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2/28/2004
(ao som de ¿Someday we¿ll know¿, by Mandy Moore)
Desculpas antecipadas pela demora em atualizar; semana de carnaval, como todo mundo sabe, é atípica, e a minha foi bem agitada. O texto de hoje sobre rejeição foi um pedido da Ciça, a letra de música da Mandy Moore (que ficou conhecida na voz dos New Radicals) é da trilha do filme ¿Um amor para recordar¿, e trata do mesmo assunto. Domingo é dia de Oscar, a TNT vai transmitir ao vivo, vou ficar aqui torcendo pra que a minha queridinha ganhe o dela. Amanhã devo atualizar o Consultório, quando a Jaya retornar de viagem (semana que vem) vou passar pra ela a tarefa de atualizar aquele outro blog, pra que não fique mais de uma semana sem as respostas. Vou continuar como colaborador respondendo as perguntas, juntamente com ela. Carpe Diem...

O direito de dizer não

A rejeição em qualquer aspecto da vida traz sensações desagradáveis, o que diferencia uma pessoa da outra reside na maneira com que cada um lida com isso. No amor, ser rejeitado significa que alguém disse não a um envolvimento emocional e físico que desejávamos, e, não importa a maneira com que analisemos as razões, a frustração surge como primeiro sentimento. Nunca conheci alguém que não tivesse sofrido uma rejeição amorosa, acredito que se tal pessoa existir deve ser alguém que simplesmente optou em não se relacionar amorosamente. Se optamos por correr riscos, por nos envolvermos à procura dum amor que nos satisfaça, a rejeição vai surgir de forma natural durante o processo. Isso é o intrigante da história: vai acontecer com todo mundo, mais cedo ou mais tarde, de forma constante ou não.
Há algumas rejeições que ¿machucam menos¿, mesmo assim não deixam de trazer lições. A rejeição inicial de alguém ao amor, por exemplo. Essa é a mais tranqüila, porque geralmente está ligada a algum modelo preconcebido de pessoa que a outra tem em mente, e não há muito que possamos fazer a respeito. Leo Buscaglia sempre exemplificava isso em uma analogia, onde dizia que de nada adianta sermos as melhores ameixas do mundo se a outra pessoa prefere pêssegos. Geralmente ligada a fatores estéticos ou de comportamento, pode se tornar um aviso pra que cuidemos de algum aspecto pessoal que, mesmo parecendo irrelevante à nossa opinião, é fator de exclusão para a outra pessoa. Quando trata-se do corpo, por exemplo, uma rejeição sempre traz o lembrete de que podemos tratá-lo com mais cuidado e carinho porque, por mais que digamos que a beleza interior é a que importa, um corpo bem cuidado sempre produz uma boa impressão. Primeiras impressões são, pra algumas pessoas, fundamentais,sem mencionar o aspecto da melhora da auto-estima. Há também o lado comportamental da rejeição inicial: um preconceito, incompatibilidade de opiniões ou comentário infeliz podem derrubar qualquer aproximação desejada. Cuidar do lado emocional requer um pouco mais de atenção porque não há nenhum ¿regime das proteínas¿ para a teimosia da mente. Acabar com alguma idéia preconcebida requer, além da dificuldade natural, a sensatez de discernir se aquilo realmente é ou não um hábito ruim que carregamos.
A rejeição que costuma trazer mais sofrimento é outra, a que acontece após um relacionamento onde tivemos a possibilidade de nos mostrarmos por inteiro, e mesmo assim a outra pessoa optou por seguir sua vida sem nossa presença. Dói vermos frustradas expectativas que, mesmo sem querer, fomos construindo durante o relacionamento,e de repente nos são arrancadas da mão e nos deixam inconformados como a criança que tem seu doce roubado. Num relacionamento ideal as pessoas deveriam levar em conta diversos aspectos e relevar outros tantos antes de fechar as portas a alguém, mas, convenhamos, ninguém vive dentro de um relacionamento ideal. Costumamos entrar em conflito com as decisões que nosso próprio coração toma, então porque a surpresa em relação ao dos outros?
Cada um deve aprender sua própria maneira de lidar com uma rejeição, a minha está baseada em dois truques: amor-próprio e esperança. O amor-próprio entra no pensamento que todos deveriam ter nesse instante: ¿Ela (a outra pessoa) perdeu muito mais do que eu¿. Infalível. Basta lembrar do universo de coisas boas, descobertas e revelações que alguém deixou de adentrar pelo fato de, em algum momento da vida, ter-nos dado um ¿não¿ onde deveria existir uma resposta afirmativa. A esperança já vem numa historinha que li uma vez baseada nessa frase: ¿Quando os semi-deuses se vão, os deuses vêm¿. Empolgados, criamos ilusões e falsas expectativas em relação a muitas pessoas que acabam desabando ante uma negativa. A idéia de só uma Alma-Gêmea assusta, acredito realmente que há mais de uma pra cada pessoa, embora nem tantas assim perdidas por aí à nossa espera. Os céticos em relação a isso têm a alternativa da frase, achar que a verdadeira ¿Outra Parte¿ ainda está por vir. Esperança, sempre.
Se o segredo da paixão está em ignorarmos que ela pode eventualmente acabar, a rejeição vem como a volta ao cotidiano, às velhas incertezas e medos, à procura de um novo amor que, dessa vez (sempre pensamos assim) se encaixe ao nosso. Sim, encaixe. No fundo, é apenas isso. A rejeição serve pra separar as peças que não pertencem ao quebra-cabeça, abrindo portas pra que outras tentem completá-lo. E, ao final, quem é que vai querer saber de quantas jogamos fora, quantas descartamos ou nos foram tiradas durante o processo? Quando nos sopra aquela maresia na alma sussurrando que a peça que se avizinha é a derradeira, percebemos que tudo valeu a pena e nada há de mais importante que amar e ser amado por quem nosso coração e alma palpitam.
Por Ed as 12:44 AM





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2/17/2004
(ao som de "All I want is you",by U2)
Ontem fui ao cinema assistir Cold Mountain e me surpreendi com o filme. Como a imprensa não anda falando muito dele, não imaginava que pudesse gostar tanto. Saí da sala encantado, desde Capitão Corelli não gostava tanto de um filme de época. Apesar das quase 3 horas de duração, vale a pena assistir. Saí de lá com a certeza de que, se a Renée Zellweger(minha atriz preferida) não ganhar o Oscar de atriz coadjuvante, vai ser uma das maiores injustiças que a Academia já fez. O texto de hoje foi baseado em dois trechos desse filme que me lembraram duma coisa interessante que acontece com todos nós: como as pessoas que marcam nossas vidas raramente são aquelas com quem mais tempo ficamos,e como a vida passa a ter sentido quando pessoas assim aparecem.
Aproveito pra dar as boas-vindas à Safira, minha amiga que entrou no mundo blogueiro e vai começar a contar suas histórias, junto com suas amigas de MG, em seu próprio blog. A letra de música é a minha preferida do U2. Como achei o filme especial, quis postar uma letra também especial, ao menos pra mim. Carpe Diem.

Preenchendo uma vida

Numa das cenas de Cold Mountain, Ada (Nicole Kidman) conversa com seu pai sobre não entender como uma pessoa com quem tinha passado tão poucos momentos a tinha marcado tanto (referindo-se a Inman, seu amado que estava lutando na guerra). Seu pai responde: "Eu perdi sua mãe 22 meses após o casamento, minha filha, e foi tempo suficiente pra preencher uma vida". Em outra cena do mesmo filme, Inman, ferido na guerra e com saudades de Ada, conhece um velho que já nascera cego, e pergunta quanto ele pagaria por 10 minutos de visão. O velho responde: "Dez minutos? Nem um tostão. Iria viver como um revoltado pelo resto da vida. É muito mais fácil conviver com algo que nunca se teve do que ter possuído e depois perdido." Esses dois trechos do filme exemplificam um dos aspectos mais curiosos em relação ao amor: como o coração é irresponsável ao escolher os momentos que levará pela eternidade, e o quanto essa irresponsabilidade pode ser maravilhosa ao valorizar atitudes que poderiam passar despercebidas.
Se tivéssemos que fazer um retrospecto de todos os relacionamentos pelos quais passamos - desde os mais curtos, de final de semana, até aqueles longos, de vários anos - será que poderíamos dizer com convicção de que aqueles que mais nos marcaram foram justamente os que mais duraram? Duvido, raras vezes acontece. Relacionamentos que marcam são aqueles que, como descreveu o pai de Ada, preenchem toda nossa vida, independente do tempo que duram. Aqueles poucos meses ao lado daquela pessoa especial ficam pra sempre, enquanto que os anos dedicados a um outro relacionamento mais "pé-no-chão" trazem apenas recordações vazias. Pessoas que nunca tiveram suas vidas preenchidas com um amor ficam como o velho do filme, que preferia continuar em sua condição de cego a ter alguns momentos de visão, porque sabia que não conseguiria suportar a idéia de perder algo tão valioso.
Pessoas que preenchem a vida podem vir a qualquer tempo: na adolescência, em meio a uma crise de meia-idade, na velhice, mas produzem sempre o mesmo efeito: dão sentido à nossa vida, um significado, chegam e estampam em nossa alma a mensagem "Tudo que vivi e passei até hoje valeu a pena, porque você está comigo agora". Esvaem-se então as lembranças de antes, não precisamos mais de respostas porque reformulamos as perguntas. A serenidade, a paz de espírito e coração que tanto sonhamos faz-se presente. Alma-Gêmea, Outra Parte, o nome que damos à chegada dessa pessoa é o que menos interessa. Ela, finalmente, apareceu.
Muitos buscam respostas a suas dúvidas existenciais na religião, em livros, viagens, peregrinações a lugares sagrados, quando elas podem se encontrar mais próximas que imaginam. Quem quer saber de Paraíso se já estamos construindo o nosso quando preenchemos nossas vidas com um amor? Aquele momento, mesmo que não dure mais que gostaríamos, já nos aproximou da eternidade. E, ao atingirmos o cume da montanha, (que me desculpem os religiosos a heresia de agora) nós percebemos que preencher a vida com um amor verdadeiro é, sem dúvida, o mais próximo que alguém pode chegar de Deus.


All I Want is You
U2

You say you want
Diamonds on a ring of gold
You say you want
Your story to remain untold
But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you

You say you'll give me
A highway with no one on it
Treasure just to look upon it
All the riches in the night

You say you'll give me
Eyes in a moon of blindness
A river in a time of dryness
A harbour in the tempest
But all the promises we make
From the cradle to the grave
When all I want is you

You say you want
Your love to work out right
To last with me through the night

You say you want
Diamonds on a ring of gold
Your story to remain untold
Your love not to grow cold

All the promises we break
From the cradle to the grave
When all I want is you

all I want is...you...
all I want is...you...
all I want is...you...
You...

Tudo que quero é você

Você diz que quer
Diamantes em um anel de ouro
Você diz que quer
Que sua história continue secreta
Mas todas as promessas que fazemos
Do berço à sepultura
Quando tudo que quero é você

Você diz que me dará
Uma highway sem ninguém nela
Tesouro só pra ficar contemplando
Todas as riquezas da noite

Você diz que me dará
Um rio em tempos de seca
Olhos sob uma lua de cegueira
Um porto na tempestade
Mas todas as promessas que fazemos
Do berço à sepultura
Quando tudo que quero é você

Você diz que quer
Que seu amor dê certo
Que continue comigo noite adentro

Você diz que quer
Diamantes em um anel de ouro
Que sua história continue secreta
Que seu amor não esfrie

Todas as promessas que quebramos
Do berço à sepultura
Quando tudo que eu quero é você

Tudo que quero é você...
Tudo que quero é você...
Tudo que quero é você...
Você...
Por Ed as 6:04 PM





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2/16/2004
(ao som de "If you don't know me by now", by Simply Red)

O texto de hoje veio da sugestão da Valéria no post sobre estar apaixonado, acho que trata de um tema que todas as pessoas já tiveram em seus relacionamentos: perceber se o amor que estamos dando é correspondido. Já escrevi um das sugestões da Ciça (antes que você reclame, viu?) sobre traição, mas vou esperar até quarta pra postar. Achei que essa musica - um cover que o Simply Red fez do Harold Melvin no começo dos anos 90 - se encaixaria bem ao tema. Perder alguém que se ama por exigir retribuição do amor que entregamos é um erro comum, e fica ainda pior quando não percebemos que a maneira dela de expressar os próprios sentimentos é diferente da nossa. Aproveito pra avisar que o Consultório Sentimental voltou à ativa, depois de longo e tenebroso inverno causado pela minha preguiça e falta de tempo. Resolvi tomar a iniciativa porque as perguntas continuavam a chegar mesmo sem as atualizações, e quando me dei conta já tinha mais de 60 aqui, cada uma tratando dum assunto específico. A Dra Jaya vai continuar ajudando nas respostas, talvez tenhamos mais uma pessoa respondendo as perguntas a partir de março. Um ótimo começo de semana a todos vocês, que o carnaval vem chegando...


As estações do amor

Captar os sinais amorosos que a pessoa com quem estamos nos relacionando passa, mesmo que desapercebida disso, é quase tão complicado quanto questionar as conclusões que ela tira dos nossos. Exigi-los, então, pode acabar surtindo efeito contrário, traz mais insegurança que antes. O desafio está em entender o tempo de cada um: identificar a estação em que vivem as ações do outro pra que - só depois disso - possamos avaliar se o que recebemos em troca está de acordo com o que entregamos.
Certa vez uma ex-namorada me acusou, após o fim do curto relacionamento, de eu "não ter dado tempo pra que ela se apaixonasse por mim". Achei, na época, ridícula a acusação, e o próprio tempo ( e os relacionamentos posteriores) me ensinaram que ela podia, talvez, estar certa. Relutamos em aceitar essa verdade dos relacionamentos, a de que cada um tem sua própria e singular maneira de amar, envolver-se e mostrar seus sentimentos, e isso não quer dizer que é melhor ou pior que a nossa. Há os apressados (como eu), que já entram de cara naquele turbilhão apaixonado e acabam, muitas vezes, assustando a outra pessoa com a expressão e intensidade inicial do seu amor. Há também aquelas pessoas mais sensatas, desconfiadas, que vão se entregando aos poucos, em pequenas doses. Conseguem domar o coração e não deixam que ele se envolva antes de estudar bem o terreno onde pretendem enraizar.
Ter a sensibilidade pra perceber o tempo de amar da pessoa com quem estamos envolvidos é algo raro, porque geralmente o destino nos coloca ao lado daquelas que têm um ciclo antagônico ao nosso. Teimosia, acho que ele faz isso de birra mesmo, pra se divertir com nosso sofrimento. Sensibilidade nessa hora não é tudo, precisamos aprender a respeitar esse tempo da pessoa amada, e aí acabamos nos perdendo. Exigimos provas (como se o amor precisasse disso) e demonstrações públicas de afeto, queremos que o outro conte ao mundo que está apaixonado por nós. Queremos igualar os ciclos, fazer o motor da outra pessoa girar na mesma rotação do nosso, e isso acaba, quase sempre, por fundi-lo. Respeitar o tempo de cada um não quer dizer, entretanto, que tenhamos que adaptar nosso ciclo ao da outra pessoa. Tudo gira ao redor da entrega pessoal; quanto mais nos mostramos como somos, sem jogos ou mentiras, mais facilitamos a percepção do outro sobre nosso próprio tempo.
Não me recordo onde li, certa vez, que a sinceridade é a coisa mais importante no amor, mais que o próprio amor, porque precisamos dela até pra dizer que o amor acabou. Eu trocaria sinceridade por vulnerabilidade. Mostrar como somos, os defeitos, manias, as expectativas, as qualidades também (por que não?), tudo. Desnudar a alma antes do corpo e mostrar nossos enigmas, fraquezas, medos e desconfianças. Mostrar que já erramos com outras pessoas em relacionamentos passados, que já fomos magoados também, mas que nem por isso deixamos de querer entregar nossa vulnerabilidade à pessoa de agora, porque sabemos que ela não teve culpa alguma do que nos aconteceu antes dela. Mostrar que podemos ate brincar com chavões do tipo "Nunca vou entender as mulheres" ou "Os homens são todos iguais", mas demonstrar que, na prática, sabemos que cada pessoa tem um universo próprio a ser descoberto, com paisagens maravilhosas e outras assustadoras, e que queremos adentrar por todos os caminhos dela. Expor nosso próprio universo a essa pessoa também, sem colocar desvios de rota ou placas de contramão.
Se achar uma pessoa especial pra amar requer um pouco de sorte e ajuda do destino, manter esse relacionamento significa olhar-se num espelho e dizer à sua fisionomia refletida: "Agora é com você, meu velho!". Isso assusta quando percebemos que ela pode não mandar os sinais que queremos receber pra criar a sensação de conforto, de calmaria, diminuir um pouco o batimento do coração. A vulnerabilidade é ótima por isso: nós nunca teremos motivos pra achar que deixamos de mostrar um lado mais atraente, que não dissemos algo no momento em que deveríamos. Expor a própria vulnerabilidade é poder ter a certeza de que, se o amor fracassou, não foi por causa de máscaras que foram caindo com a convivência.
Quando a pessoa que amamos não manda os sinais que esperamos, se está no outono e vivemos numa constante primavera amorosa, cobrindo-a de expressões da nossa beleza e admiração por ela, às vezes tudo que precisamos é parar. Sim, parar por um momento e contemplar a paisagem do outro. Perceber que, embora diferente da nossa, ela não deixa de ter seus próprios encantos, e usa formas diferentes de expressão pra refletir a mesma beleza. A beleza, no caso, é o amor. Um "eu te amo" da nossa primavera pode ter o mesmo valor dum cafuné no outono da outra pessoa; um beijo apaixonado nosso de verão equivale ao abraço apertado do inverno dela, ao observarmos com o coração.
Ao chegarmos ao nível de clarividência de podermos expressar a estação da alma sem receio e admirar a da outra pessoa, sabendo ser diferente da nossa, e gostar da paisagem que vemos e sentimos ... aí chegamos perto, mas bem perto mesmo, daquela coisinha frágil e pequena que sempre ouvimos falar e nunca agarramos o suficiente, e que o mundo costuma chamar de felicidade.

If You Dont Know Me By Now

If you don't know me by now
You will never, never, never know me

All the things, that we've been through
You should understand me, like I understand you
Now girl I know the difference
Between right and wrong
I ain't gonna do nothing
to break up your happy home
Don't get so excited
when I come home a little late at night
Cose we only act like children when we argue
fuss and fight

If you don't know me by now
You will never, never, never know me

We' ve all got, our funny moods
I' ve got mine, baby you' ve got yours too
Just trust in me like I trust in you
As long as we' ve been together
It should be so easy to do
Just get yourself together or we might as
well say goodbye
What good is a love affair
when you can't see eye to eye?

If you don't know me by now
You will never, never, never know me
If you don't know me by now
You will never, never, never know me

Se você não me conhece até agora

Se você não me conhece até agora
Você nunca, nunca, nunca me conhecerá

Todas as coisas pelas quais já passamos
Você deveria me entender, como eu te entendo
Agora moça eu sei a diferença
Entre o certo e o errado
Eu não farei nada
pra entristecer nosso lar feliz
Não fique tão brava
quando eu chego em casa um pouco tarde à noite
Porque nós só agimos como crianças
quando discutimos pra valer

Se você não me conhece até agora
Você nunca, nunca, nunca me conhecerá

Todos nós temos nossas manias
Eu tenho as minhas, baby você também tem as suas
Apenas confie em mim como eu confio em você
Enquanto estivermos juntos
Isso deveria ser fácil de acontecer
Só coloque as idéias em ordem ou quem sabe nós poderemos
dizer adeus
De que vale um amor
quando não conseguimos enxergar olho no olho?

Se você não me conhece até agora
Você nunca, nunca, nunca me conhecerá
Se você não me conhece até agora
Você nunca, nunca, nunca me conhecerá.
Por Ed as 3:52 AM





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2/14/2004
(ao som de "Speak low", por Marisa Monte)

Hoje o texto é mais curto, em homenagem ao Dia Internacional do Amor. Foi escrito com pressa porque eu não quero ficar em casa numa data tão especial, e já está anoitecendo... A curiosidade sobre a letra de musica posterior é que pouca gente sabe que ela foi inspirada numa citação de Shakespeare. Vamos todos falar baixo hoje, então, que a data merece...


Falando baixo

" Falai baixo, se falais de amor" (Speak low, if you speak love) (Shakespeare, Muito barulho por nada, ato II)

O homem sempre teve essa incrível mania de rotular tudo que encontra. Pessoas,coisas, sentimentos, tudo vira alvo de concepções pessoais que sempre aprisionam seu verdadeiro significado. Ainda bem que existem os poetas pra "consertar" um pouco disso. Há, entretanto, algo que foge a essas tentativas frustradas de criar estereótipos, de rotular. Quem nunca tentou definir o amor sem criar controvérsias?
Em 95 foi lançado um livro chamado 'Anatomia do Amor", da Helen Fisher, que tentou dar uma explicação racional ao amor e balançou os alicerces de muita gente acerca do tema (o meu inclusive) porque a argumentação foi muito bem conduzida. A Dra. Helen estudou durante toda a vida as reações químicas que o amor produz no cérebro, e relata no livro as conclusões a que chegou. Uma das conclusões mais controversas dela no livro é a de que o amor dura, em média, de 1 a 2 anos em cada pessoa, podendo ser prolongado,em circunstâncias especiais a no máximo, a 4 anos.Há alguns anos cientistas americanos lançaram uma "fórmula da felicidade", uma complexa equação matemática onde, garantiam, estava o segredo da pessoa feliz. Essa semana outro grupo de cientistas, dessa vez britânico, lançou a "fórmula para prever divórcios" , também uma equação matemática (será que eles não têm nada mais útil pra pesquisar?) que garantiria o sucesso no casamento com 94% de precisão. Há cursos mundo afora explicando a arte da paquera, inclusiva no Brasil, onde há uma matéria optativa dentro do curso de psicologia da USP sobre relacionamentos amorosos.
Não quis escrever esse texto com o intuito de contestar nenhuma dessas tentativas de entender o amor, apesar de discordar de todas elas. Formas aparentemente absurdas de aprisionar sentimentos em definições sempre existirão. Hoje, dia 14 de fevereiro, é o Dia Internacional do Amor. Costuma ser o dia dos namorados na maioria dos países do mundo, é dia de comemorar, não de contestar.Cada um tem sua maneira particular de amar e expressar o amor, e isso, em minha opinião, é o que faz dele algo tão impressionante: sempre acontece de maneira diferente em cada pessoa com quem nos relacionamos. Nós temos uma vida inteira de dedicação ao trabalho e estudo, e qual a finalidade? O amor. Qual o objetivo de acumularmos dinheiro, conhecimento, poder? Compartilhar com a pessoa que amamos. Ganhar na loteria, ter saúde e um emprego de que gostamos são ótimos, mas sem um amor pra poder compartilhar tudo isso, as reticências continuarão.
Se pudesse dar uma de "Todo-Poderoso" como no filme, iria pedir uma coisa apenas a cada pessoa do mundo: que expressassem hoje seu amor da forma que melhor conseguissem. Um jantar à luz de velas, um poema, um cartão, flores, um telefonema, um beijo, uma dança de rosto colado ao som de Norah Jones, João Bosco, Alcione ou Bruno & Marrone - não importa a qualidade da música, vale é mostrar à pessoa que está a seu lado o quanto você é feliz por ter alguém pra amar. Aos solitários, deveria ser obrigatório não ficar em casa hoje: sair pra balada, cinema, pra passear apenas, à procura duma paixão. Hoje valem aqueles amores com prazo de validade, amores de final de semana. Hoje é dia de falar baixo ao falarmos de amor, de preferência sussurrando palavras carinhosas ao ouvido da pessoa ao nosso lado. Feliz Dia do Amor a todos vocês!


Speak low

Kurt Weill / Ogden Nash

Speak low when you speak love
Our summer day withers away
too soon, too soon
Speak low when you speak love
Our moment is swift
like ships adrift,
we're swept apart,
too soon
Speak low, darling, speak low
Love is a spark,
lost in the dark
too soon, too soon
I feel wherever I go that tomorrow is near,
tomorrow is here
and always too soon
Time is so old and love so brief
Love is pure gold and time a thief
We're late, darling, we're late
The curtain descends,
ev'rything ends
too soon, too soon

I wait, darling, I wait
Will you speak low to me,
speak love to me and soon


Fale Baixo

Fale baixo quando falar de amor
Nosso dia de verão vai murchando
Muito cedo, muito cedo
Fale baixo quando falar de amor
Nosso momento é imediato
Como barcos levados pela correnteza
Estamos arrastados um do outro
Muito cedo
Fale baixo, meu amor, fale baixo
O amor é uma faísca
Perdida na escuridão
muito cedo, muito cedo
Eu sinto por onde quer que eu vá que o amanhã está perto
O amanhã está aqui
E sempre muito cedo
O tempo é tão velho e o amor tão breve
O amor é ouro puro e o tempo um ladrão
Estamos atrasados, meu amor, estamos atrasados
A cortina se fecha
tudo termina
muito cedo, muito cedo

Eu espero, meu amor, eu espero
Você irá falar baixo comigo
Fale de amor comigo e fale logo
Por Ed as 10:11 PM





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2/11/2004
(ao som de "Meu Plano" - acústico MTV, por Daniela Mercury)

O texto de hoje é especial porque escrevi atendendo um pedido da minha amiga Priscila, uma das que conheci pessoalmente graças ao Blog e acabei amigo. A Pri renasceu (literalmente) nos últimos dias e uma das coisas que a trouxe de volta a esse mundo foi o amor. Como anda apaixonada, me pediu pra escrever um texto sobre isso, a mudança que a paixão produz na vida das pessoas, e como ficamos bobos (no bom sentido) nesse instante. Já escrevi algo parecido algum tempo atrás, mas como pedido de amiga não se discute, aproveito pra desejar a ela toda a sorte do mundo nesse amor.
Por coincidência, hoje li uma reportagem que explicava o renascimento do tenista russo Marat Safin depois de um longo tempo no marasmo, e adivinhem qual o motivo alegado por ele e pelo técnico pra voltar a jogar bem? A nova namorada.
A letra de música é da famosa série que todos temos das "músicas que não conseguimos tirar da cabeça sem saber o motivo". Minha amiga Jane prometeu cantar pra mim essa sexta no Transas (uma boate daqui),então deixo pública a promessa pra poder cobrar lá depois. Como a letra, andei fazendo planos ultimamente, pena que alguns deles fracassaram. Carpe Diem.


Ouvindo estrelas

"Se não te lembram mais até as menores tolices que te fez fazer o amor, é porque jamais amaste." (Shakespeare, Como gostais, ato II)

Eu sempre questionei os reais motivos que fizeram do mundo um lugar melhor em todos os sentidos. Histórias são contadas sobre o que levou as pessoas a miraculosas descobertas, invenções, mudanças de comportamento. Disciplina, religião, sorte, oportunidade, inúmeras são as razões alegadas. Todas, pra mim, secundárias. O motivo por trás delas sempre foi (e continuará sendo) o amor.
Eu tenho um medo incrível de pessoas apaixonadas, porque elas não conhecem o significado da palavra impossível. Já imaginou entrar num conflito com um grupo de apaixonados? Derrota garantida, a não ser que nossa paixão supere a delas. Os limites desaparecem sob a lembrança dum par de olhos claros ou um rosto com covinhas, e ai de quem estiver à nossa frente. Batalhar quando se está apaixonado, entretanto, é o que menos queremos. Fazer do mundo um lugar melhor, eis a premissa.
Quando nos apaixonamos queremos consertar tudo: o som quebrado, o vício antigo, a amizade esquecida, a relação difícil com alguém da família, nossos defeitos. Temos a necessidade de mostrar ao mundo (e ao objeto da paixão, evidente) o quão especiais nos tornamos, nossas virtudes adormecidas e outras que nunca existiram antes, nossa importância. Sinais, sempre os sinais. Precisamos mostrar evidências da mudança que essa pessoa produziu em nós, e pra melhor. Como o pavão, estufamos o peito, mostramos as penas e dizemos ao mundo: "Hei, olhem como fico bonito quando estou apaixonado".
E as tolices então? Essa, pra mim, é a melhor parte: poder ser bobo sem parecer ridículo (pelo menos aos nossos olhos). Criamos apelidos carinhosos um pro outro que ninguém mais entende, falamos imitando a voz de criança, fazemos graça na frente dos amigos, observamos a pessoa dormindo sem que ela perceba, escrevemos poemas, dedicamos musicas no karaokê, brincamos na chuva; tudo vale se conseguimos ao final chamar a atenção do outro. A vergonha e os pudores vão sumindo, e da intimidade vem a gostosa cumplicidade, que (mesmo sem ser Credicard) também não tem preço. Uri Geller perde em transmissão de pensamento. Um olhar disfarçado, um rosto franzido, um toque e entendemos tudo que a outra pessoa quer nos dizer, pra que palavras? Um sorriso estampado no rosto vira o painel de vida, e o mundo percebe que está diante de um ser apaixonado.
E quando arrefece, perguntariam os pessimistas? Não há problema, porque o círculo de bondade já está feito e produziu conseqüências. Quando a paixão diminui e entra naquele nebuloso momento de se transformar em amor ou partir em busca de outra pessoa, a hecatombe de felicidade aconteceu. O mundo já se tornou um lugar melhor porque estivemos apaixonados, e aí, minha gente, quem quer saber da vida lá fora de juros altos, desemprego, eguinha pocotó e do nosso time que não ganha? Nós ouvimos estrelas, e elas nos contaram os segredos do mundo.


Meu Plano
Daniela Mercury

Meu plano era deixar você pensar o que quiser
Meu plano era deixar você pensar
Meu plano era deixar você falar o que quiser
Meu plano era deixar você falar
Coisas sem sentido
Sem motivos
Sem querer
Andei fazendo planos pra você

Engano seu achar que fosse brincadeira
Engano seu
Aconteceu de ser assim dessa maneira
E o plano é meu
Mesmo sem motivos
Sem sentido
Sem saber
Andei fazendo planos pra você

Pra você eu faço tudo e um pouco mais
Pra você ficar comigo e ninguém mais
Largo os compromissos
Deixo tudo ao largo
Você tenta em vão me convencer
Que é melhor não fazer planos pra você

Meu plano era deixar você fugir quando quiser
Meu plano era esperar você voltar
Engano seu achar que o plano é passageiro
Engano meu

Acho que o destino antes de nos conhecer
Fez um plano pra juntar eu e você.
Por Ed as 6:06 AM





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2/8/2004
(ao som de "Beginner's luck", by Ella Fitzgerald)

Hoje quis escrever sobre a divisão que ocorre na vida de todas as pessoas que se relacionam com pessoas especiais, que fazem diferença na vida de qualquer um com quem se envolvam.Aproveito pra agradecer a Patricia e Kellynha que me linkaram em seus blogs, assim que fizer um menu com os links dos blogs que visito retribuo a gentileza.
A música após o texto fala da sorte de principiante no amor, achei apropriada ao tema porque não há trilha sonora melhor que um jazz na voz da Ella Fitzgerald nessas noites chuvosas dos últimos tempos. Com um vinho e uma boa companhia então...


Pessoas especiais (tirando o duplo 6)

Ainda não cheguei à conclusão se pessoas especiais trazem mais benefícios ou prejuízos aos nossos relacionamentos.Quanto mais penso mais dúvidas aparecem, acho que nunca chegarei a nenhuma resposta. Mas que raio de coisa é essa de pessoa especial? Cada um tem sua receita, a minha é essa: é aquela pessoa que você nos primeiros encontros enche a boca pra dizer que vale a pena, se orgulha da sua escolha. Aquela pessoa bonita por fora e mais ainda por dentro, inteligente, que sabe sempre a hora de dizer a coisa certa ou de se calar, bem-humorada, divertida, de bem com a vida, otimista, que exala felicidade pelos poros e cria uma aura de admiração e (porque não?) inveja ao redor. Não confundir com aquela que cismamos e ninguém sabe o porquê, a que tem qualidades que só nós enxergamos, o amor-bandido, amor mal-resolvido ou amor por pessoas que não prestam. Pessoas especiais prestam. São aquelas que teus amigos olham e dizem: "Porque eu não tenho alguém assim pra mim?"
Conhecer pessoas especiais não é tão difícil assim, cruzamos pela vida com algumas em nosso ambiente de trabalho ou círculo de amizades. O problema é quando nos relacionamos com pessoas assim. Não estou me referindo àquelas paixonites platônicas onde uma pessoa idealiza a outra, geralmente em decorrência da beleza física dela ou carência nossa. Estou me referindo a relacionamentos da vida real, com direito ao tradicional começo, meio e fim. Aí, minha gente, estoura a boiada e vem a tormenta. Ao nos apaixonarmos por pessoas especiais e termos esse relacionamento terminado, não há como evitar a comparação com os amores seguintes. Elas destroem nosso senso de julgamento e abertura a novas paixões. É cruel, injusto, mas "that's life", como diz a canção. Nós começamos a achar que só merecemos pessoas especiais em nossa vida, e essas não aparecem em cada esquina. Criamos um padrão de expectativas em relação aos outros porque atingimos o topo na relação passada, e não queremos voltar à vidinha dos amores comuns de antes. Egoísta o ser - humano, quer sempre o melhor. Quem sofre, no caso, são os pobres "amores do dia seguinte". Nossos relacionamentos posteriores vão acabando de maneira mais rápida que o habitual, ou mais, nem deslancham, porque sabemos que a pessoa que está ao nosso lado não se compara à outra de antes.
Tenho inveja de pessoas que sempre tiveram amores comuns, porque as expectativas delas vão se basear no aceitável, no mediano, no que se encontra por aí com certa facilidade ou um pouco de insistência. Os outros poucos não: escravos de seu amor-próprio, ficam às vezes a vida toda procurando outra pessoa especial, e quebram a cara. Aí vem o lado curioso da história: pessoas especiais não aparecem assim, quando precisamos, quando queremos. Elas geralmente vêm na hora errada, quando o que mais necessitamos é a estabilidade duma paixão previsível. A solução, então, não existe. O chavão de que "o amor é um jogo" vem forte nesse momento: nós simplesmente não sabemos o modelo de comportamento a seguir depois disso. Podemos ficar reclusos no amor-próprio e na solidão esperando outra pessoa que valha a pena, descartando amores que poderiam vir a se tornar interessantes mas não chegam perto do nosso padrão estabelecido antes deles. Nessa espera, às vezes ficamos tempo suficiente pra nos arrependermos da opção e maldizer o mundo por não colocar mais gente assim ao nosso alcance. Podemos também pôr os pés e sentimentos no chão e darmos chance a pessoas que aparentemente podem não parecer atraentes da maneira como queremos, mas com potencial. Essa alternativa é a mais plausível, mas custa convencer o coração a ser plausível. Ele nunca é razoável e justo.
Só quem já teve a sorte (ou o azar, não sei) de cruzar com pessoas assim sabe o tormento que a vida se torna depois delas. Eu mesmo já cruzei com duas nessas andanças de uma paixão a outra,e o radar se dizimou depois de cada uma delas. Fiquei, como a maioria nessa situação, entre a espera de outra pessoa assim e a entrega a uma outra que valesse a pena, mas nem tanto. Acabei optando pela primeira opção, mas estou revendo meus conceitos e a cada dia que passa vou me convencendo a mudar pra segunda. No final das contas, tudo se resume a entregar os dados da nossa vontade de amar ao destino pra que ele os lance, e esperar ter sorte. Enquanto isso, resta irmos nos divertindo com as opções que aparecerem; mas se um dia tirarmos o duplo seis... é acender a vela e fazer de tudo pra nunca mais precisar jogar.

Beginner's Luck

At any gambling casino
From Monte Carlo to Reno
They tell you that a beginner
Comes out a winner

Beginner fishing for flounder
Will catch a 17 pounder
That's what I always heard
And thought absurd,
But now, I believe every word

For I've got beginner's luck
The first time that I'm in love
I'm in love with you
Gosh, I'm lucky

I've got beginner's luck
There never was such a smile
Or such eyes of blue
Gosh, I'm fortunate

The thing we've begun
Is much more than a pastime
For this time is the one
Where the first time is the last time

I've got beginner's luck
Lucky, through and through
Cause the first time that I'm in love
I'm in love with you

Sorte de Principiante

Em qualquer cassino
De Monte Carlo a Reno
Eles te dirão que um principiante
Se torna o vencedor

Principiantes fisgando o peixe
Pegarão um bem grande
É o que sempre ouvi
E pensava ser absurdo,
Mas agora acredito em cada palavra

Porque eu tive sorte de principiante
Na primeira vez que me apaixono
Estou apaixonado por você
Deus, como tenho sorte

Eu tenho sorte de principiante
Nunca houve um sorriso assim
Ou olhos tão azuis
Deus, como sou afortunado

Isso que começamos
É muito mais que um passatempo
Porque essa é aquela
Em que a primeira vez é a última vez

Eu tenho sorte de principiante
Totalmente sortudo,
Porque na primeira vez que me apaixono
Estou apaixonado por você
Por Ed as 2:52 AM





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2/6/2004
Peço desculpas antecipadamente pelo caráter pessoal do texto de hoje, que sai do tema do blog. Iria postar um texto sobre "pessoas que fazem diferença" que escrevi à tarde, vou ter que deixar pra amanhã.


Obrigado,professor

A morte de ídolos sempre nos entristece de alguma forma, porque perdemos parâmetros de comparação. Exemplos que tomamos como inspiração pra conquistarmos nossos próprios objetivos, porque sabemos que, se eles chegaram lá, nós também poderemos. Quando os ídolos são de certa maneira anônimos à maioria, mais especiais se tornam, porque são exemplos particulares, que carregamos conosco vida afora.
Estava conversando à tarde com minha amiga Cristine, de São Paulo, quando ela me contou da morte do prof. Wilson. Todos têm um prof. Wilson na vida. Aquele professor que a maioria da sala não gosta e que nós simpatizamos de cara sem saber ao certo o porquê. Aquele a cujas aulas mais nos esforçamos, mais tentamos impressionar, de quem mais lições de vida aprendemos. Aquele professor ou professora de quem carregaremos a lembrança pela eternidade.
Apesar de já estar em São Paulo havia mais de um ano, ainda me sentia um pouco o caipira perdido na cidade grande. São Paulo faz isso com você, é desconfiada e fria no início, demora a deixar as pessoas gostarem dela. Estava realizando dois sonhos, morar sozinho ainda bem novo e estudar num dos melhores colégios do país, o Porto Seguro. As dificuldades, é claro, eram proporcionais ao desafio, então passar de ano era um martírio, principalmente nas matérias com as quais nunca tive muita simpatia, as da área de Exatas. Foi em meio a esse contexto que passei a ter aulas com o professor Wilson. Lembro bem que as aulas dele eram logo depois das aulas de Alemão (que eu detestava), então ficava contando o tempo que faltava pra minha aula preferida começar. Acho que, como todo mundo, eu me identificava com aqueles professores que sabia serem assumidades no assunto, que quase sempre tinham uma resposta pronta a qualquer dúvida, e que, quando não tinham, não se envergonhavam em dizer que não sabiam ao invés de falar bobagem. Wilson era assim, embora não me lembre de uma vez em que deixou de responder qualquer dúvida de pronto.
Perdi a conta das lições de vida que aprendi com ele. Uma delas, que nunca me esqueci, é a da importância de se falar de acordo com o meio em que estivermos. Como ele dizia sempre, de que adianta ser um Rui Barbosa se você está conversando com empregados duma fazenda no interior do país? Importante é a mensagem, é se fazer entender. Aprendi que escrever tem uma responsabilidade muito maior que falar, porque a escrita fica como prova de nossa expressão, as palavras nem sempre. Creio que daria pra escrever um livro com uma parte das coisas que carrego de suas aulas, e não estou exagerando. Mais que tudo, entretanto, eu aprendi a crescer como pessoa, como ser - humano. Aprendi a ter autocrítica. Nunca ganhei um 10 dele. Por mais que me esforçasse, que amasse escrever, minhas redações sempre voltavam cheias de grifos vermelhos com erros e sugestões. Wilson raramente elogiava alguém, e quando o fazia vinha sempre com uma ponta de sarcasmo.
Eu sabia que escrevia de certa maneira bem pra minha idade, e as críticas e as notas que recebia dele me incomodavam de início. Certa vez, Bia, uma de minhas colegas, iniciou uma discussão com ele durante a aula após receber uma nota baixa de redação. Reclamava que ele era injusto nas correções, que sempre dava notas baixas a todos, e me citou como exemplo: "Até pro Edu que escreve bem o senhor dá nota baixa". Ele virou-se na direção dela e respondeu: "As notas de vocês eu dou com base no que precisam pra fazerem uma redação decente no vestibular. A nota dele é a diferença que falta pra ele chegar onde eu estou, no meu nível." Foi o maior elogio que recebi na vida; nunca, mas nunca mesmo, me esquecerei desse dia. Entendia, ali, o objetivo das críticas que recebia: ele acreditava no meu potencial, e eu não iria nunca querer desapontá-lo. Evidente que nunca ganhei o 10, nem poderia. Em outra oportunidade, quando já estava na faculdade, por coincidência acabei namorando uma de suas alunas do Porto Seguro à época, e voltamos a manter contato. Levei, então, o esboço do que seria meu primeiro livro pra que ele o prefaciasse. Ele me pediu pra voltar em 15 dias, sem dizer se faria ou não o prefácio. Já na certeza de uma resposta afirmativa retornei no prazo, quando recebo de volta a encadernação com os poemas. "Não vou fazer, você pode escrever muito melhor que isso, volte daqui uns anos quando estiver mais amadurecido, e, de preferência, com um texto em prosa"; foi o que ouvi. Não fiquei chateado porque sabia que ele era daquela maneira única: sinceridade pura. Acabei tendo o livro publicado mesmo assim pela Consultor, uma editora do RJ, e com o tempo percebi que ele estava, pra variar, certo: o livro era mesmo muito ruim. Naquela mesma época, ao encontrar numa dessas visitas ao colégio um outro ex-professor,o Luiz, ele me confidenciou que havia sido o Wilson quem me salvara na reunião do Conselho de Classe do último ano de colegial, quando eu havia reprovado por meio ponto de química (a matéria que menos gostava) e corria o risco de perder o ano.
Queria encontrá-lo agora, mais de 10 anos depois, e pedir sua opinião novamente, já que estou à beira de publicar outro livro. Queria pedir outro prefácio, ouvir novas críticas, ter outra opinião sincera. Queria agradecer pelo exemplo que foi pra mim e tenho certeza que pra muitos outros também. Queria, ao menos, poder dizer um simples "obrigado por tudo". Não vou poder.
O mundo perdeu um excepcional professor e escritor (sua gramática é adotada até hoje em muitas escolas no Brasil). Eu perdi mais: uma das minhas referências, um amigo, um ídolo, um exemplo. Queria poder deixar mais que essas linhas e algumas outras do livro, mas não consegui nem escrever um texto que simbolizasse um pouco o sentimento de vazio que ele nos deixou. Nunca gostei de despedidas, elas sempre me trazem a sensação de que nunca mais encontraremos as pessoas queridas. Até logo, professor Wilson.
Por Ed as 5:49 AM





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2/2/2004
(ao som de "Butterfly", acoustic by Lenny Kravitz)

Template novo (pra variar marítimo), graças à Amor que fez esse com a minha cara, e apropriado ao texto de hoje também: solidão. Os comentários sobre cada texto agora ficam logo acima dele e não abaixo, como antes. Durante a semana ainda vou fazer umas pequenas modificações e colocar os links pros blogs das pessoas que me linkaram e que costumo visitar sempre. Sugestões sempre bem-vindas.
Escolhi a música porque, além de gostar muito, acho que ela se une ao texto na medida que o amor, como a borboleta da letra, tem que ser livre para ir onde queira. Quando amamos com liberdade e livres de cobranças e expectativas, a borboleta nunca irá querer se afastar de seu ponto de origem. A solidão se torna, então, um desses vôos temporários. Carpe Diem.


Solidão

"Sou uma pessoa formada de ausências."(Marília Pera no filme "O Viajante", de 1998)

As pessoas tendem a encarar a solidão, na maioria das vezes, como prejudicial, negativa, algo a ser evitado. Até Leo Buscaglia costumava pensar dessa maneira, chegou a escrever certa vez que "o medo da solidão e da falta de amor é tão grande na maioria de nós que é possível que nos tornemos escravos desse medo".O medo da solidão deve ser combatido através dos relacionamentos, defendia ele. Eu sempre achei isso um paliativo.
Tentar combater a solidão através de relacionamentos amorosos pode surtir o efeito contrário. Ao nos decepcionarmos, o medo volta, mais forte e perigoso, e vamos nos enfraquecendo e cedendo aos nossos próprios preconceitos e nos fechando num obscuro universo particular que cria barreiras à aproximação de qualquer pessoa. O ponto principal, entretanto, é justamente esse: temos mesmo que temer a solidão?
Conheço várias pessoas que se apavoram com a possibilidade de ficarem sozinhas. Vão se arrastando de relação em relação com qualquer oportunidade surgida, o que importa é não ficarem sozinhas. Acabam decepcionando os outros e a si próprias quando percebem os erros de avaliação. Acabam, na maioria das vezes, se relacionando com pessoas por quem normalmente nunca se sentiriam atraídas, e quando o relacionamento acaba saem logo à caça dum outro pra substituir o anterior.
Anne Frank, em sua inocência de 13 anos e escondida dos nazistas no porão de uma casa em Berlim, escreveu em seu diário que "as pessoas podem estar sozinhas mesmo em meio a muita gente". Sábias palavras. Ela canalizou a própria solidão (no caso inevitável) em algo criativo, um diário descrevendo seu cotidiano. Fernando Pessoa disse que escrever nunca havia sido uma ambição, era apenas a maneira dele de estar sozinho. Não importa a maneira com que tratemos a solidão, o segredo está sempre no amor-próprio. Saber que temos algo de bom dentro de nós e querer desenvolvê-lo, gostarmos tanto de nós mesmos a ponto de não querermos dividir nossa intimidade com a primeira pessoa que nos aparece à frente, mas somente com aquelas que fazem diferença. Pessoas especiais, como nós. A pessoa que entende isso sabe conviver com a solidão e a transforma em crescimento. Todos, mesmo em meio a milhares de pessoas, temos nossos momentos introspectivos, e mais, precisamos deles. Precisamos às vezes ficar a sós pra analisar o rumo que estamos dando ao nosso destino, olhar pra dentro e enxergar os erros e acertos.
Semana passada estava conversando com uma amiga que reclamava do namorado não entender quando ela dizia estar se sentindo asfixiada com a relação, sem espaço. "- Ele não entende que eu só quero, às vezes, ficar sozinha em casa ouvindo música ao invés de sair, e isso não quer dizer que estou deixando de gostar dele", ela me confessou. O inusitado é que esse tipo de problema é mais comum que pensamos, e creio que já nos pegamos envolvidos nos dois lados dele. Quando a pessoa com quem estamos nos relacionando que passar uma tarde, um dia, um momento sozinha, e não em nossa companhia, ficamos prostrados perguntando o que estamos fazendo de errado, como se ela não tivesse direito a isso. Preservar nossa individualidade e respeitar a da outra pessoa é requisito básico num relacionamento saudável. Não há nada de errado em querermos dedicar, vez ou outra, um pouco de tempo a nós mesmos, a coisas que temos e precisamos fazer sozinhos. Não há nada de errado em gostar de nós mesmos, e a pessoa que não entende isso não merece estar ao nosso lado.
Nossos desertos interiores sempre estarão lá, prontos a serem descobertos a quem entregarmos as chaves da nossa intimidade. O gostoso é quando descobrimos que, antes que isso aconteça, a primeira pessoa a atravessar o deserto deve ser a que entrega as chaves, não as outras que as recebem. Só tem medo da solidão quem tem medo de se descobrir.



Butterfly
Lenny Kravitz

You are the most beautiful thing
i've ever seen
you shine just like sunlight rays
on a winter snow
i just had to tell you so
your eyes sparkle as the stars
like the moon that glow
your smile could light the world on fire
or did you know ?

your mind's full of everything that
i want to know
i just had to let you know
i just had to tell you so
you're my butterfly
fly high
fly fly fly

Borboleta

Você é a coisa mais bonita
que já vi
Você brilha como os raios do sol
sob a neve no inverno
Eu só tinha tanto que te dizer
seus olhos cintilam como as estrelas
como a lua que incandesce
Seu sorriso poderia incendiar o mundo
Ou você não sabia?

Sua cabeça está cheia de tudo que
Eu quero saber
Eu só queria que você soubesse
Eu só tinha tanto que te dizer
Você é minha borboleta
Voe alto
Voe voe voe
Por Ed as 5:18 AM






Textos pra discutir e tentar entender um pouco o mais complexo dos sentimentos...


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