Clique aqui e dê também sua opinião:
11/25/2004
(ao som de ¿You are so beautiful¿, live by Joe Cocker)

Hoje resolve sair um pouco dos textos habituais pra relatar um fato acontecido semana passada, um daqueles instantes em que podemos observar exemplos que dizem mais que qualquer livro ou texto sobre o amor. Sempre tive meus tios-avós como exemplo em muitas coisas: maneira de ser e agir, paixão pelo time de futebol e, mais recentemente, o exemplo vivo de que relacionamentos podem se estender indefinidamente sem perder o encanto e o prazer inicial. Abaixo segue o relato da mais recente lição que aprendi com ambos. Aproveitando meu momento de alegria dos últimos dias, escolhi uma música simples e ao mesmo tempo de muito significado.. A beleza está nos olhos de quem vê, já dizia Exupéry. Nada melhor, então, que expressa-la, como na letra dessa música, Como fazia algum tempo que não postava nenhum poema, escolhi dessa vez um especial. Lembrei-me dele enquanto conversava com uma pessoa (também especial) essa semana, achei que deveria compartilhar com vocês a beleza das palavras do cummings, que não carece de maiores comentários. No final de semana volto com os textos habituais. Carpe Diem.

O segredo

Exemplos, sempre os exemplos. Racionalizamos, inventamos complexas teorias comportamentais que despencam ao primeiro insucesso amoroso que nos cerca. A esperança fraqueja, começamos a concordar com os estereótipos assimilados ao longo da existência, observando o comportamento dos que nos rodeiam e, então, num dia aparentemente despercebido, surge o exemplo que precisamos.
O meu veio semana passada, véspera do casamento de minha irmã, numa noite chuvosa de terça-feira. Parentes reunidos na casa, de repente ouço do meu quarto um som de Gardel ao fundo. Ao abrir a porta me deparo com meus tios dançando tango na varanda, compenetrados, entretidos naquele momento mágico, enquanto a chuva desabava ao redor deles. Meia hora depois pararam, cansados, e me pediram pra levá-los de volta ao hotel onde estavam. No dia seguinte, ao buscar minha tia, não hesito em comentar sobre a noite anterior, de como a família toda se encantava com o exemplo que eles nos deram ao longo de todos os anos. Minha tia, do alto de sua sabedoria de quase 70 anos, me responde:
- Quer saber o segredo da nossa felicidade? Seu tio nunca esqueceu de prestar atenção nos detalhes. Quando o conheci ambos vínhamos de relacionamentos fracassados, estávamos os dois desiludidos, não esperávamos muita coisa um do outro, e conforme fui me aproximando dele fui tendo a certeza de que não poderia ficar com mais ninguém que não fosse ele. Eu também prestei atenção nos detalhes. Estava paquerando um outro homem na época e seu tio me conquistou com cada gesto de carinho que me fazia no dia-a-dia, até me fazer perceber o quanto era especial. Estamos casados há mais de 25 anos e ele nunca se esqueceu de um aniversário, um dia dos namorados, nenhuma data importante. Até o dia em que começamos a namorar nós comemoramos todos os anos. Ele está sempre procurando uma maneira diferente de me surpreender e agradar: ano passado começamos as aulas de tango, até hoje vamos ao estádio acompanhar os jogos de futebol da arquibancada, ele sempre inventa uma maneira diferente de me mostrar que se importa comigo e que me ama.
Não havia muito a ser dito depois disso. Durante o casamento os dois dançaram até quase amanhecer, despedi-me deles no aeroporto com a certeza de que, sempre que aqueles dias frios chegarem com o pensamento de que todos os relacionamentos são previsíveis e com prazo de validade, eu tenho um exemplo na família pra provar o contrário.Dedicação e atenção nos detalhes, eis o segredo. Não basta encontrarmos a pessoa certa, a Alma¿Gêmea, sem adicionar esses dois temperos à mistura do relacionamento. Sim, por certo era o segredo deles, cada um deve procurar sua própria fórmula Mas saí com a sensação que todas as demais não devem fugir muito disso.
Por Ed as 2:44 AM





Clique aqui e dê também sua opinião:
11/19/2004
(ao som de "Life is too short" acoustic by Scorpions)
Aproveitando a semana especial pela qual venho passando, hoje o texto trata daquele instante mágico pelo qual passamos diversas vezes na vida - e quem se cansa de se apaixonar?
Recebi uma homenagem que me deixou muito feliz de uma pessoa que considero minha irmã virtual, tamanha a identificação que a gente tem. Minha "irmã" de São Paulo, a Carol, pegou um dos textos do meu livro e usou a criatividade e o talento que ela tem pra colocar alguns desenhos que fez junto ao texto. O resultado, pra quem quiser ver, está no blog dela, um dos meus preferidos. Obrigado Carol-chan!
A música é do dvd gravado em 2002 pelos Scorpions, chamado" Acoustica", onde regravaram os maiores sucessos da banda nesse formato. Essa foi uma das poucas inéditas apresentadas no dvd, o meu preferido dos últimos tempos. Pra quem conhece meu mote, nada melhor que o que essa música representa. Hoje é o casamento da minha irmã (vai ser motivo de texto futuramente), a família está toda reunida aqui na minha cidade festejando, então provavelmente não vá postar mais nada até segunda-feira. Carpe Diem e bom final de semana a todos!

De repente

É assim, de repente, que acontece. Não em capítulos anunciados, sonhos reveladores, campanhas publicitárias ou datas estabelecidas. Fugaz, naquela insolência gostosa, a ventania que passou pelo litoral, incorporou a maresia e pôs abaixo as portas do nosso raciocínio abstrato. De repente nos pegamos impregnados, exalando o perfume da alma, abrindo os poros e a percepção ao incomensurável, ao desconhecido, ao que arrebatou todas as cercas que rodeavam os segredos mais íntimos.
De repente os planos se esvaem, a lógica emudece, a lágrima seca, a partida recomeça. A prostração do fim de tarde continua, é verdade, mas agora acompanhada dum sorriso vitorioso de canto de boca, da esperança fazendo cócegas no ego. Acariciamos o bicho de estimação, cuidamos do corpo, jogamos os braços ao redor do mundo lá fora, numa tentativa de abraçar todo ar existente na atmosfera. Voamos, também. Viagens por trilhas desabitadas vislumbradas em lapsos de felicidade, cidades inteiras recobertas por nuvens trôpegas que deixam cair uma chuva incessante que lava, purifica e prepara ao momento que se aproxima.
De repente o descolorido cotidiano toma formas anis, vermelhas, alvas, qualquer cor antecipada pela empolgação. Nos sentimos mais bonitos, notamos a beleza dos que nos cercam, o mundo se torna um oceano de mistério porque ousamos mudar. De repente a sensação de que, enfim, estamos prontos pra qualquer batalha que se anuncie, mesmo aquelas interiores, mesmo as de mau presságio. De repente nos percebemos invencíveis..
De repente, tal qual telefonema enganado, vem a notícia. A lamentação pela demora logo desaparece, não há lugar pra sentimentos negativos. Trocamos as perguntas, apagamos da memória rastros de respostas pregressas, tudo tem que estar limpo, vazio e preparado ao instante próximo. A família estranha, os vizinhos sorriem, os amigos acompanham o fluxo, conhecedores da causa. O mundo conspira, falta descobrir pra qual lado. O silêncio toma formas tão bonitas, os pequenos momentos voltam a ter a importância devida, o som do pensamento ecoa em ondas médias a mensagem que o coração telegrafou.
De repente queremos aproveitar o momento, cada segundo que nos conduza à direção que pertencemos, aquela ditada pelo coração. Os sentidos harmonizam-se uníssonos com o espírito cadenciado pela melodia soprando ao ouvido que, dessa vez, a sorte nos encarou de frente e deu uma piscadela confirmando nosso palpite de que estava tudo escrito. Tudo porque de repente nos pegamos - perdidamente, loucamente, de novo - apaixonados.


Life is too short
Scorpions

Have you ever seen the morning
When the sun comes up the shore
And the silence makes
A beautiful sound
Have you ever sat there waiting
For the time to stand still
For all the world to stop
From turning around

And you run
'Cause life is too short
And you run
'Cause life is too short

Have you ever seen the glowing
When the moon is on the rise
And the dreams are close
To the ones that we love
Have you ever sat there waiting
For heaven to give a sign
So we could find the place
Where angels come from

And you run
'Cause life is too short
And you run
'Cause life is too short
And you run
'Cause life is too short
And you run
'Cause life is too short

There's a time that turns
I'd turn back time
But I don't say I can
It only works if you believe in the truth
Well there's a time to live
And a time to cry
But if you're by my side
I will try to catch a star
I'll try to catch a star
Just for you

And I run
'Cause life is too short(4x)

Too short
Too short
Life is too short

A vida é muito curta

Você já viu o amanhecer
Quando o sol aparece na praia
E o silêncio faz
Um bonito som?
Você já ficou sentada lá esperando
Pela hora de se levantar
Pra que todo o mundo parasse
De girar?

E você corre
Porque a vida é muito curta
E você corre
Porque a vida é muito curta

Você já viu o brilho
Quando a lua se eleva
E os sonhos estão perto
Daqueles a quem amamos?
Você já ficou sentada lá esperando
Pra que o céu mandasse um sinal
Pra que pudéssemos encontrar o lugar
De onde vêm os anjos?

E você corre
Porque a vida é muito curta
E você corre
Porque a vida é muito curta

Há um tempo que transforma
Eu voltaria no tempo
Mas nao digo que não posso
Só funciona se você acreditar na verdade.
Bem,há um tempo de viver
E um tempo de chorar
Mas se você estiver ao meu lado
Eu tentarei alcançar uma estrela
Eu tentarei alcançar uma estrela
Só pra você.

E eu corro
Porque a vida é muito curta.

Muito curta
Muito curta
A vida é muito curta.
Por Ed as 4:21 AM





Clique aqui e dê também sua opinião:
11/12/2004
(ao som de "It might be you", por Stephen Bishop)

Ia escrever um texto sobre coincidências, já que elas andaram me rodeando na última semana, mas de última hora resolvi trocar por esse outro, que escrevi agora pela madrugada. Semana que vem vai ser bem atípica por vários motivos, o principal deles o casamento da minha irmã, mas vou deixar isso prum outro texto. Desculpas antecipadas pelo de hoje, um pouco longo demais. As fotos dos últimos posts são do filme Antes do Anoitecer, continuação de Antes do Amanhecer que foi lançada essa semana, de longe o filme que eu mais esperava assistir no ano. Como não foi lançado no circuito da minha cidade, tive que me virar e arrumar uma cópia na net, que gravei em dvd pra assistir mais sossegado esse feriado, provavelmente os próximos textos irão se basear nesse filme. A música (outra coincidência) eu escutei, por acaso, agora pela madrugada, era da trilha de Tootsie; sempre gostei da letra e melodia,achei apropriada ao texto. Um ótimo feriado a todos e Carpe Diem!


Apaixonar-se e "apaixonar-se"

"O amor é uma loucura temporária, surge como uma erupção vulcânica, depois arrefece. E quando arrefece é preciso tomar uma decisão. Precisa refletir se suas raízes se entrelaçaram tanto que será impossível que vocês se separem um dia. Porque o amor é isso. O amor não é perder o fôlego, não é empolgação, não é a promulgação de promessas de paixão eterna, não é o desejo de se unir a cada minuto do dia, não é ficar acordado à noite imaginando que a outra pessoa está beijando cada recesso do seu corpo. Isso é só "estar apaixonado", coisa que qualquer tolo pode fazer. O amor, em si, é o que resta quando a paixão já se esgotou, e isso é ao mesmo tempo uma arte e um feliz acaso. Aconteceu entre mim e sua mãe, tínhamos raízes que cresceram uma em direção às outras debaixo do solo, e quando todas as flores belas já haviam caído dos nossos galhos descobrimos que éramos uma só árvore, e não duas. Mas às vezes as pétalas caem e as raízes não se entrelaçaram."(trecho do livro "O bandolim de Corelli", onde o dr Yanis dá conselhos a Pelágia, sua filha).

Se há uma clara diferença entre amar e apaixonar-se, estar apaixonado também tem suas próprias peculiaridades. Se amar implica algo incondicional, insuspeito e sem questionamentos quanto à essência, a paixão, o primeiro degrau em direção ao amor, já dá claros sinais, desde seu primeiro instante, do andar a que pretende chegar.
Apaixonar-se é a coisa mais fácil do mundo, apaixonamo-nos quase que diariamente. Pela atriz do filme preferido ou da novela, pela pessoa do apartamento ao lado com quem trocamos algumas palavras no elevador, por uma silhueta que vislumbramos cruzando a calçada naquele dia chuvoso. A maioria das paixões acontece assim, casualmente e sem maiores pretensões, muitas vezes platônica, porque é um mundo seguro onde não há sofrimento pela recusa nem desilusões. Apaixonamo-nos por um invólucro ou sinal exterior, também. Uma pinta estrategicamente colocada por Deus ou pelo cirurgião plástico perto da boca, uma voz que nos agrada, curvas nos lugares certos, covinhas, sardas, mãos delicadas ou fortes, a lista não tem fim, cada qual tem seu ponto fraco em relação ao sexo oposto. Corpos, e que mal há nisso? Nenhum, se queremos ficar no campo da superficialidade. O bonito é sempre agradável, entra em harmonia com tudo, atenua as agruras e injustiças do dia-a-dia. Basta olharmos praquele par de olhos claros que esquecemos do dia estafante, das brigas no trabalho, da discussão no trânsito, da vida. Quando a beleza é desprovida de compatibilidade de espírito, melhor. Pra que tanta perfeição? Ficamos melhor sem a intimidação duma mente espirituosa, inteligente. Fica mais fácil a convivência porque sabemos que, na eventualidade dum desapontamento que dê fim à relação, sempre haverão outros rostos, outras covinhas, outro par de pernas à esquina mais próxima.
Há outro tipo de paixão, aquela oposta à situação anterior. Um invólucro aparentemente não tão bonito mas um interior reluzente. Aquela pessoa por quem vamos nos envolvendo aos poucos e, quando nos pegamos, estamos presos numa ardilosa teia construída em meio a conversas agradáveis e bom-humor interminável. Essa vem mais tranqüila, pacífica, com um caminhar suave que, se bem conduzido, nos leva perto, muito perto, da linha que separa paixão de amor, chegando a transpô-la muitas vezes.
Há um terceiro tipo, o mais perigoso e letal: apaixonar-se por pessoas especiais. Estamos tranqüilos em nossa linha circular de amores previsíveis e paixões de verão quando desaba a tempestade. Assim de súbito, sem avisar, sem batida na porta, telegrama ou sinal de fumaça. O palpite, o sexto sentido, que nunca se engana. Sabemos que não será como das outras paixões, logo substituídas por outra mais aprazível aos olhos. Pessoas especiais deixam cicatrizes, não importa se elas continuarão ou irão desvanecer com a neblina do outono. Num piscar de olhos nos pegamos bolando estratagemas pra fazer com que, dessa vez, - pelo menos dessa - essas pessoas permaneçam. Assombramos-nos com a identificação, com os invólucros, com a cumplicidade involuntária, com a presença que elas marcam, mesmo sem palavras. Apaixonar-se por pessoas especiais é o teste derradeiro do amor-próprio.Você torce desesperadamente, como numa final de campeonato do seu time, pra não se deixar envolver, porque sabe onde tudo irá acabar. Lembra dos sonhos, das expectativas, das lendas urbanas que criou na mente e temia existirem. E sabe, como ninguém, que a oração é inútil. Pensa em quão bobo foi ao apaixonar-se por pessoas tão desinteressantes, tão diferentes da atual.
A agonia fica rondando, cerceando a rotina, lembrando, num toque de crueldade, que outra pessoa assim tardará, e muito, a surgir. Procuramos o kit de sobrevivência, o manual de instruções pra lidar com paixões avassaladoras e tudo que encontramos se resume no espelho, refletindo que essas pessoas também têm o dom da adivinhação, perceberão qualquer tentativa nossa de mudança em direção a algo que não nos era inato. E entendemos, ao final, que elas se aproximaram de nós justamente por sermos daquela maneira exata, e a insegurança de não nos acharmos à altura delas enfraquece o alicerce. Então vem a constatação: se queremos o pacote completo da outra pessoa, bônus e opcionais incluídos, basta entregarmos o nosso, completinho, pra que ela o abra e desfrute à sua própria maneira. Se essa paixão irá transformar-se em amor? Não interessa, estamos ocupados demais aproveitando o momento presente. Pra que pensar no futuro quando o presente soa como uma voz sussurrando ao ouvido nossa canção preferida? Estamos apaixonados por pessoas especiais, o mundo que espere.


It Might Be You
Stephen Bishop

Time...
I've been passing time watching trains go by
All of my life...
Lying on the sand, watching seabirds fly
Wishing there would be
Someone waiting home for me...

Something's telling me it might be you
It's telling me it might be you...

All of my life...
Looking back as lovers go walking past...
All of my life
Wondering how they met and what makes it last
If I found the place
Would I recognize the face?

Something's telling me it might be you
Yeah, it's telling me it might be you

So many quiet walks to take
So many dreams to wake
And we've so much love to make
I think we're gonna need some time
Maybe all we need is time...
And it's telling me it might be you
All of my life...

I've been saving love songs and lullabies
And there's so much more
No one's ever heard before...

Something's telling me it might be you
Yeah, it's telling me it must be you
And I'm feeling it'll just be you
All of my life...

It's you,It's you...
I've been waiting for all of my life...
Maybe it's you,Maybe it's you...
I've been waiting for all of my life...

Deve ser você

Tempo...
Tenho passado o tempo observando os trens passarem
Toda minha vida
Prostrado na areia, olhando os pássaros marinhos voarem
Esperando que houvesse
Alguém esperando por mim em casa...

Algo está me dizendo que deve ser você,
Está me dizendo que deve ser você...

Toda minha vida
Olhando pra trás enquanto os casais vão passando,
Toda minha vida
Pensando em como eles se encontraram e no que faz o amor durar.
Se eu encontrasse o lugar
Será que reconheceria a face?

Algo está me dizendo que deve ser você
Sim,está me dizendo que deve ser você

Tantos caminhos silenciosos a tomar,
Tantos sonhos pra acordar,
E temos tanto amor pra dar.
Acho que iremos precisar de tempo,
Talvez tudo que precisemos seja tempo...
E está me dizendo que deve ser você
Por toda minha vida...

Tenho colecionado canções de amor e de ninar
E há muito mais
Que alguém jamais tenha escutado

Algo está me dizendo que deve ser você
Sim,está me dizendo que tem que ser você
E estou sentindo que será apenas você
Por toda minha vida...

É você, é você...
Por quem tenho esperado toda minha vida...
Talvez seja você, talvez seja você
Por quem tenho esperado toda minha vida...
Por Ed as 5:00 AM





Clique aqui e dê também sua opinião:
11/3/2004
(ao som de "Acontece", por Caetano Veloso)

O assunto de hoje me ocorreu devido às eleições do final de semana, vendo declarações de alguns políticos inconformados com as derrotas que tiveram, criando uma teia de conspiração pra explicar uma coisa simples: foram preteridos em benefício de outra pessoa, e, por mais injusto que pareça, não há o que fazer a não ser aceitar a derrota e seguir em frente. No amor não acontece de maneira semelhante quando somos trocados por outra pessoa? Acredito que sim. A música é uma antiga do Cartola que trata exatamente disso, uma pessoa dizendo a outra de maneira crua e insípida que deixou de amá-la. Quantos de nós sabemos perder no Amor? Carpe Diem.


Sabendo perder (A dignidade que nos une)

"Você me deu o primeiro vislumbre de uma vida verdadeira. Depois me pediu pra continuar com a falsa." (Resposta de Daniel Day-Lewis a Michelle Pfeiffer, depois de levar um fora dela, em "A Época da Inocência")

Incrível como em determinadas situações o amor se assemelha a outros aspectos da nossa vida cotidiana. O esporte ou a política, por exemplo. O fato existe: nós não sabemos lidar com a derrota num relacionamento amoroso. Não há como fugir à metáfora. Uma eleição praticamente ganha de repente gera uma reviravolta assombrosa, um campeonato em que nosso time liderava com folgas acaba perdido graças a um gol impedido nos acréscimos. Um relacionamento amoroso que se vislumbrava o derradeiro acaba, sem direito à apelação, quando um dos dois decide tomar uma rota oposta ao caminho previamente combinado.
O pior acontece quando fica aquele sentimento de injustiça na pessoa abandonada. Quando um homem é trocado por um marombado de academia, ou uma mulher acaba preterida por um par de seios siliconados. O sentimento de impotência soma-se ao da raiva, do desprezo, do inconformismo pela escolha da pessoa que parte. Sim, perdemos, mas não nos conformamos. Aí cometemos o erro, o de perder pela segunda vez. Perdemos nosso senso de dignidade, nosso amor-próprio, ficamos tentando reaver, pela insistência, algo que a lógica nunca explicaria. E, já que não explica, como incutir o senso de justiça no coração de uma pessoa apaixonada? O amor nunca é plausível. Fomos trocados por uma pessoa que, a nossos olhos, nunca deveria se relacionar com aquela que nos deixou, mas a escolha não foi nossa. Não há como colocar o outro numa câmara de torturas e tentar forçá-lo a ter a nossa visão do assunto. Muitas vezes a pessoa sabe o que está deixando pra trás, sabe da incerteza do relacionamento futuro, mas ela decidiu correr os riscos, pagar o preço. E, se há ainda uma pequena possibilidade de reconsideração, a falta de dignidade no instante da perda acaba se tornando o sopro a matar de vez as cinzas que ainda restavam.
Na dor, o comportamento a seguir não foge dos clichês habituais, sempre ligados a sofrer em silêncio e não criar rótulos encapsulando todo o sexo oposto apenas porque um de seus representantes não agiu com a sensatez que deveria. Lembrar que nós, também, estamos suscetíveis a esse tipo de erro, lembrar das tentações que já nos apareceram enquanto estávamos envolvidos num relacionamento - e não há quem não tenha passado por elas. Nós sobrevivemos, é verdade, mas quem garante que não foi mais pela fraqueza delas que por nossas forças e convicções interiores?
A elegância também pertence ao amor, a oportunidade clara de demonstrá-la vem das horas solitárias de um coração abandonado. Por fora a carapaça do desprendimento, do "a vida segue, fazer o que?", "a fila anda". Por dentro os cacos espalhados, a melancolia inquieta, a paisagem da alma mostrando,onde deveriam estar flores, apenas folhas despencando no fim de outono cadenciadas pela voz pela Tori Amos cantando Abbey Road. Nenhum arrepio, apenas a vontade de partir, não importa o destino. O corpo acaba cansando da prostração e reclama, o coração aos poucos responde e a paisagem vai se moldando um pouco àquela que tentamos mostrar a quem está ao redor, a imagem de fora vai espelhando a de dentro, e em alguns dias, meses ou até anos, descobrimos um novo campeonato a disputar, uma nova eleição, uma outra pessoa em quem depositar nossos anseios de uma vida tranqüila e pacificada pela serenidade dum amor retribuído. Não importa se dessa vez triunfaremos, importa é que, enfim, acreditamos que vale a pena a entrega total na disputa pela felicidade pessoal.
Não há manuais de táticas ensinando a conviver com as derrotas no amor, mas, se houvessem, todos passariam pelo capítulo do amor-próprio e do conformismo. Dificilmente percebemos os sinais de que nos enviam, e quer saber? Ficar remoendo procurando pelo ponto onde a engrenagem se desarrumou não traz utilidade alguma; apenas tristeza, rancor e arrependimento pelo que se deixou de fazer. Fica a dignidade, nossa companheira eterna, escondidinha nos escombros da esperança, que se fecha em sua caixa dourada por nossa tristeza. Ficam nossas convicções interiores, que essas nunca nos abandonam. As mesmas convicções que fazem brotar um sorriso de canto de boca ao cochichar colada aos ouvidos do amor-próprio que aquela pessoa por quem fomos trocados logo se mostrará passageira aos olhos do outro, que até a beleza entedia quando não tem reciprocidade interior. Uma pintinha no rosto, um par de seios, um bíceps definido podem ser importantes aos olhos alheios; mas bom-humor, inteligência, cumplicidade, isso é inato, não se consegue numa academia ou cirurgia plástica. Ficamos melhores sem essas pessoas porque, na prática, elas perderam mais que nós, e até isso enfurece e corrói por dentro. Querer a felicidade do outro, mesmo que essa felicidade aconteça em nossa ausência, entra justamente aí. Com o tempo vem o desprendimento, o desapego dos sentimentos negativos, e, num certo dia, ao cruzar com aquela pessoa nalgum recôncavo, poderemos abrir um sorriso espontâneo ao perceber que ela está feliz na companhia de outra. E esse palpite nos reconforta, por mais que qualquer resquício mal-resolvido venha insurgir-se depois. Mas isso é coisa de gente madura, equilibrada, em harmonia com o mundo de fora, bem diferente de nós, pobres mortais sorumbáticos roendo as unhas da ira porque fomos trocados por outra pessoa. Sim, a gente nunca aprende a perder no amor, mas também nunca aprende a fazer as escolhas mais sensatas. Até porque, quando finalmente aprendemos a escolher, a vitória é garantida, o jogo perde a graça.


Acontece
(Cartola)

Esquece nosso amor, vê se esquece.
Porque tudo na vida acontece
E acontece que eu já não sei mais amar.
Vai sofrer, vai chorar,
E você não merece,
Mas isso acontece.

Acontece que meu coração ficou frio
E o nosso ninho de amor está vazio.
Se eu ainda pudesse fingir que te amo,
Ah, se eu pudesse...
Mas não posso, não devo fazê-lo,
Isso não acontece.
Por Ed as 3:18 AM






Textos pra discutir e tentar entender um pouco o mais complexo dos sentimentos...


Gostou dos textos? Compre o livro aqui

Flores na Janela


*** Humor ***

Meu humor atual - i*Eu!


*** Álbum de Fotos***

Pessoais

Viagens

Amigos


*** E-mail ***

Clique Aqui


Também escrevia aqui (sites desativados)

Página Pessoal

Consultório Sentimental

Todo-Poderoso Timão


*** ICQ ***


UIN 4752394