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8/21/2004
(ao som de I¿ll be seeing you, by Billie Holiday)
Esse post é especial porque aproveito pra compartilhar com vocês um projeto que tenho e que ainda está engatinhando. Desde antes de ¿Flores na Janela¿ penso em escrever um romance de guerra, então quando o livro começou a ser editado resolvi dar cabo a esse outro projeto. Será um romance ambientado na Segunda Guerra Mundial, entre um brasileiro e uma italiana, tendo os arredores de Montese como pano de fundo. Nos últimos 20 dias andei fazendo muita pesquisa sobre o assunto. A próxima fase será começar com as aulas de italiano e contatar e entrevistar parentes de pessoas que estiveram lutando na Itália. A última, se a situação financeira permitir, será ir à própria Itália, mais especificamente nas regiões em que pretendo ambientar o romance, e finalizar o livro lá. A idéia é terminar de escrever até o final do ano que vem. Sou muito detalhista com textos em prosa, ainda mais um livro, e não quero escrever sobre lugares, culturas, cheiros, gostos, objetos, pessoas que não conheço. Muita pretensão, sem dúvida, mas eu me surpreendi com o apoio que recebi das poucas pessoas a quem contei desses planos, em especial da minha família. Nos últimos dois anos andei lendo muitos romances nesse estilo, que é o meu preferido, e acho que, se não conseguir vender o livro a alguma editora, ao menos os parentes terão material de leitura e a oportunidade de dizer aos filhos as frases do tipo ¿Olha, você sabia que na nossa família já teve maluco de tudo quanto é tipo, até gente metida e escrever?¿
O texto abaixo fará parte do livro. Trata-se de um trecho de uma carta que o protagonista (que ainda não tem nome) escreve a Cafira (quem me conhece sabe o porquê desse nome), sua amada que conheceu ao chegar à Itália.. Nesse momento específico eles se encontram separados e ele resolve escrever a ela pra falar das horas azuis. Provavelmente, o nome do livro será esse, ¿As Horas Azuis¿ talvez algum subtítulo explicativo junto). Resolvi coloca-lo aqui porque, mesmo separado do restante do livro, tem um sentido próprio assim. Todos temos nossas horas azuis. E as de vocês, o que contém?
Quanto à música, ela está ligada ao trecho do filme que coloquei antes do texto, que assisti segunda à noite no cinema, e que me encantou. É a música tema de Noah e Allie, o casal protagonista. Esse filme, aliás, vai ser motivo de outros dois textos na próxima semana, onde pretendo escrever mais a respeito dele. Daqui a pouco estou indo pra Chapada com o pessoal do APV, só volto no domingo à noite, então o blog vai ficar sem atualização até segunda, pelo menos. Desculpas antecipadas pelo tamanho exagerado do post, e , é claro, Carpe Diem a todos vocês.

I am no one special; just a common man with common thoughts. I've led a common life. There are no monuments dedicated to me and my name will soon be forgotten. But in one respect, I¿ve succeeded as gloriously as anyone who ever lived: I've loved another with all my heart and soul. And for me, that has always been enough.

¿Não sou ninguém especial, apenas um homem comum com pensamentos comuns. Tive uma vida comum. Não há monumentos dedicados a mim e meu nome logo será esquecido. Mas, a respeito de uma coisa, tive um sucesso tão glorioso quanto qualquer um que já viveu: eu amei alguém com todo meu coração e alma. E, pra mim, isso sempre foi suficiente.¿(Noah, na narração inicial de ¿Diário de uma Paixão¿)



As horas azuis

Há dias aqui em que o trabalho dispersa a consciência, outros em que o lazer me distrai. Há os serenos, tediosos. Há os dias de perigo. Esses últimos preocupam, Cafira, porque trazem medo. Medo de morrer por imprudência, um tiro perdido, um ataque aéreo mal calculado. Morrer sem um adeus, uma carta derradeira, uma chance duma última palavra àqueles a quem tenho apreço. Medo de simplesmente morrer. O conforto vem dos meus poucos instantes solitários de cada dia, que pretensiosamente chamo de horas azuis. Quero, nessa carta, escrever-te dessas horas, pra que talvez entendas, um pouco, o significado que tua ausência produziu em mim nesses últimos meses.
As horas são azuis mas também podem ser magentas, verdes, marrons. São horas que também podem ser minutos, segundos, anos, a eternidade. Perduram, porque mesmo que instantâneas não tardam a voltar. Tristes ou alegres, mas sempre nostálgicas. Elas nunca julgam, só acalmam. Permanecem, apenas. Minhas horas azuis não pedem licença pra chegar nem pra ir embora. Tive muitas. Desde que te conheci, então, ao menos duzentas delas. Elas me acompanham pela vida, do instante em que começamos a questionar nosso papel como humanos até o derradeiro do desapego, do mergulho no desconhecido. Também tens horas azuis, meu bem, como qualquer um. Nas suas talvez venha a imagem duma paixão antiga que o tempo não tratou de cicatrizar, uma lembrança de encruzilhada onde você teve a nítida sensação, anos depois, de ter tomado o caminho errado. Fernando, meu amigo brasileiro, carregava uma foto dentro da mente da antiga namorada que o trocou por outro. Casou, alguns anos depois, com uma moça honrada que lhe deu filhos, atenção e um amor perdulário que nunca imaginara encontrar. À sua esposa Joana deu atenção, uma vida dedicada a tentar retribuir tudo que lhe fora entregue sem merecimento. Joana tinha a entrega, a renúncia de um corpo presente. Mas as horas azuis dele, secretas e solitárias, essas sempre pertenceram à outra mulher, de quem nunca mais soube notícias.
Ontem tive uma das horas azuis. Deitado ao fim do dia, cansado de tiros e granadas que me povoam a rotina, de repente lembrei-me que não precisava, naquele exato momento, fingir. Não precisava ser forte, corajoso, seguir as regras e missões que me foram atribuídas. Eu me bastava. Ao lavar o rosto fazendo a barba, encarei no espelho o reflexo do que restou de mim despido das máscaras. Mudei de posição, já que a lua cheia clareava a visão do outro lado da janela, e continuei a me barbear olhando as estrelas lá fora, pensativo. Então as horas azuis vieram, charmosas como sempre, e me perdi nesses devaneios da alma. O pequeno corte involuntário que a navalha fez em meu rosto depois, fazendo escorrer um filete de sangue, trouxe de volta o pensamento a Montese, à Itália, à hora real, aquela em que estou sem você. Sangue. Engraçado como ele marca os instantes gloriosos e sombrios dessa guerra dos homens e da minha própria luta interior. De um lado a presença real, a noção de que terei que retornar. Do outro a utopia, a loucura, o coração querendo criar raízes numa terra que me é estranha. Entre ambos, a necessidade de te esquecer. Quisera fosse essa minha guerra tão previsível como a outra, a que acontece lá fora nos arredores de Montese, que essa agoniza.esperando o armistício. A minha não tem fim tampouco períodos de trégua, a consciência não deixa. Consciência que sopra ao ouvido o que devo fazer e que o coração e a coragem não permitem.Como vês, minha cara, estou como aquele que tenta acertar o enigma da esfinge, esperando pela clarividência que norteie meu destino pra que possa ouvir a sentença. Mas eu tratava das horas azuis, e elas não combinam com nada disso.
Acredito que a idéia particular que os homens têm de felicidade não está ligada à satisfação pessoal, riqueza ou conhecimento. Felicidade vem das horas azuis, que são as únicas verdadeiras que temos. Felicidade que espera é utopia, não pode ser chamada de felicidade. Já povoaram as minhas diversos espectros de amores passageiros, uns poucos platônicos. Música e poesia também, mas eles sempre remetem aos amores, então tornam-se acessórios, não propulsores. Tive horas azuis de amizades antigas que há muito não vejo, de pessoas da família a quem deveria ter dedicado mais atenção e agora a distância, o tempo ou a morte não permitem o reparo. Horas azuis do trabalho, daqueles momentos em que senti-me realizado como profissional, a noção exata de ter dado o máximo naquela tarefa e o resultado ter aparecido como conseqüência natural do esforço. Ultimamente minhas horas azuis formam um feixe difuso que ora se assemelha a um arco-íris, onde posso ver claramente o pote dourado com minha redenção ao final, outras como túnel, opaco, sem luz nem saída, só mágoa e tristeza ao redor. Minhas horas azuis formam castelos apontando o fim de cada trilha que ouso adentrar. Sinto que estou na linha divisória onde sou obrigado a escolher, dentre todas essas trilhas, apenas uma, sem volta; a que ditará meu futuro. O castelo de uma contém a liberdade, o de outra encarcera rancor e uma vida de sofrimento. O que se encontra ao fim da próxima trilha traz espanto, o que fica à esquerda tem agonia, seu vizinho abriga a inconseqüência. Todas as emoções e estados da alma estão representados nesses castelos que se espalham por cada trilha. E em todos, todos esses castelos, Cafira, você está presente.
Por Ed as 4:29 AM





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8/16/2004
(ao som de "Somebody to love", live by Queen)
A demora dessa vez em atualizar vem do fato de ter começado a fazer meu Projeto de Negócios pra pós, o que tem me tomado muito tempo. Essa semana, entretanto, vai ser bem tranqüila, então quero aproveitar pra atualizar o blog pelo menos mais umas duas vezes até sexta. Gosto muito de romances e comédias românticas, essa semana quero aproveitar pra assistir nalguma sessão noturna dois filmes que estrearam aqui na minha cidade, o que acho que vai acabar rendendo mais alguns textos. E já que o assunto é cinema, o texto de hoje veio em decorrência do diálogo abaixo que me foi enviado pela Carla. Acabei assistindo ao filme, depois de ler, uma comédia romântica bem interessante. A Carla disse que me enviou esse trecho porque Alex usa os mesmos argumentos que eu costumo usar pra justificar o fato de estar sozinho. O duro é que ela está certa. O texto, então, veio a partir desse trecho, onde tento justificar essa opção de só me relacionar com pessoas que fazem diferença. Chega uma hora em que a gente cansa mesmo dos amores de final de semana, daquelas pessoas que nos relacionamos já sabendo que logo não estarão mais ao lado delas. Há a outra opção, a de esperar por aquelas que fazem diferença, tão raras, e corremos o risco de nunca pegarmos o coelho, como a analogia do Alex. Só que a esperança e a vontade dos cachorros da corrida é maior que tudo, porque sabem que o prêmio vale a pena. A música, bom...difícil encontrar outra que se relacione mais ao assunto que essa do Queen.. Boa semana a todos e Carpe Diem.

- Comecei a escrever histórias para expressar meus sentimentos. Era mais fácil fazer um personagem dizer as coisas do que eu mesmo. O bom de escrever é que as coisas funcionam como nunca acontecem na vida real.
- Você já foi casado?
- Na vida real? Não.
- Deixe-me adivinhar. Não conheceu a mulher certa.
- Exatamente. E já sei o que você vai dizer: "Precisa ser o homem certo para conhecer a mulher certa!" Mas, no meu íntimo, sei que sou o homem certo e que a mulher perfeita está em algum lugar. Uma pessoa inteligente, engraçada e bonita. E aqui a parte difícil: interessada em mim. Sei que está em algum lugar, só não consigo... Eu me sinto numa pista de corrida de cães correndo atrás do coelho mecânico,sabe? Chego bem pertinho mas jamais consigo pegá-lo.
- Eles nunca conseguem.
- Eu sei.
- Talvez você não queira pegar.

(diálogo entre o escritor Alex e sua assistente Emma no filme "Alex & Emma")



Escolhas (ou a hora que cansa)

Chega uma hora que cansa. Aquele entra-e-sai dos amores em sua rotina vira linha circular,sempre as mesmas decepções e falta de perspectivas.Você cansa do efêmero, do vazio, do que não acrescenta. Cansa mesmo antes que aconteça, porque, como profeta, vislumbra o futuro depois de alguns instantes ao lado da pessoa. As conversas vazias cansam, o vácuo de sentimentos cansa, a falta de perspectiva cansa mais ainda. Você resolve querer mais, e que o coração se desvencilhe dos amores comuns.
Você não quer só matar a carência abatida daquela pessoa que conheceu na balada, quer aconchego. Não abraços, carícias, beijos, sexo casual e na semana seguinte restar apenas um nome na agenda do celular.Você quer limpar essa agenda.Quer a palavra certa na hora que precisa, a mão no ombro depois do cansaço, quer o silêncio cúmplice que apenas escuta. Não uma pessoa que te entregue chavões amorosos decorados e falsos; quer alguém pra desabafar, pra contar dos problemas, da briga de trânsito, da inveja do colega de trabalho,da roupa suja jogada no chão. Não só o prazer e o suspiro exaurido após o sexo selvagem da sexta, mas a ternura do abraço, as mãos entrelaçadas, o corpo junto como se um fosse não só até a hora seguinte ou manhã seguinte, mas pela eternidade do amor conquistado. Não quer ser mais um na fila tampouco que ela ande, quer por fim à sua. Cansou dos contratos de aluguel do coração, sempre rescindidos antes do prazo expirar.Agora quer entregar o imóvel, venda casada com as imperfeições do caráter e a mobília da alma . Quer um lar definitivo, não companheiros adotivos sazonais.
O dia da descoberta quebra paradigmas que o coração por tempos carregava, tudo sucumbe à constatação fatal: "Eu quero pessoas que façam diferença em minha vida, pessoas que me deixem fazer a diferença na delas." A visão do horizonte então embaça a esperança porque você sabe que pessoas assim demoram a aparecer, e a tentação dos amores banais aumenta à mesma proporção do crescimento da solidão. Não aquela solidão da falta de amores físicos,de corpos presentes, que eles eventualmente aparecem. Mas a outra, pior, a que cresce como úlcera por dentro mesmo em meio a diversas pessoas próximas. A que machuca, que expurga, que faz adoecer.
Há um dia em que você decide só entregar a jóia interior do coração a pessoas especiais, e não mais distribuí-la em pequenas quantidades nas paixões de final de semana. Enquanto isso o pó acumula, a neve cai, a folhagem desbota. Mas a decisão já foi tomada, e você vai pagar o preço.Sabe que a entrega a alguém especial traz a recompensa, o alívio de espírito que chega sussurrando que aquela pessoa, talvez, permaneça. E você vai fazer de tudo, mas tudo mesmo, pra, dessa vez, não errar.

Somebody To Love
Queen

Can anybody find me somebody to love?
Each morning I get up I die a little
Can barely stand on my feet
Take a look in the mirror and cry
Lord what you're doing to me
I have spent all my years in believing you
But I just can't get no relief, Lord!
Somebody, somebody
Can anybody find me somebody to love?

I work hard every day of my life
I work till I ache my bones
At the end of the day,I take home
my hard earned pay all on my own -
I get down on my knees and I start to pray
Till the tears run down from my eyes
Lord - somebody - somebody
Can anybody find me - somebody to love?

Everyday - I try and I try and I try -
But everybody wants to put me down
They say I'm goin' crazy
They say I got a lot of water in my brain
Got no common sense
I got nobody left to believe

Oh Lord
Somebody - somebody
Can anybody find me somebody to love?

Got no feel, I got no rhythm
I just keep losing my beat
I'm ok, I'm alright
Ain't gonna face no defeat
I just gotta get out of this prison cell
Someday I'm gonna be free, Lord!

Find me somebody to love
Find me somebody to love
Can anybody find me somebody to love?

Alguém pra amar

Será que ninguém pode me arrumar alguém pra amar?
Toda manhã eu me levanto e morro um pouco
Mal consigo me apoiar nos pés
Dou uma olhada no espelho e reclamo
"Deus o que você está fazendo comigo?
Passei todos os meus anos acreditando em você
E não consigo encontrar alívio,Deus!"
Alguém, alguém,
Será que ninguém pode me arrumar alguém pra amar?

Eu dou duro no trabalho todos os dias da minha vida,
Trabalho até os ossos doerem.
Ao final do dia,levo pra casa sozinho
Meu salário ganho tão duramente -
Caio de joelhos e começo a rezar
Até que as lágrimas comecem a cair dos meus olhos.
Deus, alguém - alguém,
Será que ninguém pode me arrumar alguém pra amar?

Todo dia - eu tento, tento e tento
Mas todos querem me deixar pra baixo
Dizem que estou enlouquecendo
Dizem que tenho muita água no cérebro
Que nao tenho senso comum
Não tenho mais ninguém em quem acreditar

Oh Deus, alguém - alguém,
Será que ninguém pode me arrumar alguém pra amar?

Não tenho palpite, não tenho ritmo,
Eu só continuo perdendo meu compasso
Eu estou ok, eu estou bem
Não vou sofrer nenhuma derrota
Eu só tenho que sair dessa cela de prisão
Um dia serei livre, Deus!

Me encontrem alguém pra amar
Me encontrem alguém pra amar
Será que ninguém pode me arrumar alguém pra amar?
Por Ed as 8:45 AM





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8/5/2004
(ao som de "Don't let me be lonely tonight", live by James Taylor)

Hoje deveria estar embarcando pra Curitiba pra passar alguns dias e resolver algumas coisas lá, além de visitar os amigos, mas a correria anda tão grande que havia confundido a data da minha pós, e tive que adiar os planos. Como minhas provas e aulas acontecem nesse final de semana, provavelmente o blog só vai ser atualizado novamente domingo ou segunda. Aproveitei pra adicionar mais dois links no menu da direita. O do fotolog da Priscilla, minha companheira de combat e pump da academia, e o blog da Frannie, que me enviou um mail muito carinhoso e que me encantou com o blog dela, onde coloca poemas e textos retirados de outros blogs, além de pensamentos pessoais. Aproveito pra agradecer publicamente à Carla, a pessoa que mais tem me ajudado com o livro. Essa semana ela me enviou diversos modelos de marca-página que fez pra mim, além de alguns bannerzitos, como ela mesma escreveu. Vou aproveitar pra ir colocando alguns aqui, já que o dia, finalmente, ta chegando.
A letra de música está relacionada ao texto, que trata do ficar por ficar. E que atire a primeira pedra quem nunca teve uma recaída e nela a vontade de pedir a alguém que ficasse, ao menos, por aquela noite. Carpe Diem!

O perigo dos amores de fim-de-semana

O direito ao "ficar por ficar" ou "amor de fim-de-semana" sempre foi defendido por muitos como um paliativo, um descanso pra recuperar as energias antes de encarar uma paixão verdadeira. Sem cobranças nem expectativas, a oferta tentadora se aproxima à medida que nossa carência vai aumentando, e a combustão está feita. Mas porque diabos nos entregamos a esses amores de fim-de-semana?
Normalmente, em 5 minutos de conversa percebemos se uma determinada pessoa vale ou não a pena. Mesmo assim, muitas vezes, nos deixamos envolver - e até tomamos a iniciativa - por essas pessoas, entrando naquele relacionamento com prazo de validade já quase expirando. A desculpa habitual, e única plausível, é a de que enxergamos potencial na outra pessoa, apesar dela à primeira vista não ter causado boa impressão. Alguma frase solta que agradou, um sorriso na hora certa, um silêncio reconfortante; enfim, tínhamos um palpite que acabou não se confirmando. O problema acontece quando começamos a ter muitos palpites errados.
Há também a realidade, e seria hipocrisia fugir dela: a outra pessoa nos atraiu fisicamente, tinha um padrão que agradava aos olhos. Faz bem pra auto-estima ficar com pessoas assim, melhora a cotação no mercado, dá ibope. O Faustão também dá, Ratinho idem, e você gosta desses programas? Não adianta ter as ações em alta no mercado se não conseguimos atrair o tipo de cliente que procuramos. E, como já disse Hemingway certa vez: "Um rosto e um corpo bonitos são ótimos, é verdade, mas quem quer saber deles depois de 3 dias andando pela casa? É preciso mais." As pessoas se acostumam à beleza, nunca a uma mente inquieta e perspicaz. A beleza é tangível, tem formas, a surpresa dum comentário interessante fora de hora não, é incomensurável. O medo da solidão, outra desculpa. Há pessoas que se amedrontam com a possibilidade de ficarem sozinhas por alguns dias, e saem à caça duma companhia, qualquer uma. Um animal de estimação produziria efeitos semelhantes, e enquanto essa necessidade de ter alguém que cuide delas não acabar, fica difícil encarar qualquer relacionamento.
Amor de fim-de-semana é como comer em fast-food. Você engana a fome, que volta dali algumas horas. Enjoa, também. De lanchonete em lanchonete um belo dia você avista aquela pessoa amiga entrando num restaurante sofisticado e cai a ficha: porque eu também não posso? Descobre que pode, mais que isso, que merece. E, depois que penetra no pernicioso mundo dos restaurantes sofisticados, quem vai querer saber dos sanduíches meia-boca de antes?
Ao fazer dessas paixões constantes na rotina, temos que voltar o pensamento a uma nova perspectiva, a de que talvez o problema esteja conosco. Ao invés de maldizer o destino e a falta de sorte em somente atrair pessoas desinteressantes e passageiras, tentar mudar o painel de vida. Os lugares, as amizades, os hábitos,o ânimo. Mudar a perspectiva significa incutir aquela centelha dentro do coração que nos dá choques toda vez que o pessimismo dá as caras, fazendo com que corramos ao outro canto, ao da esperança, do amor-próprio. Admirar a própria pessoa e gostar da companhia de si mesmo parecem chavões de livros de auto-ajuda, mas não há como escapar deles. Pessoas interessantes aparecem no instante em que nossa alma se ilumina com a descoberta do quanto somos especiais, e essa luz fica estampada e irradiando energia a quem se aproxima. A mesma energia que atrai e encanta pessoas especiais serve de repelente aos que não nos interessam, porque não deixamos que a oportunidade se crie. Pra que desperdiçar tempo e energia com algo fadado ao fracasso? Pior que um amor impossível e platônico é um amor com vida útil etiquetada na criação, porque os primeiros ao menos fazem sonhar, esses nem isso.
O argumento do "ficar por ficar" morre pela limitação, pela falta de opcionais que o pacote oferece. Depois de conhecer as demais possibilidades e tirar a etiqueta de promoção do corpo e da alma à chegada dum amor verdadeiro,a comparação termina. Sim, os amores também são por vezes cruéis, trazem sofrimento, dor, trauma, desespero, saudade e uma série de infortúnios. Mas trazem, ao menos, algo a partir do qual vamos formando nosso senso crítico e experiência. Mesmo a solidão nos ensina, ao contrário do amor de fim-de-semana. Até porque a segunda-feira sempre vem derrubando os sonhos e tocando o despertador da vida real. E, nessas horas, descobrimos que mesmo a dor duma desilusão é melhor que o vazio de relação nenhuma.


Don't Let Me Be Lonely Tonight
James Taylor

Do me wrong, do me right,
Tell me lies but hold me tight,
Save your goodbyes for the morning light,
But don't let me be lonely tonight.

Say goodbye and say hello,
Sure enough good to see you, but it's time to go,
Don't say yes but please don't say no,
I don't want to be lonely tonight.

Go away then, damn you,
Go on and do as you please,
You ain't gonna see me gettin' down on my knees.
I'm undecided, and your heart's been divided,
You've been turning my world upside down.

Do me wrong, do me right (right now baby),
Go on and tell me lies but hold me tight.
Save your goodbyes for the morning light (morning light),
But don't let me be lonely tonight.

I don't want to be lonely tonight.
Just don't want to be lonely tonight.
Please, don't want to be lonely tonight.

Não me deixe ficar sozinho essa noite

Me engane,me trate bem
Minta pra mim mas me abrace forte,
Guarde seu adeus pro amanhecer,
Mas não me deixe ficar sozinho essa noite.

Diga adeus e diga alo,
Certo que é bom ver você, mas é hora de ir
Não diga "sim", mas por favor não diga "não",
Eu não quero ficar sozinho essa noite.

Vá embora depois, dane-se,
Vá e faça como quiser,
Você não me verá caindo de joelhos.
Estou indeciso, e seu coração tem andado dividido,
Você tem virado meu mundo de cabeça pra baixo.

Me engane,me trate bem (bem agora, baby),
Vá em frente e minta pra mim mas me abrace forte.
Guarde seu adeus pro amanhecer(amanhecer),
Mas não me deixe ficar sozinho essa noite.

Eu não quero ficar sozinho,
Só não me deixe ficar sozinho,
Por favor, não me deixe ficar sozinho essa noite.
Por Ed as 5:57 AM






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