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2/23/2005
(ao som de ¿Blower¿s daughter¿, by Damien Rice)
Tudo ficou um pouco extensor demais nesse post, dfesde as citações até o texto em si, mas acho que o período sem atualização serve como justificativa. Resolvi escrever sobre amores extremos, e o texto me veio à mente depois de assistir Closer, um daqueles filmes que deixam as pessoas com pontos de vista firmes, nunca indiferentes. Muitos detestam, outros adoram, eu sou da turma dos que admiram o lado sombrio, triste e pessimista dos relacionamentos modernos que o filme mostra. Em meio às histórias típicas de ¿rapaz conhece garota, têm alguns problemas e vivem felizes para sempre¿, é bom assistir a filmes como Closer que mostram o lado real dos relacionamentos de hoje. Ao invés de assistir os filmes do primeiro tipo e lamentar a vida real ser bem diferente no final, porque não assistirmos a filmes como Closer e mantermos a esperança de que a vida real também possa ser diferente, mas dessa vez feliz?
A música é tema do filme, a mais triste que escutei desde ¿Everybody Hurts¿, do REM. O nome dela é um toque pessoal do cantor à letra, já que Blower era o pai duma antiga namorada dele (na qual se inspirou pra fazer a canção), e que, por acaso, também era seu professor. Ah, e a Natalie Portman tem que ganhar o Oscar de coadjuvante por esse filme. Um bom final de semana a todos e Carpe Diem!

Trechos do filme Closer - Perto Demais

I know who you are. I love you. I love everything about you that hurts (Sei quem você. Eu te amo. Amo tudo em você que machuca.)

Anna: I'm sorry you're ..Larry:: Don't say it! Don't you fucking say "you're too good for me" I am, but don't say it. (Anna: Sinto muito mas você é¿ Larry: Não diga isso! Não diga a porra do ¿Você é bom demais pra mim¿. Eu sou, mas não diga isso.)

Alice:: Where is this "love"? I can't see it, I can't touch it. I can't feel it. I can hear it. I can hear some words, but I can't do anything with your easy words. (Onde está esse ¿amor¿? Não consigo enxergá-lo. Não consigo tocá-lo. Não consigo senti-lo. Eu posso escutá-lo. Posso escutar algumas palavras, mas não posso fazer nada com suas palavras comuns.)

Alice: Why isn't love enough? (Porque amar não é suficiente?)

Anna: Why do you love her? Dan:: I love her because she doesn't need me. (Anna: Porque você a ama? Dan: Eu a amo porque ela não precisa de mim)

Dan: What's so great about the truth? Try lying for a change - it's the currency of the world. (O que é tão bom na verdade? Tente mudar um pouco ¿ é o costume do mundo.)

Dan: I apologize. If you love her you'll let her go so she can be happy.Larry:: She doesn't want to be happy.Dan: Everybody wants to be happy.Larry:: Depressives don't. They want to be unhappy to confirm they're depressed. If they were happy they couldn't be depressed anymore. They'd have to go out into the world and live. Which can be depressing. (Dan: Peço desculpas. Se você a ama você irá deixá-la partir pra que ela possa ser feliz.. Larry: Ela não quer ser feliz. Dan: Todo mundo quer ser feliz. Larry: Os depressivos não. Eles querem ser infelizes para confirmar que estão deprimidos. Se eles fossem felizes não poderiam estar mais deprimidos. Eles teriam que sair pro mundo e viver. O que pode ser deprimente.)
If you believe in love at first sight, you never stop looking. (Se você acredita em amor à primeira vista, você nunca para de olhar.)
If you believe in love at first sight... Take a closer look. (Se você acredita em amor à primeira vista...olhe mais de perto)
Those who love at first sight are traitors at every glance. (Aqueles que amam à primeira vista são traidores a cada espiada)


Amores extremos

Paixões nos levam a extremos, mas umas poucas ultrapassam o limite. Tatuam na mente a idéia de que amar requer retribuição proporcional à paixão que se entrega, e não há forma de se encontrar equilíbrio no excesso. Falta de amor-próprio, ciúme, medo, angústia, experiências anteriores traumáticas, descrença ou preconceitos, não importam os motivos. Em verdade muitas vezes não há uma razão plausível. Alguém chega e acende o nosso interruptor de sentimentos desenfreados e nos pegamos cometendo os mesmos erros que criticávamos em todas as pessoas ao redor.
O amor de extremos nunca é bom. Asfixia aos poucos, vai matando seu objeto na desenfreada procura por algo que o contrarie, que o coloque na loucura, o que sempre acontece pela visão distorcida que os extremistas têm do sentimento que carregam. É um amor sem metáforas porque o exagero faz parte de seu cotidiano, que ensandece. Há um tênue momento em que acordam em meio ao dilúvio pra perceber o quão arbitrários estão sendo ao julgar o que inexiste, ou que tem formas apenas na mente poluída. Aqueles que acordam têm a chance de cessar, de reavaliar antes do pecado, que, como trair, sempre há um momento em que se pode optar por não cometer o engano, sempre há o momento em que a consciência diz: ¿eu posso ¿ e vou ¿ parar por aqui, porque sei que não terei controle sobre o passo adiante¿.
Nem todos têm amores extremos ao longo da existência, mas aqueles que sobreviveram a um não esquecem das lições, mesmo as aprendidas à força, já que a dor faz-se comum a todos. Um amor de extremos raramente termina bem, e se ambos sobrevivem com sua esperança de antes, a vitória está consumada, não importa se as crenças e todo o resto tenha se esvaído em meio ao processo. Não bastasse a falta de controle, sequer percebemos quando adentramos no redemoinho. Os sinais somem à margem de argumentos e justificativas que inventamos pra nossos próprios atos e pensamentos, e pior, acreditamos nesse mundo de ilusão criado por nosso medo da realidade. Mesmo depois, ao analisar friamente os fragmentos espalhados - como se algum dia eles esfriassem ¿ não percebemos o que, de fato, nos levou àquele instante de prostração final, de reverência a alguém que não deveria estar no controle tampouco num altar, que seres-humanos sempre despencam dos altares que os colocamos. Ao final de tudo fica o alívio pela sobrevivência, por saber que podemos voltar a construir um universo paralelo de esperança que dará um horizonte ao outro, ao real, àquele que nos invade o quarto pela janela aberta com o calor duma manhã sem nuvens.Fica, sempre, o medo de que esse amor dê as caras novamente, ou pior, que um novo amor tão avassalador apareça e rebobine todo o filme em nossa existência.
Amores extremos não são almas-gêmeas porque não completam, destroem. Levam a atos tresloucados mas seus protagonistas não são loucos, apenas desmedidos. Algum tempo após seu ocaso vem a fatídica revisão do comportamento da véspera, e o lucro aparece pelo fato de terem apenas mantido a dignidade. O saldo? Após o tempo varrer a poeira e um pouco de consciência respirar, ficam as lições de amargura, destempero, sonhos caídos e esperanças multiplicadas. A certeza, mesmo que tardia, de que amores extremos não nasceram pra durar. Após termos sobrevivido não há nada mais gostoso e recompensador que um amor calmo, tranqüilo, retribuído e feliz em sua simplicidade Que esse últimos também arrefecem a alma, também esquentam o coração e os pés descalços sob a colcha nos dias frios de inverno. Mas quem quer saber hoje em dia duma felicidade que perdura num mundo que admira a depressão? Bom, eu quero, e acho que alguns de vocês também.

Por Ed as 5:09 PM






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