro. E, como um blog sem atualizações constantes não sobrevive - além de muitos dos meus textos se tornarem repetitivos nas idéias - achei melhor mudar o formato dos posts. Quero postar outros tipos de textos que escrevo, como o que acompanha este post e que foi inspirado na música e letra da Beth Orton, que também segue abaixo. Alguns posts futuros serão mais curtos: talvez apenas um trecho de livro, filme ou qualquer coisa que tenha me chamado a atenção, mas pelo menos o blog não ficará mais que 3 ou 4 dias sem atualização. E, claro, se nada disso der certo, volta tudo ao que era antes.
Pra acompanhar o texto e a música de hoje, coloquei uma das centenas de cartas que compõem o livro que estou lendo agora, "Querido Scott, Querida Zelda". Pra quem gosta do gênero, como eu, o livro é um prato cheio. Ele conta, através das cartas reais e em ordem cronológica, os mais de 20 anos do turbulento relacionamento dos Fitzgerald. Uma ótima semana a todos e Carpe Diem!.
(Carta enviada de Zelda para Scott Fitzgerald em março de 1919, Montgomery,Alabama)
"Meu amor,
Por favor, não fique tão deprimido. Vamos nos casar em breve e então essas noites solitárias estarão terminadas para sempre. Mas até lá, estou amando, amando cada minúsculo minuto de dia e de cada noite. Talvez você não entenda isso, mas às vezes, quando sinto mais falta de você, é mais difícil escrever - e você sempre sabe quando eu me esforço - só uma dor tremenda, e eu não consigo contar. Se estivéssemos juntos, você sentiria como é grande - você é tão doce quando está melancólico. Adoro sua ternura triste quando eu o machuco. Esse é um dos motivos pelos quais nunca me arrependi de nossas brigas, e elas incomodam tanto. Aquelas rusginhas tão, tão adoráveis, quando eu sempre tento ao máximo fazer você me beijar e esquecer.
Scott, não há nada neste mundo todo que eu não queira a não ser você, e seu precioso amor. As coisas materiais não são nada. Eu apenas odiaria viver uma existência sórdida, incolor, porque muito depressa você passaria a me amar menos e menos, e eu faria qualquer coisa - qualquer coisa - para manter o seu coração. Não quero viver, quero primeiro amar e eventualmente viver. Porque não consegue sentir que eu o estou esperando, que irei ter com você, meu amado, quando estiver pronto? Nunca, jamais pense nas coisas que não pode me dar. Você me confiou o mais querido dos corações, e isso é um bocado mais do que qualquer outra pessoa em todo este mundo jamais fez.
Como é que pode pensar deliberadamente numa vida sem mim? Se por acaso você morresse, ah, meu querido, meu querido Scott, seria como ficar cega. Eu sei que também morreria, não teria o menor propósito viver. Eu seria só um enfeite, bonitinho. Você não acha que fui feita para você? Sinto como se você tivesse me mandado fazer - e eu tivesse sido entregue - para ser usada. Quero que você me use, como um berloque na corrente do relógio ou um ramalhete na lapela, para o mundo. E então, quando estivermos a sós, quero ajudar, saber que você não consegue fazer nada sem mim. Eu amo você.
Zelda"
A suave recusa
Suas mãos espalmadas revelavam agora detalhes que sempre passaram anônimos, incólumes à corrosão da alma vinda com a poluição das grandes cidades, que uns costumam chamar de solidão. As unhas não mais acumulavam poeira, os dedos entrelaçavam-se às lembranças; a epiderme tocava, fundo, a reflexão de duas horas atrás. Todas as deduções convergiam àquele frágil momento de libertação, onde a urgência dilacerava os tímpanos, pedindo uma atitude diferente.
Fitou o reflexo esguio de sua silhueta no grande espelho da sala, buscando a cumplicidade da própria aprovação. - Não há nada pior que um inverno sem umidade, pensou, enquanto molhava os lábios ressecados na água espirrada no mármore que escorria pela torneira semi-aberta. Num sorriso, aquiesceu a voluptuosidade do corpo que resistia ao tempo. Conservava o pouco peso da adolescência, as mesmas olheiras fundas, as saboneteiras afilando o busto, os cabelos desalinhadamente cacheados indo até o antebraço.
Havia dado o passo maior. A doce recusa com que se livrara daquele amor soava definitiva, finalmente. Sem os impropérios das discussões de antes, sem objetos voando pela sala, sem as lágrimas terminando encadeadas num arrependimento confessional. A redenção vinha suave, nos detalhes. Cecília não era, definitivamente, uma mulher de mesquinharias.
Pos-se a girar o caleidoscópio das reminiscências, e as figuras que se formavam tinham um quê de uniformidade, encanto, uma beleza silenciosa tranqüilizadora. Esvaecia a mulher indecisa, submissa à própria incerteza, ao não-saber do que se avizinharia caso a coragem tivesse dado as caras quando o amor-próprio começou a fugir. Dessa vez sabia que não haveriam escorregadelas, recaídas ou rompantes irascíveis.
A certeza da vitória não veio da recusa em voltar, traída pela carência em todas as vezes anteriores. Dessa vez sua recusa fora diferente: doce, suave, terna e ao mesmo tempo diabólica, balbuciada no sorriso imperceptível de canto de boca. Ele percebeu e ela sabia, não haveria retorno.
A nova Cecília tomou o terceiro banho do dia, abriu a janela do quarto para ouvir a chuva morna que começava a cair, arrumou um dos quatro travesseiros sobre o ventre, e deitou-se. Pensou ainda em descer e misturar-se à multidão que, certamente, passeava anônima naquela madrugada de sábado, desistindo em seguida. Não se sentia invencível tampouco aliviada, mas sabia que o sono viria redentor. E, enquanto cerrava as pálpebras ignorando o telefone tocando, desapareceu no infinito que se formou no lugar do vazio das noites passadas.
The sweetest decline (Beth Orton)
She weaves secrets in her hair
The whispers are not hers to share
She's deep as a well
She's deep as a well
Another day wastes away
And my heart sinks with the sun
A new day's dawning
And a new day has not yet begun
So, anyway
There I was
Just sitting on your porch
Drinking in your sweetest decline
Your sweetest decline
So all by my heart...
What's the use in regrets?
They're just things we haven't done yet
What are regrets?
They're just lessons we haven't learned yet
Another day draws away
And my heart sinks with the sun
It's like catching snow on my tongue
It's like catching snow on my tongue
So, anyway
There I was
Just sitting on your porch
Drinking in your sweetest decline
The sweetest decline
So all by my heart...
What are regrets?
What are regrets?
They're just lessons we haven't learned yet
It's like catching snow on your tongue
You can't pin this butterfly down
Can't pin this butterfly down
A mais doce recusa
Ela acena segredos em seu cabelo
Os sussurros não são dela, pra que compartilhe
Ela é profunda como um poço
Ela é profunda como um poço
Mais um dia é desperdiçado
E meu coração afunda com o sol
Um novo dia está raiando
E um novo dia ainda não começou
Então, de qualquer forma,
Lá estava eu,
Apenas sentado em tua varanda
Bebendo em tua doce recusa
Tua doce recusa
Pra que servem os arrependimentos?
Eles são apenas coisas que nós ainda não fizemos.
O que são arrependimentos?
Eles são apenas lições que nós ainda não aprendemos.
Um novo dia se desenha distante
E meu coração afunda com o sol
É como pegar a neve na minha língua
É como pegar a neve na minha língua
O que são arrependimentos?
O que são arrependimentos?
Eles são apenas lições que nós ainda não aprendemos
É como pegar a neve na sua língua
Você não pode prender essa borboleta embaixo
Não pode prender essa borboleta embaixo.