O texto de hoje foi um pedido antigo da Ciça. Só agora resolvi postar, embora confesso que não tenha gostado muito do que escrevi. Não sei se por sorte ou azar nunca aconteceu comigo (trair ou ser traído),se ocorreu foi tão bem feito que nunca sequer desconfiei, e tenho dificuldade em escrever sobre algo que não vivenciei. Tenho, entretanto, pessoas muito próximas que já sofreram bastante por causa desse elo de confiança que foi quebrado, e sei como foi difícil para elas reconstruir a vida depois. Difícil também é escrever um texto contra a traição que não soe moralista, mas eu decidi pagar o preço. A música é um dos ¿hinos¿ do tema, não precisa de apresentações.
De qualquer maneira, ele não vai ficar muito tempo aqui, hoje à noite quero assistir ¿A paixão de Cristo¿ no cinema e tenho a sensação de que vou acabar escrevendo depois algo sobre o filme, porque todas as pessoas conhecidas que assistiram tiveram uma opinião controversa a respeito. Carpe Diem.
Conservando pontes
- Você está querendo ficar, né?
- Sim, muito. Por isso tenho que ir embora.
(diálogo entre os personagens de Sandra Bullock e Matthew McConaughey, um homem casado caindo em tentação, no filme ¿Tempo de Matar¿,1996) Ligamos a TV e vemos todos os dias filmes, novelas e seriados onde a traição é tratada como algo tão normal quanto ir ao cinema ou gostar de determinado tipo de música. Não é mostrada de maneira negativa, mas sim como remédio a muitas situações. A novela mostra (quase sempre) a pessoa numa relação com problemas e a paixão por uma outra pessoa surge como varinha de condão pra tudo: ao trair, resolve todos os problemas que a atormentavam. Ela tem motivos de sobra, criou-se a justificativa.
Se desavenças e problemas conjugais são razões pra trair, todas as pessoas envolvidas num relacionamento amoroso sério encontrarão motivos todos os meses. A traição é controversa até no significado, cada um tem sua forma peculiar de defini-la. Pra maioria ela ocorre quando há um envolvimento físico e emocional da pessoa amada com outra. Para uns, só o fato de se olhar em direção à mesa ao lado no restaurante já configura traição. Há também aquela consentida, passiva, em que a pessoa (geralmente a mulher) não se incomoda se o outro procurar sexo pago. ¿Não há envolvimento emocional¿, costuma ser a justificativa. Não bastasse essa confusão, a internet veio apimentar mais essa discussão nos últimos anos. Independentemente da forma como é resumida, há que se lembrar de seu significado original em latim: entrega. Entrega física, de sentimentos ou ambos, envolve sempre um fato comum: o fim da confiança.
As estatísticas, é verdade, depõem contra. Encontramos pela vida poucas pessoas fiéis, algumas simplesmente porque nunca tiveram a oportunidade de trair. Isso assusta. Nas conversas com os amigos escutamos as histórias das escapadas deles (e delas também) e nos pegamos rindo e de certa forma concordando com essas atitudes. O susto e a decepção vêm daí: trair já se tornou um comportamento culturalmente aceito pela sociedade.
A pessoa que ama, a que está envolvida de maneira integral num relacionamento, essa não tem o direito de trair. O problema em trair está mais no que fazemos a nós mesmos que na mágoa que criamos a alguém. Ficamos como aquele atleta que se dopa pra vencer a competição. Além do risco de ser descoberto, no íntimo ele sabe que seu triunfo não é real. A frustração acaba com o ego, destrói o poder de persuasão e cobrança. Ele sabe que falhou, e aquilo vai ficar incomodando porque traz a descrença no próprio amor. A palavra compromisso perdeu o sentido a partir daquele momento, e, quando ela se esvai, não sobra muito que reconstruir depois.
Uma das questões acerca da traição que pouco foi explorada é o ¿deixar a oportunidade aparecer¿. O problema principal em trair não está no ato em si de ceder à tentação, mas um pouco antes disso: deixar que a oportunidade se crie. A tentação, em determinados momentos, chega à beira do irresistível, quase cruzando suas portas. Mas porque temos que deixar chegar até aquele ponto? A pessoa fiel e consciente de seu amor sempre tem uma estratégia infalível contra a traição: ela não deixa que ela chegue no insustentável, no momento ideal, onde ceder se torna quase uma obrigação. Não demonstra sinais de uma possível carência, mata a oportunidade antes que ela se crie.
Há também aquela velha máxima ¿O que os olhos não vêem o coração não sente¿. O da outra pessoa pode não sentir mesmo, mas o seu sente. Pra sempre. Você não só traiu a outra pessoa, mas pior, traiu o amor que quer receber dela em troca. Como é que podemos exigir um amor comprometido, sincero e espontâneo de alguém se nós mesmos não fomos capazes de dar o exemplo?
A fidelidade não tem que ser vista como motivo de orgulho tampouco, é pré-requisito no amor. Fidelidade é, sob certo aspecto, um estado de espírito. A pessoa ama e portanto expõe seu interior à outra pessoa, e a fidelidade se encaixa nesse processo naturalmente. Fidelidade difere de não admirar ou desejar outra pessoa além daquela com quem nos relacionamos. Admirar faz parte do comportamento humano, a pessoa que quiser privar outra disso acaba por enlouquecer. Não há mal algum em olhar a pessoa bonita que passa na rua, elogiar os atributos das celebridades do cinema ou da colega de trabalho,fazer um poema ou música à musa virtual.
Quando há aquela gostosa segurança dum relacionamento maduro, a liberdade vem como conseqüência natural porque ambos sabem que, não importa o que as atitudes aparentem, a confiança vai sempre estar lá nos alicerces da ponte. Não, a ponte não é o amor, que essa nunca tem bases sólidas e está sempre com a plaquinha de ¿em obras¿. A ponte é a própria consciência; e não sobra muito a se reconstruir depois que desaba. Aquela ponte que, quando cai, deixa pra sempre os destroços espalhados pelo chão frio e úmido da alma. E quem quer saber de pontes destruídas quando há tantas outras mais confiáveis espalhadas pelas estradas em que o coração se aventura?
(ao som de "Country Feedback" - MTV unplugged, by R.E.M; e "De tanto amor", acústico por Daniela Mercury)
O texto de hoje surgiu a partir de uma conversa e uma coincidência. A conversa foi com um amigo no começo da semana, onde estávamos discutindo qual dos amores é o "melhor": aquele que vem em paz, calmo, tranqüilo, ou aquele que surge como um furacão, devastando nossos sentimentos e mudando totalmente nosso padrão de comportamento até o momento. Confesso que achava que esse último era o melhor, mas pensando bem no perigo que ele pode trazer às nossas vidas e à sociedade em geral, acabei me rendendo ao amor "dia branco", como o da música. A coincidência veio ainda essa semana, quando já estava terminando o texto (só faltava o último parágrafo) e fiquei sabendo de uma tragédia que aconteceu envolvendo uma pessoa próxima (uma amiga) justamente por isso: alguém que, por amar demais, cruzou a linha.
Coloquei um menu à direita com os sites que mais visito e os blogs dos amigos e das pessoas que sempre deixam comentários aqui. Caso tenha me esquecido de alguém, é só deixar um comentário reclamando que adiciono no mesmo dia, prometo.
Novamente escolhi duas músicas pra "acompanhar" o texto. A primeira eu ouvi numa versão acústica da Daniela Mercury e achei que fosse antiga, de alguém da época do Cartola, me surpreendi ao ver que a letra original era do Roberto Carlos. A outra letra de música é do REM, meu grupo favorito desde o começo dos anos 80, e trata de um amor desse tipo: que devasta aquele que fica sozinho, ao final. É a música preferida do Michael Stipe, ele sempre costuma dizer isso nos shows antes de cantá-la. O verso final não consta da versão original, ele costuma cantar nas apresentações ao vivo, quem conhece Bob Dylan vai lembrar que faz parte da letra de "Like a Rolling Stone".
Essa semana devo assinar o contrato com a editora pra publicação do livro, assim que assinar coloco um post sobre isso. Hoje, 21 de março, Ayrton Senna estaria completando 44 anos. Vou esperar mais alguns dias, quando se completarão 10 anos da morte dele, pra postar, no meu outro blog, um texto que escrevi sobre meu maior ídolo esportivo. Carpe Diem e uma ótima semana a todos.
Quando o amor é demais
"O mundo não seria ótimo se insegurança e desespero nos fizessem mais atraentes?" (Albert Brooks no filme "Nos Bastidores da Notícia",1987)
Visões romanceadas sempre defenderam que no amor não pode existir a palavra "excesso" ou "demais". Santo Agostinho ficou famoso com a frase "Ama, e faze o que quiseres", e, ao fazer o que quiseram, muitos acabaram num processo onde a saída findou em sentimentos como dor, irracionalidade e desespero.
Amar demais significa viver com uma bomba-relógio atada ao corpo, nunca sabendo o que pode acionar o detonador. A pessoa que ama demais rasga a linha que separa o bom-senso do inaceitável, a sanidade da loucura. Pessoas que amam demais tornam-se perigosas a elas e à sociedade em geral, já que não têm o discernimento do que seus atos podem desencadear. Uma discussão mais acalorada pode gerar uma agressão verbal, depois física, e todos sabem como pode acabar. Exemplos aparecem diariamente em todos os lugares: aquele amigo que teve a vida destroçada por um amor, o diretor de jornal que matou por um amor não correspondido, o suicídio do artista famoso ao ser abandonado pela mulher. Assusta saber que acontece com pessoas comuns, amedronta mais ainda saber que pode, eventualmente, acontecer conosco. Amar demais não exige pré-requisito, não tem preconceitos de idade, instrução, sexo ou cor de pele.
A culpa, embora recaindo sobre aquele que se excedeu, na maioria das vezes é compartilhada. É fácil e cômodo culpar só aquele que comete os exageros, então pra que chegar ao mais importante, ao que ocasionou aquele desvio de comportamento? Insegurança é a palavra associada a tudo. Egoísta, a pessoa que ama demais tem na segurança um comportamento inversamente proporcional ao seu amor. Ela precisa de sinais claros de que tem seu amor correspondido, quando não os encontra força situações pra que apareçam, e ai comete o erro fatal. Quanto mais ama, quanto mais se aproxima da obsessão, menor fica sua segurança em relação ao amor da outra pessoa. Piora quando a outra pessoa não atenta ao perigo que a situação pode levar e até estimula essa paranóia dissimulada, como se o amor-próprio precisasse disso.
Os sinais de alerta sempre vêm. Uma discussão mais ríspida, uma cena de ciúme descabida, uma implicância com alguma amizade antiga, e acende-se o estopim. Aqui a velha máxima de que não podem existir máscaras nem mentiras numa relação não é pré-requisito, torna-se questão de sobrevivência. Deve-se então expor a pessoa à mudança de comportamento que ela teve, mostrar a ela que você não gosta e não apóia essa mudança. Dizer, de maneira bem clara, que ela pode te perder ao continuar assim, e mais, que não há motivo algum pra agir dessa maneira porque o amor que você sente por ela deveria confortá-la, não causar inquietação. Conversar uma, duas, diversas vezes enquanto valer a pena, e depois dar um basta. Quando as conseqüências ruins do excesso de amor estão enraizadas na pessoa na medida em que ela não consegue percebê-las, não há outra saída a não ser procurar alguém com um pouco mais de equilíbrio. Alguém que, eventualmente, até transborde de amor - que não há controle-remoto pra sentimentos - mas que não demonstre nas formas cruéis e muitas vezes insanas que destroem qualquer relacionamento.
E quando acontece conosco? Você não sabe direito como tudo começou, e quando se dá conta já está lá, no epicentro do furacão. Toda aquela conversa, os conselhos que vivia dando pros amigos sobre ficar centrado, ter o controle, não fazem agora sentido algum. Você não consegue enxergar o que se passa ao redor, o excesso de amor criou uma neblina que embaçou sua percepção e senso de julgamento. Você não se dá conta da pessoa que se tornou. Os amigos, através de sutilezas e brincadeiras, tentam inutilmente avisar. Quanto mais você se convence de que a outra pessoa é sua Alma-Gêmea, mais parece ter a certeza de que ela não pensa dessa forma. Cai junto com a segurança o amor-próprio, a confiança. Como peças de dominó vão também caindo, um a um, os predicados, as qualidades que tornaram você uma pessoa atraente e especial aos olhos dos outros.
A pessoa com um mínimo de bom senso consegue atentar que é ela a desabar, não o mundo, e então há solução. Procura ver o que a levou a se tornar tão diferente do que costumava ser, e resolve por fim à situação. Abandona, muitas vezes, um amor, pra que possa salvar outro, o que sente por ela mesma. A covardia aqui não é fuga, mas renúncia corajosa, porque liberta. Pode, no final, passar dias, meses, anos a lamentar a separação, a ausência doída. Tortura-se tentando adivinhar formas alternativas que poderia ter encontrado para manter a relação, a depressão bate à janela nas noites frias de julho, mas vai arrefecendo. O que o tempo não cura ele cicatriza. E, entre as eternas chegadas e partidas do coração, agradecemos o fato dele sempre nos trazer de volta, após algumas viagens turbulentas, ao encontro da serenidade do amor-próprio - que esse sim é o porto que nos pertence.
De tanto amor
Ah... Eu vim aqui amor
Só pra me despedir
E as últimas palavras desse nosso amor
Você vai ter que ouvir.
Me perdi de tanto amor
Ah... eu enlouqueci
Ninguém podia amar assim
E eu amei
E devo confessar
Aí foi que eu errei.
Vou te olhar mais uma vez
Na hora de dizer adeus
Vou chorar mais uma vez
Quando olhar nos olhos seus
Nos olhos seus...
Ah...saudade vai chegar
E por favor meu bem
Me deixe pelo menos
Só te ver passar
Eu nada vou dizer
Perdoa se eu chorar.
Country Feedback Berry/Buck/Mills/Stipe
This flower is scorched
This film is on
On a maddening loop.
These clothes,
These clothes don't fit us right
I'm to blame
It's all the same
It's all the same
You come to me with a bone in your hand
You come to me with your hair curled tight
You come to me with positions
You come to me with excuses
Ducked out in a row
You wear me out
You wear me out
We've been through fake-a-breakdown
Self hurt
Plastics, collections
Self help, self pain,
EST, psychics, fuck all
I was central
I had control
I lost my head
I need this
I need this
A paper weight, junk garage
Winter rain, a honey pot
Crazy, all the lovers have been tagged.
A hotline, a wanted ad
It's crazy what you could've had
It's crazy what you could've had
It's crazy what you could've had
I need this
I need this
Now once upon a time you looked so fine
You threw the bum a dime and then you cried, now, didn't you?
Go to him now, he calls you, you can't refuse
When you got nothing, you've got nothing to lose
You're invisible now, you're invisible,
You've got nothing to conceal
Repetição Campestre
Essa flor está tostada
Esse filme esta rodando
Numa irritante repetição
Essas roupas,
Essas roupas não cabem direito em nós
E a culpa é minha
É sempre assim
É sempre assim
Você vem a mim com um osso na mão
Você vem a mim com seu cabelo curto enrolado
Você vem a mim com pontos de vista
Você vem a mim com desculpas
Mergulhadas numa fila
Você acaba comigo
Você acaba comigo
Temos estado dentro de um colapso fingido
Auto-piedade
Plásticos, cobranças
Auto-ajuda, auto-aflição
EST,psicologia, dane-se tudo
Eu estava centrado
Eu tinha controle
Eu perdi a cabeça
Eu preciso disso
Eu preciso disso
Um peso de papel,ferro-velho
Chuva de inverno,um pote de mel
Loucura, todos os amantes foram etiquetados
Um 0800, um anúncio desejado
É loucura o que você poderia ter conseguido
É loucura o que você poderia ter conseguido
É loucura o que você poderia ter conseguido
Eu preciso disso
Eu preciso disso
Agora, era uma vez onde você parecia tão legal
Você jogou uma moeda ao mendigo e depois chorou, agora...não foi?
Vá até ele, ele te chama, você não pode recusar
Quando você não tem nada, você não tem nada a perder
Você está invisível agora, você está invisível
Você não tem nada a esconder.
Entrei desde sexta naquela perigosa época do ano conhecida como "inferno astral" (30 dias anteriores ao nosso aniversário); o curioso é que, ao contrário de todos os anos anteriores, até o momento ele está mais pro oposto disso. Confesso que nunca fui de acreditar muito em astrologia (apesar de ser ariano típico, principalmente nos defeitos), mas, coincidências à parte, geralmente a pior época do ano pra mim sempre foi essa. Talvez isso explique minha desconfiança com todas as coisas boas que estão acontecendo nos últimos dias: livro pronto pra ser publicado, mudança no trabalho, possibilidade de fazer uma pós fora e algumas outras surpresas interessantes. Falta o amor, é verdade, mas pra que reclamar disso quando o resto está indo tão bem?
A música, do Texas, é daquela série "músicas que não saem da nossa cabeça e não sabemos direito o porquê". Quando escutei pela primeira vez, assistindo "Simplesmente Amor" no cinema, achei que fosse dos Pretenders (a voz é muito parecida com a da Chrissie Hynde), só descobri semana passada que era desse grupo da Escócia, o Texas.Foi minha trilha nesses últimos dias de correria, dessa vez não tem relação alguma com o texto.
Sobre o texto, fazia tempo que queria escrever sobre o "problema" da segurança no amor, quando expomos nossos sentimentos à pessoa que está conosco e ela não está preparada pra isso. A carapuça pode nos servir também, é claro. A mim, pelo menos, serviu. Resolvi escrever sobre o tema depois de assistir esse final de semana a "Como perder um homem em 10 dias" , uma comédia romântica que trata um pouco disso, de como fingimos e usamos máscaras quando estamos nos relacionando com alguém. Gostei muito do filme também porque é ambientado em Staten Island (não sabia disso quando peguei na locadora), me trouxe muitas recordações da época em que morei lá. Uma ótima semana a todos e Carpe Diem...
Segurança
De todos os dualismos do amor, o que mais me encanta é aquele existente entre sinceridade x segurança. Um necessita do outro pra formar uma relação saudável, e a existência de ambos pode acabar asfixiando essa mesma relação. Ouvir um "eu te amo" sincero, daqueles expressos pela alma, não pelos lábios da outra pessoa, forma um fragmento de lembrança pra se guardar pelo resto da vida em corações maduros. Em outros, transforma-se em punhal que vai, de forma cruel, insensível e lenta, sepultando um amor que poderia mostrar-se mais que efêmero. "- Tudo estava indo tão bem entre nós, porque ela tinha que dizer que me amava?" Quem já não ouviu de um amigo ou amiga uma queixa dessas?...
A sinceridade expressa na segurança de um amor causa pânico em muitos pelo poder que outorga. Transforma-se numa espécie de atestado de livre-arbítrio, a pessoa passa a perceber que pode transgredir, magoar, cometer erros que será perdoada. Pior, sente-se cobrada, sob pressão, e reage de maneira oposta à que deveria. Ao perceber que pode não corresponder à sensação de tranqüilidade, opta pelo mais fácil: foge, covarde, em busca de outro amor menos estável. Esquece que segurança não é ouvir "Eu gostarei de você não importa o que venha a fazer", mas sim "Eu gosto de você do jeito que você é".
A acomodação surge imperceptível, muitas vezes. Passamos a não mais ter as atitudes românticas do início de relação, os pequenos gestos de carinho; entramos no perigoso jogo do cotidiano, do previsível, do garantido. "Pra que, se você sabe que ela te ama?" , fica soprando o diabinho ao nosso ouvido. Os finais de semana passam a conjugar com tédio e obrigação, os roteiros não mudam, a paisagem interior não sai do cinza. Tudo porque, em algum momento, tivemos desnuda a alma da pessoa ao lado.
"O segredo é perceber o que se passa na mente da outra pessoa", dizia Ben a Andie em "Como Perder um Homem em 10 Dias", explicando um jogo de cartas mas referindo-se, na verdade, ao amor. Ben tinha razão, mas acho que, mais importante que isso, o segredo é saber o que fazer com o que percebemos da outra pessoa. De que adianta a clarividência em relação aos sentimentos alheios se nossa imaturidade aparece na mesma proporção? Crescer no amor, então, pode ter alguma relação com expressar nosso interior de maneira clara, paciência, bom-humor e tantos outros chavões encontrados em qualquer livro de auto-ajuda. Pode, mas é mais, bem mais. Alguém só pode se considerar maduro no amor se, além de tudo isso, souber lidar com a segurança entregue pela parte interessada. Poder dizer "Eu recebo tua confiança como o maior presente que já ganhei e farei o possível pra não decepcionar o que sente por mim."
Qual a saída, então? Usar máscaras, colocar barreiras entre nossas atitudes e o que sentimos de verdade? Esconder, disfarçar, filtrar, tomar cuidado com cada palavra dita? Evidente que não. Aí reside o lado bom da decepção ao entregarmos nossa vulnerabilidade a quem não está preparado a recebê-la: nós descobrimos logo que não merecemos ficar com pessoas assim. Se alguém não sabe lidar com nossa segurança no amor, que dirá com o pacote completo depois? Melhor procurar alguém que, mesmo que se perca em alguns erros durante o processo, não use nosso sentimento como arma. Alguém que mereça nossa entrega, que entenda que a expressão da segurança deve servir pra acabar com fantasmas, medos e preconceitos, não como espelho ao amor-próprio narcisista. Alguém que perceba que aquilo não passa de lanterna iluminando a estrada um pouco mais, que continua sinuosa, que continua desconhecida, que continua imprevisível.
I'll See It Through
Texas (Album: Careful What You Wish For- 2003)
When you touch me
I feel there's nothing you can do to turn me away
And I know that
In the past you've had bad luck so I should help you stay
You're all I ever wanted
You're all I ever needed, it's you
You're all I've ever wanted
And loving you's the right thing to do
And I'll see it through
When I close my eyes
And think of you it takes me places that I've never seen
And the rain, it blows
You're brushing up against my skin to wash me clean
You're all I ever wanted
You're all I ever needed - it's you
You're all I've ever wanted
And loving you's the right thing to do
And I'll see it through
I'll show you the love in my head
I'll show you the love that we had
You're all I ever wanted
You're all I've ever needed, it's you
You're all I've ever wanted
And loving you's the right thing to do
And I'll see it through
Eu vou pagar pra ver
Quando você me toca
Sinto que não há nada que você possa fazer pra me afastar
E eu sei que
No passado você não teve sorte então eu tenho que te ajudar a ficar
Você é tudo que sempre desejei
Você é tudo que sempre quis, é você
Você é tudo que sempre desejei
E te amar é a coisa certa a se fazer
E eu vou pagar pra ver
Quando fecho os olhos
E penso em você isso me leva a lugares que nunca vi
E a chuva, ela sopra que
Você está se esfregando contra minha pele pra me purificar
Você é tudo que sempre desejei
Você é tudo que sempre quis, é você
Você é tudo que sempre desejei
E te amar é a coisa certa a se fazer
E eu vou pagar pra ver
Eu te mostrarei o amor em minha cabeça
Eu te mostrarei o amor que tivemos
Você é tudo que sempre desejei
Você é tudo que sempre quis, é você
Você é tudo que sempre desejei
E te amar é a coisa certa a se fazer
(ao som de "She", by Charlez Aznavour, e "Super-homem - a canção", ao vivo por Caetano e Gil)
Estava hoje pensando num texto pra escrever que não fosse piegas nem comum em homenagem ao Dia Internacional das Mulheres, quando fui surpreendido por minha amiga Cíntia com a seguinte pergunta: "Caker, a gente vive pra que, hein?" (ela adora fazer de vez em quando esse tipo de pergunta filosófica e ter essas crises existenciais). Minha resposta saiu natural, na hora, sem pensar: "Você eu não sei, mas eu vivo por causa da mulher". Pronto, a espontaneidade que faltava aparecera. Não acabou com a pieguice e o sentimentalismo do texto, é verdade, mas eu já tinha por onde começar: admitindo que as mulheres sempre foram o motivo implícito de qualquer ação nossa.
Acho que nunca tive tanta dificuldade pra selecionar uma música à altura desse dia. No final acabei optando por duas, uma brasileira - linda homenagem de Gilberto Gil às mulheres - e uma das mais tocadas em casamentos, do Charles Aznavour, cuja letra não necessita de comentários, fala por si própria. Parabéns a vocês, mulheres do mundo, por nos darem sempre um motivo e um significado.
Cherchez la femme
"Buscai a mulher". ("Cherchez la femme"; Dumas Pai, Os Moicanos de Paris, ato III)
Um dos segredos de classe que nós homens guardamos e não revelamos nem sob a mais hábil tortura é esse: tudo se resume, no fim, a agradar as mulheres. Trabalhar como um maníaco, ganhar muito dinheiro, adquirir conhecimentos...será que vocês nunca se perguntaram os motivos que temos por trás de tudo isso, o que nos leva a tantos desatinos e exageros?
O camarada projeta aquelas pontes enormes, dá a volta no mundo de balão, inventa guerras, sofre, vira mártir, tudo pra chamar a atenção de alguma mulher. Não importam os motivos alegados, quando conseguimos impressionar uma mulher os fins justificam os meios. Nabucodonosor mandou fazer os Jardins Suspensos da Babilônia só pra alegrar a esposa Amyitis, que tinha saudades de sua terra natal; Caetano, Vinicius, os irmãos Gershwin e tantos outros famosos escreveram canções e poemas imortais em homenagem a suas amadas; Kennedy quase deu início a uma guerra mundial quando peitou Cuba, mas sucumbiu aos encantos e curvas de Marilyn; Clinton jogou a reputação pela janela por causa duma estagiária (ok, aqui o exemplo não é tão edificante assim); Napoleão tentou conquistar o mundo só pra ter de volta o amor de Josefina; Cafu levantou o troféu do penta e quais foram suas primeiras palavras ao erguer a taça? "Regina, eu te amo".
E essa história de que os homens dominam o mundo, quer algo mais absurdo que isso? Quem dá as ordens na casa, quem nos faz mudar de idéia sem precisar dizer palavra alguma, quem realmente manda? Essa baboseira de feminismo caiu em desuso por isso, finalmente descobriram que o importante não é o poder "de direito", mas o "de fato". E esse, minha gente, desde os primórdios, sempre foi das mulheres. Pra que, então, apenas um dia em homenagem a elas, quando a eternidade não bastaria? Sou contra a data, não deveria existir. O sentido histórico, lembrariam alguns. A época da Revolução Industrial onde as mulheres eram maltratadas, subjugadas e exploradas não pode ser esquecida, já que daí se originou a data de 8 de março. Pelo passado, portanto, mas não pelo momento de agora. As empresas estão descobrindo que é muito mais saudável e produtivo trabalhar sob o comando duma mulher, na política elas são bem menos afeitas às tentações do poder e corrupção que os homens, no esporte as distâncias entre os sexos vêm diminuindo a cada dia, na literatura e música elas possuem muito mais sutileza e sensibilidade que nós, sem mencionar o charme.
Mais que beleza e inspiração, as mulheres se constituem na razão de ser, no motivo, em podermos sempre responder de boca cheia: "Foi por sua causa, meu bem.". Um homem privado dum amor por uma mulher não tem metas tangíveis porque ele também está privado de qualquer sentido de realização pessoal. O homem que, ao contrário, tem uma mulher como motor de propulsão à sua vida, sabe que já tem mais que merecia. Pode ficar sem emprego, moradia ou dinheiro, mas quando fica sem o amor por uma mulher, só aí chega no fundo do poço. E, pra sair de lá, só outra mulher pra trazer a lanterna com o facho de luz.
A Filosofia como ciência acaba nessa única palavra: mulher. Todo "por que" existencial descamba inevitavelmente nessa resposta, queiramos ou não. Basta olhar um par de olhos verdes, aquele nariz franzido, os cabelos desalinhados ao nosso lado na cama pela manhã, o sorriso despercebido e pronto, eis o sentido. Um beijo demorado, um sussurro abafado ao ouvido e entregamos os pontos, não há final de campeonato mundial que resista. Ficamos bobos, passamos por ridículos, fazemos loucuras por pequenos momentos de êxtase que valem por uma vida, como dançar de rostinho colado ouvindo "The way you look tonight" na voz do Tony Bennett ou passear de mãos dadas sob um pôr-do-sol na praia. Momentos que ficam pra sempre, mesmo que as mulheres não fiquem. Gilberto Gil, em sua canção em homenagem ao sexo feminino, lembrava da porção melhor que todo homem tem dentro de si, a que vem da mulher, a que faz viver, a que faz valer a pena.
Ah, mulheres...tenho até medo do dia em que vocês se aperceberão do poder e influência que têm. Nós passamos a vida a procurar pela pedra filosofal, reconhecimento, fama, um trabalho dignificante e prazeroso, felicidade, mas o que queremos de verdade - por mais que a dissimulação esconda - sempre foi, por detrás da máscara fria do cotidiano, o ouro escondido na cumplicidade do coração e alma de uma mulher.
Super-Homem - A Canção (Gilberto Gil)
Um dia vivi a ilusão de que ser homem bastaria
Que o mundo masculino tudo me daria
Do que eu quisesse ter
Que nada, minha porção mulher que até então se resguardara
É a porção melhor que trago em mim agora
É o que me faz viver
Quem dera
Pudesse todo homem compreender,oh mãe, quem dera
Ser o verão o apogeu da primavera
E só por ela ser
Quem sabe
O super-homem venha nos restituir a glória
Mudando como um deus o curso da história
Por causa da mulher.
She (Charles Aznavour)
She may be the face I can't forget
The trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song the summer sings
May be the chill the autumn brings
May be a hundred different things
Within the measure of a day
She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a heaven or a hell
She may be the mirror of my dreams
The smile reflected in a stream
She may not be what she may seem inside her shell
She who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so crowded and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows of the past
But I'll remember till the day I die
She may be the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in many years
Me, I'll take her laughter and her tears
And make them all my souvenirs
For where she goes I've got to be
The meaning of my life
is she
She
She
Ela
Ela deve ser o rosto que não consigo esquecer
O traço de prazer ou arrependimento
Deve ser meu tesouro ou o preço que tenho que pagar
Ela deve ser a música que o verão canta
Deve ser o arrepio que o outono traz
Deve ser uma centena de coisas diferentes
No decorrer de um único dia
Ela pode ser a bela ou a fera
Pode ser a fome ou o banquete
Pode transformar cada dia num Paraíso ou Inferno
Ela deve ser o espelho dos meus sonhos
O sorriso refletido na correnteza
Ela não deve ser o que aparenta dentro de sua concha
Ela que sempre parece tão feliz numa multidão
Cujos olhos podem ser tão apertados e tão orgulhosos
A ninguém é permitido vê-los quando choram
Ela deve ser o amor que não pode ter esperanças de sobreviver
Deve vir a mim das sombras do passado
Mas que eu recordarei até o dia da minha morte
Ela deve ser a razão pela qual sobrevivo
O porquê e a causa de estar vivo
Aquela de quem tomarei conta nas situações difíceis de muitos anos
Pra mim, ficarei com sua risada e suas lágrimas
E farei delas minhas lembranças
Por onde ela vá eu tenho que estar
O significado da minha vida
é ela
Ela
Ela
Ia postar hoje o texto sobre traição, mas resolvi colocar esse graças a uma coincidência. Recebi alguns e-mails sobre o texto da rejeição, a maioria falando da dificuldade e dor que sentimos nos dias seguintes. Ontem, por acaso, estava escutando a música da tradução a seguir, "Easy", dos Commodores, que muita gente regravou. O texto, baseado na música, é um apanhado de coisas que já escrevi antes, mas achei que caberia repetir algumas delas. É uma letra que reflete bem meu estado de espírito agora, a tranqüilidade (mais até do que deveria), e então pensei que,talvez, esse fosse o caminho pras pessoas superarem momentos de fim de relacionamento, de solidão. Gosto em especial dessa letra porque ela deixa claro que a pessoa envolvida fez de tudo que estava a seu alcance pra que o relacionamento funcionasse, daí a tranqüilidade do final. Não podemos deixar que ninguém nos acorrente e precisamos, como os versos da música, estar "livres pra descobrir se as coisas que fazemos estão corretas". O fim de um relacionamento é uma ótima oportunidade pra essa auto-crítica, aprumar o espírito, recuperar a confiança e aguardar serenamente uma nova pessoa, que sempre virá. Nada melhor, nessas horas, que ficarmos tranqüilos como uma manhã de domingo. Carpe Diem.
O dia seguinte
A sensação de "pra onde agora?" depois do fim de um relacionamento que nos marcou fica, muitas vezes, latejando na cabeça por mais tempo que pretendíamos. Perdidos, parece que nos foi tirado o chão, mais que isso, os alicerces sob os quais construímos sonhos, fizemos projetos de vida e vislumbramos um futuro promissor ao lado da pessoa que partiu. O "dia seguinte" se transforma na "semana seguinte", "mês seguinte", e vamos nos afundando à procura da tábua de salvação.
Opção, essa é a questão de ordem. De novo as escolhas: quais as opções que temos nesse instante? Podemos escolher ficar indefinidamente lamentando o fim da relação, numa depressão crescente; podemos sair em desespero à caça dum outro amor ou podemos, apenas, aprender a gostar de passar um pouco de tempo em nossa própria companhia.
Ficar alguns dias escutando "Everybody hurts", "Depois de ter você" ou alguma balada sertaneja até riscar o CD pode não ser de todo ruim, desde que o reservatório de lágrimas mande logo ao cérebro o grito de "basta". Pular direto a um outro relacionamento (o eterno medo da solidão) acaba se tornando a opção mais cruel, porque a nossa mágoa pode duplicar quando a pessoa com quem estivermos nos relacionando perceber que está sendo usada pra que esqueçamos um antigo amor. E, acredite, elas sempre percebem quando isso acontece. O que resta, então? Optar por nós mesmos. Amadurecer. Aprender a gostar de estar em nossa própria companhia, parar por instantes (que podem ser dias ou meses) pra fazer uma faxina na alma. "- Que bonita teoria, mas onde entra a parte do aperto no peito e a dor que estou sentindo agora?", diriam muitos. Claro que sofrer faz parte do processo, não há melhor forma de aprendizado que a dor. O erro está em escondê-la. Temos que encará-la de frente e dizer com convicção: "- Eu sei que você está presente agora mas saiba que isso também vai passar". Intimidar a dor e acreditar na ameaça que fizemos a ela.
Não há nada mais gostoso que descobrir a alegria de nossa convivência em momentos de solidão, que sempre acontecem. Mesmo em meio a um relacionamento deveríamos ter essas horas introspectivas pra descoberta dos próprios desertos interiores, como escreveu Robert Frost. Tirar o pó da janela da alma e perceber que as críticas que recebemos das pessoas com quem nos relacionamos até hoje podem, sim, ter fundamento. Colocarmo-nos na posição de nossos antigos amores e analisar o relacionamento sob o ponto de vista deles, não pelo lado que nos convém, que esse é sempre mais cômodo. Máscaras são mais fáceis de serem tiradas de rostos alheios, mas quando se trata das nossas fica difícil separá-las da pele. Diluir os defeitos que encontrarmos no processo e valorizar, claro, as virtudes. Optar por nós mesmos requer tudo isso e mais, a certeza de que o mundo está cheio de pessoas especiais à nossa espera, e não vai ser um tropeço momentâneo que nos tirará do foco: encontrar alguém pra se apaixonar que goste de nós "por causa de" e "apesar de". Do jeitinho que somos, pacote completo sem direito a escolher os opcionais. Aquela que nos arranque suspiros não da boca, mas do coração.
Sorte daquela pessoa que nos encontrar depois disso, porque vai se deparar com alguém centrado no que precisa e do que tem a oferecer num relacionamento, ciente das derrapadas que teve antes e esperançoso de não cometê-las novamente. Alguém que aprendeu nos erros e com uma vontade louca de expor a vulnerabilidade à prova de alguém que a mereça. Uma pessoa sem pressa, tranqüila, que sabe esperar o momento certo de se entregar, de abrir as portas e tirar a plaqueta de "fechado pra almoço". Alguém que reformou a alma, mudou a decoração, tirou a mobília do lugar e gostou do que viu depois. Uma pessoa que sabe a importância de ficar sozinha vez ou outra ao invés de agarrar a primeira mão que lhe é oferecida. Uma pessoa que sempre opta por ela mesma e sabe que ninguém nesse mundo ou em qualquer outro vai lhe tirar o direito de tentar, à sua própria maneira, ser feliz.
Easy
The Commodores
Know it sounds funny
But I just can't stand the pain
Girl I'm leaving you tomorrow
Seems to me girl
You know I've done all I can
You see I begged, stole
And I borrowed
Ooh, that's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
Why in the world
Would anybody put chains on me?
I've paid my dues to make it
Everybody wants me to be
What they want me to be
I'm not happy when I try to fake it!
No!
Ooh,that's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
I wanna be high, so high
I wanna be free to know
The things I do are right
I wanna be free
Just me, babe!
That's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
That's why I'm easy
I'm easy like Sunday morning
Because I'm easy
Easy like Sunday morning
Tranqüilo
Pode parecer engraçado
mas não consigo suportar a dor
Garota, estou te deixando amanhã.
Me parece, garota
Que você sabe que eu fiz tudo que podia
Veja, eu implorei, roubei
e pedi emprestado.
Oh, é por isso que estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo
É por isso que estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo
Porque no mundo
Alguém colocaria correntes em mim?
Cumpri todas as minhas obrigações.
Todos querem que eu seja
o que eles querem que eu seja
Não sou feliz quando tento me passar por outra pessoa
Não!
Oh, é por isso que estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo
É por isso que estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo
Quero ir às alturas,tão alto
Quero ser livre pra saber
que as coisas que faço estão certas
Eu quero ser livre
Só eu, baby
É por isso que estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo
É por isso que estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo
Porque estou tranqüilo
Tranqüilo como uma manhã de domingo.