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7/17/2006
(ao som de ¿Happy¿, by Smokey Robinson)

Queria compartilhar minha alegria com vocês: fiquei noivo. Daqui exatos 453 dias (estou contando!) estarei me casando com a pessoa que escolhi pra envelhecer ao meu lado, e garanto a vocês que não há sensação mais prazerosa que aquela que acompanha a certeza de termos feito escolhas certas em nossas vidas. Talvez isso explique os textos mais otimistas dos últimos tempos, e já incluo o de hoje nessa conta. Andei escrevendo bastante mas resolvi guardar alguns textos pro próximo livro, até pra não fazer dele uma cópia mais organizada do blog.
O texto de hoje não ficou conciso. Na verdade, é um apanhado das minhas divagações sobre os últimos acontecimentos que rodearam o Brasil e minha vida pessoal. A música se enquadra na mesma categoria, reflete muito do que venho sentindo nos últimos 6 meses. Os mais velhos (como eu) vão se lembrar dela na voz do Michael Jackson quando ainda adolescente, mas a versão original é do Smokey Robinson. Eu adoro essa letra, e o próprio Smokey a regravou este ano pruma coletânea, por isso resolvi colocá-la no blog. Uma ótima semana a todos e Carpe Diem!
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Os donos do mundo

- O amor é tão forte quanto a morte. Pra que ser capaz de sentimentos que não podemos ter? Pra que ansiar pelas coisas se elas não podem ser nossas?
- Há outras coisas pelas quais viver: dever, honra.
- Elas não são vida, Tristão. Elas são invólucros da vida. O amor é feito por Deus. Ignore isso e não imagina o quanto sofrerá.
- Então eu não viverei mais sem isso.(diálogo entre Isolda e Tristão em ¿Tristão e Isolda¿)
- Você estava certa. Eu não sei se a vida é maior que a morte, mas o amor foi maior que ambas. (Tristão a Isolda, no final do mesmo filme)

"A paixão é uma droga que não me convém. É só fazer as contas de quantas vezes eu me apaixonei, e em quantas me dei mal. Em todas" (Ana Paula Arósio, em entrevista à Folha de São Paulo, 15 de julho de 2006)


Quanto mais envelhecemos, mais o conceito da morte cerceia o cotidiano. Durante a infância e adolescência grande parte de nós pouco convive com a sensação de perda de pessoas próximas, mas ela se torna inexorável com o tempo. Sempre encarei a morte como aquela prima distante que todos sabemos da existência mas não mantemos contato; ligamos uma vez ao ano para cumprimentar pelo aniversário, mas nunca pensamos(nem pretendemos) conhecer. À medida que, como dominó, perdemos pessoas que partilhavam de nossa rotina ¿ não somente conhecidos, mas figuras públicas também ¿ a impressão de que a visita será inevitável aumenta, e uma nuvem de conjeturas toma conta da paisagem das certezas que tínhamos até aquele instante.
Muitas coisas se modificam. As prioridades, por exemplo. Assistir àquele jogo do time preferido passa a não ter tanta importância frente a uma caminhada de fim de tarde com alguém especial. As madrugadas insones por causa do trabalho ficam sem sentido quando comparadas a uma noite bem dormida ao lado da pessoa amada. Toda fúria e destempero que situações cotidianas nos despertavam em outras épocas parecem depois tão banais que dificilmente nos reconhecemos como aquelas pessoas de outrora.
Acredito que enquanto os anos refletem seu poder em nosso semblante, nossos valores nos conduzem às necessidades que tínhamos ao nascer: o contato com as pessoas. Agora não mais pela necessidade física de sobrevivência da época da infância, mas de encontro a outra necessidade primordial: dar um sentido a tudo. Responder ao mais importante ¿por que¿. O bom da morte (por mais mórbida que soe a assertiva) é justamente isso: a lembrança do tempo, o pássaro assobiando aos nossos ouvidos que também estaremos lá um dia, que o quer que pretendamos realizar nessa vida, temos que nos apressar em conseguir.
Em seu mais recente livro, ¿Anatomia do Amor¿, Helen Fisher explicita que há pessoas que somente encontram a paz e redenção interior através dum relacionamento amoroso duradouro, outras simplesmente (por uma série de questões genéticas,segundo ela) não nasceram pra terem relacionamentos duradouros, e cada uma encontra, à sua peculiar maneira, a própria felicidade. O Dalai Lama, no início do ano, quando questionado sobre qual era a melhor das religiões, respondeu que nenhuma, que elas eram como remédios onde cada pessoa tomava aquele que mais se adequasse ao que queria.
Eu não sei qual a sua receita de felicidade, mas a minha passa por alguém pra compartilhar a existência, alguém como testemunha, alguém por quem possamos dizer com orgulho: ¿Eu vivo pra fazê-la feliz¿. O paliativo para os momentos de tristeza, como a morte de pessoas que admirávamos, está pronto. O susto que carrega a reflexão interior logo cede ao suspiro aliviado do dever cumprido. Os donos do mundo nunca foram os grandes conglomerados comerciais, as nações mais ricas ou os milionários com suas fortunas incalculáveis. O poder real cabe àqueles que amam. Acabei de entrar nessa seleta confraria, e querem saber? Religião alguma me traria conforto maior. O mundo também nos pertence pela eternidade da nossa existência, e não quero ¿ nem preciso - saber o que virá depois. Me basta a certeza de ter feito uma escolha correta, da companhia ao lado que estende a mão, quase tocando Deus. Que recolhe o braço no último instante, como que dizendo: ¿Espera, há muito mais por vir¿ . E sorri, faceiro, fazendo cócegas em minha alma.
Por Ed as 3:15 AM







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