Escrever na felicidade é de uma dificuldade absurda, e essa, agora, é minha desculpa pelo atraso. Ando tão feliz que acho tudo que escrevo tolo e repetitivo demais, então resolvi esperar até escrever algo que realmente quisesse expor aqui. Não consegui.Resolvi, mesmo assim, postar esse pequeno texto sobre o jogo do contente da Poliana porque ele trata dum assunto que resume tudo que sempre quis expressar em meus textos, desde o início do blog, há três anos. Quando nos permitimos a simplicidade nos relacionamentos amorosos, o jogo do contente é de uma eficiência absurda. Comigo , pelo menos, sempre funcionou.
Os dois textos anexos tratam de casamento, mas foi só uma coincidência. O primeiro foi dum filme que vi mês passado,com minha namorada, no cinema; o segundo me foi enviado pela minha amiga Jack, semana passada. O bom de ter essa mania de colecionar diálogos de filmes e seriados é esse, os amigos compartilham os achados. Carpe Diem e uma ótima semana a todos.
- Sei que não há nada que possa dizer... que elimine...
- Então nem tente.
- Aquilo não significou nada pra mim.
- Mas significou para mim.As palavras significam algo para mim.''Comprometidos'' significa algo para mim. Não significa ''talvez me case''. Não significa ''verei como me sinto''. ''Não sei, não estou seguro¿. E definitivamente não significa ''vou sair e provar se outro me agrada mais''. Significa que se apaixonou pela pessoa com quem quer passar o resto da sua vida, e que quer casar-se com ela.
- Quero casar com você. Caso com você o mês que vem. Caso com você esta semana. Saio deste apartamento agora mesmo e me caso com você.
- Não funciona assim, ok? Você não pode entrar agora e dizer que não pode viver sem mim,
e esperar de mim... o que?Que quer que eu faça, Sarah? Facilitar as coisas pra você? Não posso mais.
- Não quero que faça isso. Eu te amo. Eu não vim aqui pra dizer que não posso viver sem você. Eu posso viver sem você. Mas eu não quero.
(Diálogo entre Sarah e Jeff em ¿Dizem por aí¿)
O jogo do contente
Uma das lembranças dos meus livros de infância que carrego com carinho especial, até hoje, é o jogo do contente da Poliana. Pra quem não conhece, o jogo do contente consiste em encontrar um lado positivo em todas as situações adversas, sempre achar que as coisas poderiam estar piores e esperar pelas boas conseqüências de algo aparentemente ruim. Poliana, décadas atrás, nos ensinava a simplicidade do otimismo. O jogo do contente é estranho porque não há oponentes externos, lutamos contra nossos próprios temores e preconceitos.Uma pequena dose de amor-próprio, outra de otimismo e pronto, adentramos o tabuleiro. Não perdemos enquanto permanecermos jogando, a vitória é garantida.
Encanta a definição particular que cada um tem da felicidade.Pra alguns se resume a morar num lugar aprazível. Pra outros, no desembaraço dos momentos sozinhos, felicidade conecta-se com solidão e o desapego de qualquer pessoa. Tom Jobim cantava pelo mundo que é impossível ser feliz sozinho, mas alguém sabe mesmo da felicidade alheia? Duvido, melhor cada um cuidar da própria. Pra essas últimas que, como eu, acreditam nas palavras do Tom e teimam e ligar a própria felicidade a alguém pra amar, o jogo do contente serve de lanterna quando a realidade reformula as crenças interiores aplicando novas perguntas onde antes existiam respostas convictas
Muitos psicólogos teriam seus rendimentos diminuídos se as pessoas adquirissem o hábito do jogo do contente em suas relações amorosas. Não é tão difícil participar do jogo se considerarmos a outra alternativa, aquela da desesperança, prostração e rótulos preconcebidos. Fomos mal interpretados, desprezados, relegados a um lugar secundário no coração de alguém? Poderia ser pior: o amor-próprio, mesmo ressabiado, logo volta, mais forte e amadurecido. Esvaeceu a ilusão de alma-gêmea que tínhamos em relação àquela pessoa? Jogo do contente: ¿quando os semi-deuses se vão, os deuses aparecem.¿ Destroçamos o coração de alguém que não merecia? Jogo do contente, ela está melhor sem nossa presença. Tivemos o amor recusado sem ao menos a chance de mostrarmos o quanto somos peculiares na essência? Azar o dessas pessoas, elas perderam bem mais que nós. Atraímos pessoas desinteressantes ou a solidão teima em permanecer aumentando nossa carência, mesmo quando a sopramos em outra direção? Jogo do contente, a pessoa certa não vem no momento anunciado e esperado, e precisamos de um punhado de desilusões pelo caminho pra comparar e reconhecer a chegada de alguém especial.
A simplicidade do jogo do contente assusta porque é perdulária, mas não nos afasta das lembranças e dos momentos de reflexão e dias tristes. Com o tempo o jogo torna-se intrínseco, os caminhos diferentes e meandros revelados pela experiência criam um padrão de conduta alicerçado em nuvens e esperanças reformuladas. Sim, voláteis, podem desabar a qualquer instante, mesmo na solidez dum relacionamento estável. Mas logo vem o coração limpar os escombros e recomeçar tudo novamente, porque o segredo do jogo do contente não é a construção, mas o material. Não importa quantas vezes caiam nossos pedestais de amores desfeitos. O jogo do contente assegura que os tijolos novos, sempre, estarão lá prum novo recomeço.
Poem
His hello was the end of her endings
Her laugh was their first step down the aisle.
His hand would be hers to hold forever.
His forever was as simples as her smile.
He said: she was what was missing
She said instantly she knew
She was a question to be answered,
and his answer was: ¿I do."
Poema
O olá dele foi o fim das despedidas dela
A risada dela foi o primeiro passo deles pelo caminho.
As mãos dele seriam dela pra que as segurassem eternamente.
O eterno dele era simples como o sorriso dela.
Ele disse: ela era o que faltava
Ela disse que logo entendeu .
Ela era uma pergunta a ser respondida,
E a resposta dele foi: ¿eu aceito".
(Carrie em ¿Sex and the City, 2nd season)