No texto de hoje eu quis tratar da diferença entre dizer ¿eu te amo¿ no início de uma paixão e depois de passar pelo crivo da convivência. A idéia veio há algum tempo, depois de ver na TV uma reportagem(que saiu em diversos jornais tb) sobre o casal mais velho do mundo. A música que escolhi pra acompanhar o texto é uma do Caetano que combina com o assunto. Um ótimo final de semana a todos e Carpe Diem!
O carimbo do tempo
A cena, basicamente, é a mesma, mudam apenas os personagens: Em algum ponto um dos dois declara seu amor à primeira vista, fazem planos, acreditam neles. Um romance de verão logo se transforma no amor sonhado, a vida caminha pra um sentido único, que é o de fazer da vida do outro algo melhor porque estão, finalmente, juntos. Diversos ¿eu te amo¿ surgem, e realmente soam sinceros, até que, por um número infindável de possíveis razões, algumas semanas depois o encanto se dissipa e ambos voltam à rotina das camas frias e noites insones. Ou não, o amor se transfigura verdadeiro e cria raízes através dos anos. Mas essa é a exceção,o derradeiro amor, e o assunto hoje é a regra.
Não há nada de errado em pronunciar um ¿Eu te amo¿ alguns dias, semanas ou meses após o início de qualquer relacionamento. Assusta ouvir, alguns acreditam banalizar o amor, mas as pessoas realmente acreditam no que estão dizendo naquele momento, e acreditar nos sonhos faz um bem danado à saúde e auto-estima. Errado é ter a certeza de que o tempo, esse ingrato e frio carrasco, não derruba as mais íntimas convicções de qualquer pessoa apaixonada. Não só derruba como arrasa de tal forma que acabamos, muitas vezes, inimigos de nós mesmos por acreditar que pudemos achar, um dia, que o que sentíamos por aquela pessoa era amor. Outro dia mostraram na TV o casal mais velho do mundo e, quando indagados acerca do segredo de 80 anos juntos, eles disseram: não esticar uma discussão, beijar-se com freqüência e dar as mãos para ir para a cama. Ao final da reportagem Percy, o marido, ainda disse que haviam 2 frases mágicas que aprendeu a usar: ¿me desculpe¿ e ¿sim, querida¿.
O tempo, pro amor, é tão importante porque define a palavra, é ele quem traça os limites que separam um amor de uma paixão. A paixão vem e incendeia nossos porões interiores - e temos uma capacidade incrível de promover incêndios. Muitos vivem assim, de incêndio em incêndio, sem ao menos dar tempo de varrer as cinzas. O amor vem depois, como aquele filete de água que cai, devagar mas constante, e vai aos poucos molhando o que era brasa, afastando a fumaça e serenizando o compasso do coração. Um ¿eu te amo¿ precisa da credibilidade do tempo pra ganhar amplitude, ou não teria graça. Tem que passar pelas provações do cotidiano, do dia-a-dia, da convivência, dos pequenos desentendimentos, das crises de ciúme, mesmo as não expressas. Uma declaração de amor avalizada pelo tempo faz toda a diferença porque ambos já escaparam das armadilhas das falsas expectativas que a empolgação de toda nova paixão carrega.
Quando, então, devemos dizer ¿eu te amo¿? Quando e quantas vezes quisermos, escutar uma declaração de amor nunca cansa os ouvidos. O tempo não vem como limite, mas como a firma reconhecida, o registro em cartório de nossos sentimentos. Ele acrescenta uma linha à declaração, algo como ¿eu te amo não pela paixão de antes, mas pelo amor de agora¿. Dizer ¿eu te amo¿ a uma pessoa após um relacionamento estabilizado, e ter plena consciência do significado da declaração, é, talvez, um desses raros momentos em que nos aproximamos da felicidade sonhada. Que nunca vem fácil, nunca é garantida, nunca se acomoda.Apaixonar-se é muito fácil, ter a convicção de um amor verdadeiro requer um
O post de hoje é um pedido de desculpas e uma explicação. O blog anda abandonado por uma série de motivos, listados a seguir. Minha pós está chegando ao fim e, além das aulas nos finais de semana, estou terminando minha monografia; estou fazendo um curso de docência à distância que me toma 1 hora diária na net(além das leituras obrigatórias); mudei de função no trabalho, o que significa mais horas de trabalho. Há também outras razões menores que não carecem de explicação aqui. Quando voltar a postar, na semana que vem, quero mudar um pouco o estilo dos textos e colocar também algumas crônicas que andei escrevendo, mas isso fica pra depois. Tenho navegado bastante pelo orkut, onde recebi algumas msgs das pessoas que costumam visitar o blog cobrando as atualizações, o que me deixou muito feliz. Saber que existe apenas uma pessoa que entra aqui de vez em quando e perde seu tempo lendo o que escrevo já dá razão a tudo, e me lembra da responsabilidade que tenho com essas pessoas e do quanto eu gosto de escrever. De qualquer maneira, fica então a explicação e o pedido de desculpas, junto com a promessa que a partir de terça-feira o blog volta( se Deus quiser) à vida de outrora.