(ao som de ¿Por onde andei¿, MTV ao vivo, por Nando Reis)
Esse ano que está acabando me foi atípico no melhor sentido da palavra: foi o ano mais feliz da minha vida, em todos os sentidos. É claro que aconteceram momentos ruins, decepções pessoais, gente que magoei sem a intenção e pessoas que me decepcionaram, talvez sem intenção também. Mas foi tão pouco perto do resto que até me assusto quando paro numa retrospectiva, como agora. Consegui resolver problemas familiares complicados (e quem não os tem?), o ano foi muito bom no trabalho, consegui publicar meu livro e ele está vendendo bem mais do que esperava. Tudo isso já me era mais que suficiente, e, pra completar,só faltava o amor. Que não falta mais. O link abaixo recebi hoje da minha amiga Lílian pelo Messenger, acho que a mensagem exprime melhor o que tentei mostrar no texto abaixo. A letra é uma do Nando Reis que não me sai da cabeça nos últimos dias, sem relação nenhuma com o texto. Mas hoje é Natal, então pode, né? Carpe Diem.
O verdadeiro significado
Sempre me questionei acerca do real significado do Natal. Todos os anos recebemos votos de Feliz Natal em cartões, as ruas ficam mais iluminadas, o comércio aumenta, presentes são trocados, as cidades ganham um aspecto radiante, como se por alguns dias os problemas do cotidiano fossem encobertos pela magia do instante representado pelo período entre o Natal e o Ano-Novo. O que isso representa, de verdade, em cada um de nós?
Se tivesse que resumir o Natal a um único verbo, ele seria ¿acreditar¿. Acreditar em alguma coisa, pouco importa o que. Num Deus da religião preferida, no sorriso inocente da criança que brinca na esquina, no amor da pessoa ao nosso lado na cama, numa amizade, no time de futebol. Acreditar em algo mantém nossos pés aquecidos e o coração relaxado à noite, na solidão das horas interiores. Ter esperança significa ter aquela mão serenada pousada em nosso peito enquanto dormimos, a mesma mão que tranqüiliza com a mensagem de ¿não se preocupe, eu estou aqui observando¿.
Natal e Ano-novo compreendem bem mais que trocar presentes, pular 7 ondas ou desejar votos de um futuro melhor. Até porque todos sabemos que coisas ruins continuarão acontecendo a algumas pessoas boas, sem explicação aparente, algumas decepções farão parte do pacote. O que conta, então, é a atitude, a perspectiva do que vale a pena, a esperança. Natal serve pra isso, pra lembrar-nos que não adianta nos entristecermos com o que ocorre alheio à nossa vontade, e o que resta, o que sobra, é a parte que nos cabe: os momentos felizes. Tantas pessoas reclamando por causa de alguns quilos a mais, uma discussão no trabalho, uma briga de trânsito, enquanto outras que tiveram o mundo invertido por perdas reais mantém a atitude serena, o brilho no olhar... Se podemos optar, pra que lembrar das tristezas, das falhas de caráter, das pessoas que magoamos mesmo sem intenção? Final de ano serve pra eternizar o outro lado: os momentos passados ao lado dos amigos, o corpo entrelaçado ao da pessoa amada na cama à noite, o sorriso involuntário e gostoso causado pelos instantes em que fomos pegos de surpresa nalguma artimanha, a data em que fizemos o dia de alguém melhor por algo que nem nos foi tão importante assim, mas que significou muito à outra pessoa. Ano-Novo serve pra lembrar daquela festa inesquecível, do jantar que deixou o gostinho de ¿quero mais¿, do entorpecimento por uma ilusão amorosa que se tornou pó ou sobreviveu, o que importa é como nos sentimos por dentro.
Natal deveria ser, além de troca de presentes, troca de olhares, de gestos, de cumplicidade. Troca de carinho, um aperto de mão sem necessidade de palavras, um abraço que exprime mais que qualquer cartão, um beijo que representa o infinito perto dum tradicional ¿Boas Festas e Próspero Ano-Novo¿. Próspero tem que ser nosso acalanto, o desejo de fazer a nossa parte, a felicidade de saber que, mesmo em meio a diversos infortúnios e momentos ruins, houve um dia nesse ano, mesmo que único, que fez toda infelicidade acumulada até então desaparecer. Pode ter sido naquela lua cheia, na carta inesperada, na declaração repentina, num filme que nos emocionou, na tarde chuvosa, no pôr-do-sol que nos remeteu àquela famosa sensação de que há alguma coisa acima conspirando a favor e dando um sentido ao quebra-cabeça, quando mais perdidos estamos nessa montagem.
Substituo, então, meus votos de Feliz Natal e Próspero Ano-Novo por um desejo de que acordemos, que abramos os olhos às lembranças que nos marcaram de maneira positiva nesse ano, tomemos nas mãos a energia desses instantes e, como poeira, joguemos o mais alto que pudermos. Quando caírem, esses fragmentos, como chuva, não atingirão apenas nosso corpo, mas o daqueles que nos cercam, levando o brilho estampado da esperança de que muitos outros instantes mágicos nos aguardam, e que o tamanho da felicidade que merecemos e que nos aguarda é similar ao do amor que queremos entregar ao mundo. E que se uma, apenas uma pessoa se importa com o fato de estarmos eventualmente tristes, é nosso dever entregar a ela um painel de vida diferente.
Quis escrever hoje sobre o que realmente importa numa relação, as tais das pequenas coisas que nos empolgam ou desencantam na pessoa com quem nos relacionamos. As mensagens inconscientes que mandamos e nos são enviadas no dia-a-dia, mais importantes que qualquer outra forma de expressão amorosa. A música é especial porque é a famosa "música preferida do grupo preferido". Muita gente cisma com algumas músicas desconhecidas de alguns grupos famosos, Strange Currencies é a minha. Adorei desde a primeira vez que escutei, há mais de 10 anos. O engraçado é que ela nem era pra ter sido lançada, inicialmente não deveria ter sido aproveitada no álbum Monster e, de última hora, o Michael Stipe resolveu colocar. Ainda bem. Aproveito pra agradecer de novo minha irmã virtual Carol-chan e o Chuck(cara de muito talento) pelos desenhos que fizeram num dos textos do meu livro, que a Carol colocou no blog dela. Nem preciso dizer que adorei, né Carol? Um ótimo final de semana a todos e Carpe Diem!
As entrelinhas
"What I want to feel, I want to feel it now". ("O que quero sentir, quero sentir agora"; trecho de Strange Currencies, por REM)
Semana passada, conversando com uma amiga poetisa, ela me confessou, entre risos, que seu último amor durou exatos "três cartas de amor e dezoito poemas". Uma medida de tempo diferente e que me remeteu a outro tipo de questionamento: O que é que conta, mesmo, num relacionamento amoroso? Manifestações expressas de amor contam, não há dúvida. Um bilhete, um poema, uma carta, coisas que ficam eternidade adentro. Expressar o amor sempre passa um pouco de segurança, o porto seguro dissipando a névoa dos sentimentos confusos que povoam a mente dos enamorados. Serão essas manifestações o mais importante no relacionamento, então?
Não tenho receio em afirmar que não. No amor, o que importa, mesmo, são as entrelinhas. Receber um bilhete carinhoso é ótimo, mas não há o que supere uma troca de olhares cúmplices, um afago num momento de fraqueza, o apoio naquele momento difícil onde tudo que queremos se resume na presença de alguém especial por perto. Um poema, por mais belo que seja, não alcança a plenitude da dedicação, do apenas estar lá. Os sinais inconscientes que mandamos e nos enviam não aparecem em demonstrações públicas de afeto, mas justamente no cotidiano, nas ações do dia a dia, nas pequenas coisas. Um telefonema fora de hora, mãos entrelaçadas, um beijo roubado, o carinho na frente dos amigos... a presença, enfim. Não só física, mas aquela outra, insinuada, despercebida, que se esgueira pelos corredores da alma e sussurra que há alguém que se importa e cuja felicidade vem do espelho refletido pela felicidade do outro. Amar é muito mais que canções, pinturas, textos ou qualquer forma de manifestação artística. A arte do amor é mais difícil porque aparece na rotina, nos encontros do dia-a-dia. O encanto, da mesma maneira, desaparece assim,fragmentado em pequenas decepções. Uma ausência num dia importante aqui, um comentário infeliz acolá, uma insinuação e pronto, as pérolas caem do colar e se espalham pelo chão, disformes e arredias a formar um conjunto novamente. Muitas vezes nos empenhamos em construir um universo de admiração em relação ao outro e apenas um tijolo mal colocado provoca a queda, e tudo volta a seu início. Pior, com a desconfiança de que aquilo se repetirá.
Assim como o trabalho, amar exige empenho. Pode chegar de surpresa, sem convite e num momento inesperado, mas fazer com que permaneça exige atitude. A entrega tem que vir acompanhada da vulnerabilidade, confiança, expressão das angústias, e mais. Demonstrar de maneira inconsciente, eis a verdadeira arte e desafio, porque nisso reside a conquista definitiva. Mostrar que aquilo que externamos corresponde ao que sentimos, da mesma maneira com que admiramos uma pintura preferida. Perceber além das cores, das figuras, das tintas. Observar a essência, o abstrato, o que a visão não percebe. Tornarmo-nos os pintores, encontrando formas de mostrar ao resto do mundo o turbilhão de sentimentos que nos invadiu no instante em que decidimos nos entregar num relacionamento. Há uma cena em "A História de Adele H" em que Isabele Adjani, em sua beleza adolescente, diz: "O amor é minha religião. Não entrego meu corpo sem entregar minha alma." A retórica é bonita, mas quando essa entrega vem acompanhada da expressão inconsciente desse amor nos pequenos detalhes, aí sim podemos chamar de religião. Até porque sempre precisaremos de fé, muita fé, pra que continuemos acreditando e lutando por algo que nunca teremos como garantido.
Strange Currencies
I don't know why you're mean to me
when I call on the telephone.
and I don't know what you mean to me
but I want to turn you on, turn you up, figure you out, I want to take you on
These words, "You will be mine."
These words, "You will be mine." all the time.
the fool might be my middle name
But I'd be foolish not to say
I'm going to make whatever it takes,
ring you up, call you down, sign your name, secret love,
make it rhyme, take you in, and make you mine.
These words, "You will be mine."
These words, "You will be mine." all the time. oh
I tripped and fell. did I fall?
What I want to feel, I want to feel it now.
You know with love come strange currencies
and here is my appeal:
I need a chance, a second chance, a third chance, a fourth chance,
a word, a signal, a nod, a little breath
just to fool myself, to catch myself, to make it real, real...
These words, "You will be mine"
These words, "You will be mine." all the time. oh
These words, "You will be mine."
These words, they haunt me, hunt me down, catch in my throat, make me pray,
say, love's confined, oh.
Estranhos costumes
Não sei porque você é má comigo
Quando te chamo ao telefone
E não sei o que você significa pra mim
Mas eu quero te acender, te descobrir, te compreender, eu quero te enfrentar...
Essas palavras: "Você será minha"
Essas palavras: "Você será minha", o tempo todo...
"O tolo" deve ser meu nome do meio
Mas eu seria tolo em não dizer
Farei tudo que for preciso,
Te telefonar, te chamar, assinar teu nome, amor secreto,
fazer rimar, te cercar e te fazer minha.
Essas palavras: "Você será minha"
Essas palavras: "Você será minha", o tempo todo...
Eu tropecei e caí, será que caí?
O que eu quero sentir, eu quero sentir agora.
Você sabe que com o amor vêm estranhos costumes
E aqui está meu apelo:
Eu preciso de uma chance, uma segunda chance, uma terceira chance, uma quarta chance,
uma palavra, um sinal, um aceno, um pouco de fôlego,
Só pra me enganar, pra me surpreender, pra fazer disso real, real...
Essas palavras: "Você será minha"
Essas palavras: "Você será minha", o tempo todo...
Essas palavras: "Você será minha"
Essas palavras, elas me assustam, me perseguem, me pegam pela garganta, me fazem rezar,
Dizer "o amor está confinado", oh...
(ao som de "Formato Mínimo", ao vivo no Multishow, por Skank)
Quis falar dum aspecto um pouco contraditório no texto de hoje, o da importância de sermos egoístas no amor. Desnecessário dizer que é opinião particular,sei que muitos não devem concordar com essa forma de agir no campo dos relacionamentos amorosos. É que, pra mim, fica difícil dissociar a sinceridade e vulnerabilidade do egoísmo, e se é que existe algum egoísmo sadio, pra mim ele está representado no do texto abaixo. A música, do Skank, não tem relação com o texto. A letra, como disse certa vez o Samuel Rosa, é a crônica dos romances que duram apenas um final de semana. Achei a mais apropriada pra representar meu ano nesse sentido. Quis compartilhar aqui com vocês um texto que me deixou emocionado, feito pra mim por dona Lucila, mãe da minha amiga Silene, que já entrou na galeria das "coisas que não tem preço". Dá pra perceber a razão da Silene ter pego gosto pela escrita. Aproveitando, dia 1 foi nevar da minha mana virtual Carol-chan, fica aqui um abraço bem apertado pra ela. Minha amiga Puella me mandou um link bem legal dum site onde as pessoas podem fazer questionários pra ver o quanto os amigos sabem delas. Acabei fazendo um pra mim aqui, se alguém quiser tentar, o primeiro que conseguir acertar as 10 perguntas ganha um exemplar do livro, envio incluído. Um ótimo final de semana a todos e Carpe Diem!
O egoísmo sadio
"Meus sentimentos por você são como um pote cheio de anzóis. Não posso pegar um de cada vez. Puxo e vêm todos de uma vez. Então não mexo com eles." (Meryl Streep para Leonardo DiCaprio em "As filhas de Marvin")
Cazuza dizia que só as mães eram felizes, eu prefiro acreditar que apenas os egoístas sentimentais têm passe livre ao paraíso dos amores plenos. A pressão abaixa, o estresse finda, a impagável sensação de que nada ficou pra trás acaba com qualquer dolo Acho que se pudesse dar um único conselho a meus filhos no futuro, seria esse: "Pensem apenas em vocês nos momentos de decisão, preocupem-se com sua própria felicidade, porque a da outra pessoa virá como conseqüência da expressão da sinceridade de vocês. Não se preocupem em magoar ou ferir os sentimentos alheios quando a felicidade pessoal está como objetivo final."
O egoísmo é necessário porque está ligado à confiança, à sinceridade, à vulnerabilidade. Ser egoísta num relacionamento significa pensar apenas nos próprios sentimentos em instantes de decisão, e quer sinceridade maior que essa? Muitas vezes nos iludimos pensando no que a outra pessoa vai pensar, em como irá sobreviver ou agir, e nos esquecemos de que somos mais substituíveis que pensamos. O egoísmo sentimental pode soar como uma punhalada no início, mas depois se mostra como a intervenção necessária e mais correta à situação. Paremos de nos preocupar tanto com o que a outra pessoa sente ou pensa e comecemos a dar atenção ao que dita a regra: nosso coração. Que não se convence, que não é politicamente correto, que é teimoso e masoquista, mas nos controla. Egoísmo significa poder dizer "hei, você é uma pessoa ótima, mas eu não consigo gostar de você, e você vai ter que saber lidar com isso" ou "eu gosto de você, precisava te dizer e isso era um problema meu; que agora passou a te pertencer também." Egoísmo compreende ter a noção exata de que ninguém mais pode ditar nosso rumo que nossas próprias convicções e palpites, e lidar com isso da maneira mais crua possível: expressando o que nos incomoda à pessoa ao lado. Egoísmo implica expressar o amor, mesmo o não correspondido, nas entrelinhas ou mal-resolvido. É como um cheque-mate, você realiza o movimento inesperado que encurrala a outra pessoa e não dá outra chance a ela além de usar o próprio egoísmo de volta e rebater na mesma sinceridade, nem sempre aquela que esperamos.
As alternativas assustam quando optamos pelo politicamente correto nos assuntos do coração. Preocupar-se ao extremo com as reações da outra pessoa desencadeia uma avalanche de culpa, remorso e tristeza que se transforma em tortura com o tempo, e pior, não resolve o problema, apenas adia e faz com que cresça até o momento que nos sufoca. Apenas o egoísmo dá a certeza da felicidade no amor, então? Evidente que não, mas é lenitivo à decepção, pré-requisito às relações que querem algo além da rotina do dia-a-dia. E o estranho e contraditório é que, entre egoístas e outros rótulos tentando definir os tipos de relacionamentos aos quais sobrevivemos, são essas primeiras - justamente essas pessoas - as que carregamos na lembrança ao longo da existência, mesmo contra nossa vontade. E o coração aprende, as pessoas amadurecem, a inflação recua, os meses passam, o Natal se aproxima e a fila, sempre, anda.
Assumindo o "desafio" de escrever, ao amigo Edu, um dos poucos poetas de alma que conheço.
Lucila. Ah... que pretensão a minha querer interpretar a mente e a alma de um poeta...
Pra começar, o poeta não tem, assim, partes definidas como nós, simples mortais... ele é só emoção...
Mostre a um poeta um acidente de trânsito e ele dirá que foi uma forma do destino unir várias pessoas diante de uma tragédia.
Chove e o poeta verá, além de um fenômeno da natureza, lágrimas de alguém no céu, dizendo-nos que após a tempestade vem a bonança, ainda acompanhada de esperanças futuras.
Um poeta não ama. Ele escreve uma ode à musa que lhe desperta um sentimento.
Não vê a borboleta e o beija-flor cumprindo simplesmente sua função de polinizar as flores, ele cria um livro inteiro sobre como a vida é bela e deve ser vivida intensamente.
E, para sermos mais sucintos, faz das nossas vidas e dos nossos desamores uma força a mais para nos empurrar para o céu. Não o céu de plenas realizações, mas aquele céu pequenino, que precisamos encontrar em cada amanhecer, a cada bom dia dos amigos e da família.
Não pensem vocês que os poetas não pecam. Ah, eles pecam sim. Quando nos fazem acreditar que por trás de toda chuva existe um arco-íris. Que por trás de toda lágrima existe alguém que queira enxugá-la... mas a isso devemos agradecer.
Pois existem muito poucos poetas. Acho que até hoje só encontrei um. E no dia em que precisar, quero me sentir protegida pelas suas obras, pelas palavras, contra todos os males do mundo.
Deus abençoe os poetas...
Formato Mínimo (Samuel Rosa - Rodrigo F. Leão)
Começou de súbito
A festa estava mesmo ótima
Ela procurava um príncipe
Ele procurava a próxima
Ele reparou nos óculos
Ela reparou nas vírgulas
Ele ofereceu-lhe um ácido
E ela achou aquilo o máximo
Os lábios se tocaram ásperos
Em beijos de tirar o fôlego
Tímidos, transaram trôpegos
E ávidos gozaram rápido
Ele procurava álibis
Ela flutuava lépida
Ele sucumbia ao pânico
E ela descansava lívida
O medo redigiu-se ínfimo
E ele percebeu a dádiva
Declarou-se dela o súdito
Desenhou-se a história trágica
Ele enfim dormiu apático
Na noite segredosa e cálida
Ela despertou-se tímida
Feita do desejo a vítima
Fugiu dali tão rápido
Caminhando passos tétricos
Amor em sua mente épico
Transformado em jogo cínico
Para ele uma transa típica
O amor em seu formato mínimo
O corpo se expressando clínico
Da triste solidão a rúbrica