Junho 10, 2006
Comente:
O planeta de vinte e seis luas

Estranho planeta, esse em que habita meu coração .

O sol é transparente,dum vermelho indizível;
À noite avistam-se vinte e seis luas,
todas amendoadas, todas cheias.
Nas cidades, multicores,
Multidões espreitam pelo arco-íris difuso,
Que sempre aparece ao fim das tardes de brisa.

No meu planeta os homens escrevem versos líricos desconexos,
tocam lindas melodias em suas cítaras prateadas;
E sabem, e sonham, e cantam, e vivem felizes,
Porque de suas bocas agradecidas, nas preces de cada dia,
A esperança eclode num doce sorriso,
Onde o Deus que veneram é o mesmo que lhes responde,
num sussurro,
(como que contando um segredo),
O som do teu nome amanhecido.
Por Rick as 6:51 PM






Junho 5, 2006
Comente:
(ao som de "You darkness - Rilke poem", Beauty and the Beast soundtrack)
Quis escrever sobre a fé. O texto ficou longo demais, mas acredito que o poema, o trecho de seriado e o tema em si têm uma mesma linha de pensamento: a necessidade de acreditarmos em algo. Se o post anterior mereceu apenas dois comentários, esse provavelmente passará em branco, mas prefiro correr o risco já que o tema está martelando na minha cabeça há alguns dias. Junto do texto há um trecho do último capítulo do seriado Dawson's Creek, que já publiquei no blog há alguns anos. Nele, Jen sabe que vai morrer em alguns dias e pede a Dawson que grave um vídeo para mostrar à sua filha de um ano quando ela crescer. Dawson hesita, mas acaba gravando o vídeo. O poema, agora. Sou fascinado por esse poema do Rilke desde a primeira vez que o li, uns 15 anos atrás.Numa primeira leitura poderíamos interpretar como uma ode às coisas obscuras da alma, ao medo de nossos fantasmas interiores, ao silêncio, ao mistério. Numa análise mais atenta percebemos que a escuridão a que o poeta se refere é, na verdade, a maneira que encontrou para personificar Deus. É de onde ele vem, de onde tira energia, no que acredita. O poema nos impele a encontrar Deus em lugares onde talvez ainda não tenhamos procurado, ou sob formas que nenhuma religião conseguiria encapsular. Rilke tinha fé na noite. Eu tenho fé no ser-humano. Carpe Diem e uma ótima semana a todos!


A prece interior

"Hi, Amy, it's mom. Well, by the time you see this, I won't be here anymore, and I know how much that sucks, for both of us. So seeing as how I won't be around to thoroughly annoy you, I thought I would give you a little list of the things that I wish for you. Well, there's the obvious. An education. Family. Friends. And a life that is full of the unexpected. Be sure to make mistakes. Make a lot of them, because there's no better way to learn and to grow, all right? And, um, I want you to spend a lot of time at the ocean, because the ocean forces you to dream, and I insist that you, my girl, be a dreamer. God. I've never really believed in god. In fact, I've spent a lot of time and energy trying to disprove that god exists. But I hope that you are able to believe in god, because the thing that I've come to realize, sweetheart... is that it just doesn't matter if god exists or not. The important thing is for you to believe in something, because I promise you that that belief will keep you warm at night, and I want you to feel safe always. And then there's love. I want you to love to the tips of your fingers, and when you find that love, wherever you find it, whoever you choose, don't run away from it. But you don't have to chase after it either. You just be patient, and it'll come to you, I promise, and when you least expect it, like you, like spending the best year of my life with the sweetest and the smartest and the most beautiful baby girl in the world. You don't be afraid, sweetheart. And remember, to love is to live."

Oi, Amy, aqui é a Mamãe. Bom, quando você estiver assistindo isso eu não estarei mais aqui, e sei que isso é uma droga pra nós duas. Então eu achei que, como não estarei por perto pra te perturbar bastante, pensei em te dar uma pequena lista das coisas que desejo pra você. Bom, há o óbvio. Uma educação. Família. Amigos. E uma vida cheia do inesperado. Esteja certa de cometer erros. Faça muitos deles, porque não há maneira melhor de aprender e crescer, não é? E, hum, eu quero que você passe muito tempo no mar, porque o mar te força a sonhar, e eu insisto que você, minha filha, seja uma sonhadora. Deus. Eu realmente nunca acreditei em Deus. Na verdade, gastei muito tempo e energia tentando provar que Deus não existe. Mas espero que você seja capaz de acreditar em Deus, porque a conclusão a que cheguei, minha querida...é que simplesmente não importa se Deus existe ou não. A coisa importante é você acreditar em alguma coisa, porque eu te prometo que acreditar vai te manter quentinha à noite, e quero que você se sinta segura sempre. E então há o amor. Quero que você ame até o dedão do seu pé, e quando encontrar "aquele" amor, onde quer que o encontre, quem quer que escolha, não fuja dele. Mas você não tem que persegui-lo também. Seja apenas paciente, e ele virá até você, eu prometo, e quando menos esperar, assim como você, como passar o melhor ano da minha vida com a menininha mais doce e esperta do mundo. Não tenha medo, querida. E lembre-se, amar é viver. (vídeo que Jen gravou antes de morrer, pra que fosse mostrado à sua filha Amy quando ela crescesse, no episódio final de Dawson's Creek)

"Eu aprendi que a fé não remove montanhas. Ela nos ajuda a atravessá-las." (Roberto Carlos, em entrevista ao Fantástico, quando questionado como tinha ficado sua fé religiosa depois da morte da esposa)


Eu sempre acreditei na fé como algo tangível, por mais estranha que soe a assertiva. Gosto de tocar minha fé, apalpá-la, senti-la em minhas mãos espalmadas, acariciá-la nos momentos de angústia, descrença, pessimismo e dor. Eu a sinto todos os dias, viva, real, pulsando em raios de esperança, me acompanhando em todos os momentos de transição da vida. Minha fé tem cor, também. Branca, como devem ser as coisas transparentes que nos trespassam certas vezes, desprendendo toda sujeira acumulada na alma. Ela está sempre lá, da mesma maneira assustadoramente disforme, balbuciando modos de agir frente ao que não compreendemos ou nos recusamos a aceitar. Ela revela, com sua fala morna, as saídas laterais e atalhos que nossa condução não observou. Pede que percamos o medo de adentrar aquela viela escura porque sabe que ela é necessária. A fé nos guia de encontro às estradas reais, não àquelas outras imaginárias que tentamos adentrar como fuga das adversidades. Ela não esconde, dissimula ou afasta. Ela revela e fortalece, sugando energia do nosso próprio desespero.
No amor, então, é imprescindível. Não há relacionamento que perdure sem fé. Não a fé como bilhete de loteria esperando o prêmio em prostração, mas aquela outra, a fé em nós mesmos, a que permeia a auto-estima e escorre na pele por osmose, até formar a perspectiva dum futuro talvez não tão promissor, mas certamente diferente e menos enevoado que o que se apresenta agora. Adoro a fé por isso, pela lembrança de que tudo, mas tudo mesmo, vai passar, e a incógnita em relação ao que virá deixa aquele gosto de morango recém-colhido na boca, o que ao toque com a língua lembra que a surpresa é sempre melhor que a alternativa, porque vale a pena esperar.
Começar um relacionamento sem a esperança de que ele se transforme no derradeiro, sem desprender os nós e amarras que ligam o barco ao mar revolto de especulações, preconceitos e rótulos do passado, é matar antecipadamente as chances que ainda nem surgiram. Impregnar a relação com essas presunções antecipa, da mesma forma, o obituário. O segredo está em acreditar não apenas em pessoas, mas na sinceridade do próprio sentimento em relação aos que nos cercam. Fé presume entrega, expor os medos. Entregarmos nossa vulnerabilidade, nossa sinceridade, e, se depois a outra pessoa não souber lidar com isso, o problema é dela, não nosso. Quando nos convencemos de que a mudança é inevitável e de que, eventualmente, podemos nos ferir muito durante o processo, o que fica ao final faz toda diferença. Fica, sempre, a esperança. A fé. Não a que apenas pede, exigindo complexas intervenções milagrosas divinas pra que o futuro venha de acordo com as expectativas. Fica a outra esperança. Aquela que não muda os desígnios de Deus, mas a que muda a nós mesmos. A que, serenizada, agradece.
Quando aprendemos que a mudança não vem pela oração aos santos e deuses mas sim pela atitude e modo de enxergarmos o horizonte sob uma nova perspectiva, o milagre está consumado. O meu milagre vem na forma de olhos amendoados, sardas, cabelos de fogo e um temperamento explosivo. Meu milagre forma-se todos os dias ao abrir os olhos e perceber o quanto sou feliz por compartilhar o amor que carrego com alguém capaz de absorvê-lo e refleti-lo de volta. O milagre do meu vizinho acontece no café da manhã diário, quando contempla os filhos e percebe a candura e firmeza de caráter de todos à mesa. O milagre da moça da rua ao lado surge na turma de amigos que formou ao longo da vida. Sim, poderíamos voltar os olhos aos problemas do trabalho, ao amor não-correspondido do passado, ao relacionamento conturbado com a família, ao grave problema de saúde daquela pessoa próxima, à crise política, ao dólar em baixa, à depressão que ronda o cotidiano, à perigosa vontade de, em determinados dias, deitar e apenas esquecer . Mas os indivíduos com fé dizem sempre "Eu não quero, eu prefiro a alternativa". E abençoada seja toda essa trupe da fé, porque sentem, porque vivem, porque sabem, porque amam. Se deles será o mundo do outro lado, o do Paraíso como recompensa, nunca saberemos. Pouco lhes importa, em verdade, já que lhes pertence esse mundo de agora. Mais injusto, mais desafiador, mais tangível - como a fé que carregam.


You darkness
(Rilke)
You darkness, that I come from,
I love you more than all the fires
that fence in the world,
for the fire makes
a circle of light for everyone,
and then no one outside learns of you.

But the darkness pulls in everything;
shapes and fires, animals and myself,
how easily it gathers them! -
powers and people -

and it is possible a great energy
is moving near me.

I have faith in nights.

Você, escuridão

Você, escuridão, da qual venho
Eu te amo mais que todas as fogueiras
Que cercam no mundo,
Porque o fogo faz
Um círculo de luz para cada um,
E então ninguém do lado de fora aprende de você.

Mas a escuridão estende-se em tudo;
Formas e fogos, animais e eu mesmo,
Com que facilidade os reúne! -
Forças e pessoas -

E é possível que uma grande energia
Esteja se movendo perto de mim.

Eu tenho fé nas noites.
Por Rick as 2:04 AM







Gostou dos textos? Compre o livro aqui


Flores na Janela


** E-mail **

@
Clique Aqui


** Amigos de MT **

Guto

Mário

Positivo e Operante

Priscila

Silene

Strauss



** Amigos do Brasil **

Aline

Camila

Carol

Daniela

Rafaella



** Arquivos **
(apenas texto)

Clique Aqui


Template by Jade