Dezembro 28, 2011
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Novo blog

Amigos,estou mudando de endereço virtual, esse provavelmente será meu último post aqui. Deixarei o blog ativo, já que não pretendo migrar os posts antigos. Há algum tempo penso em dar um ar mais "clean" aos posts, e resolvi colocar em prática na virada desse ano. O novo blog não terá figuras ou fotos, apenas os textos e espaço pra comentários. Lá compartilharei, além dos textos, algumas bobagens que escrevo pros amigos via facebook. Escolhi o wordpress porque, além de gratuito, já é automaticamente configurado pra visualização em tablets e pra maioria dos navegadores,e tem os links de compartilhamento pras mídias sociais. Talvez ainda mude alguma coisa na aparência do blog, mas a essência é o que já está lá. Até o final da semana postarei um texto de fim-de-ano que estou terminando de escrever. Um ótimo 2012 a todos.

Http://eduneto.wordpress.com
Por Edú as 10:14 AM


Agosto 22, 2011
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O blog voltou, diferente. Além dos textos que costumava postar, eventualmente escrevo alguns numa linha mais corporativa, e estava na dúvida se deveria criar um blog específico pra eles ou juntar tudo no mesmo lugar. Ainda estou, mas por enquanto vou postando aqui mesmo, até pra tirar um pouco o pó do blog. Sugestões continuam bem-vindas. Uma ótima semana a todos!


“Isso também vai passar”

A primeira vez que me deparei com a frase foi num dos livros do Leo Buscaglia, nos anos 80, e é uma das poucas verdades absolutas que carrego vida afora. Já nos 90, ao entrevistar um diretor de RH da Procter & Gamble prum trabalho de faculdade, lá estava ela pregada no quadro acima da mesa: “Isso também vai passar”. Alguns meses atrás lembrei-me dela num ótimo texto do Rich Gallagher pro blog dele, uma alusão do complexo de Poliana ao mundo dos negócios.
Seja no mundo corporativo ou pessoal, não há como escapar da citação. Lembro da minha última visita aos EUA, no início de 2009, com 3 objetivos específicos além do turismo: tirar uma foto em frente ao New York Times (o jornal que mais admirava), outra dentro da Tower Records da Times Square (ícone dos amantes da música) e conhecer uma loja da Circuit City, uma das empresas citadas pelo Jim Collins em “Built to last” , um livro com uma análise incrível sobre as empresas que conseguiam perenizar-se, mantendo crescimento constante, mesmo nos dias de hoje. A Circuit City, um grupo de varejo de mais de 60 anos da área de tecnologia, me interessava em especial porque era a que apresentava melhores resultados nas últimas décadas dentre as analisadas pelo Collins. Tirei as fotos na Tower e NY Times,e conheci a Circuit City de Orlando. Exatamente 1 semana depois, a Circuit City anuncia o fechamento de todas as lojas nos EUA. Dois meses depois da foto, a Virgin anuncia o fechamento da Tower Records da Times Square, substituída por uma rede coreana de roupas. No mês seguinte, o Times anuncia a venda de sua sede. Ainda tenho as fotos de recordação, mas essa destruição de ícones em tão pouco tempo exemplifica a máxima de que sempre temos que nos preparar pro pior. E depois pro melhor. E novamente pro pior, numa eterna linha circular. A velocidade com que conglomerados industriais fundem-se, acabam ou mudam prum ramo completamente distinto é absurda, e muitas carreiras perdem os alicerces quando os envolvidos não conseguem vislumbrar a mudança, ou não se adaptam a ela.
Em junho participei de uma palestra do Renato Bernhoeft sobre governança em empresas familiares, e ele citou uma visita que fez a uma das empresas mais antigas da Italia, com séculos de duração, onde perguntou a um dos herdeiros o segredo da perenidade, e ouviu como resposta: ‘Em nossa empresa, há mortos que estão vivos e vivos que estão mortos.” A contextualização dessa frase daria um texto à parte, mas a relação com o tema está na adaptabilidade. Os ensinamentos dos mortos que ficaram como exemplo, o afastamento dos vivos que não se adequaram ao que era esperado deles, ou que não tinham aquilo como projeto de vida.
Por maior que seja o chavão, as mudanças continuarão batendo à nossa porta. Algumas vezes num sopro de brisa, outras arrebentando toda edificação. O que move a engrenagem é algo alheio à nossa vontade, mas o que fazemos a respeito marca toda diferença. Sabermos que a fase boa de hoje cedo ou tarde mudará, e nos prepararmos pra virada. Sabermos que a fase ruim dará lugar a outro período de prosperidade, mesmo que demore mais que gostaríamos, e aproveitarmos o início da boa onda.
A vida ensina que uma sólida formação acadêmica e um bom networking abrem diversas portas, mas nem sempre as mais interessantes. Há algumas delas especiais, abertas pela identificação. Abertas por quem se solidariza ao caráter, à gentileza, ao bom relacionamento corporativo, às pequenas atitudes do dia-a-dia. O próprio Jim Collins sempre afirmou em seus livros que de nada adianta a empresa implementar planos de mudança se, antes, não estiver cercada das pessoas certas.
A próxima revolução, talvez, seja essa, a da osmose pelo exemplo. Fazer a liderança contagiar o ambiente não apenas pelos resultados da gestão, mas pelo relacionamento interpessoal, pelo que os demais admiram nela em seu comportamernto cotidiano. Porque, num ótimo momento agora ou totalmente sem rumo do que virá a seguir, isso também vai passar . Mas o caráter mantém o barco que nos conduz em meio a esse oceano de incertezas e paradigmas quebrados.
Por Edú as 11:00 AM


Janeiro 12, 2010
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O telefonema de Paulo Bonfim (os poetas acordam cedo)

Início de 1992, 19 anos, morava à época em São Paulo, onde cursava administração na PUC. Havia lançado meu primeiro livro, “Ariadne”, um ano antes. Minha mãe resolvera passar uns dias comigo, o que eu sempre gostava porque aplacava um pouco a saudade que eu tinha de casa e da família. No dia seguinte à chegada dela, logo pela manhã, a vejo com um dos meus livros, aberto, vindo em minha direção: “- Faça uma dedicatória bem bonita ao Paulo Bonfim”, disse. “- O nome é em homenagem ao poeta, é algum amigo seu ou do meu pai?”, retruquei. “- Não, é o Paulo Bonfim mesmo, o poeta.”, respondeu. Percebendo que eu não tinha entendido nada, começou a explicar a situação. Na noite anterior ela assistira um programa de entrevistas do (finado) Clodovil, e o entrevistado da noite foi justamente o Paulo Bonfim. No programa, segundo ela, ele falara sobre o desapontamento que tinha em perceber que havia poucos poetas jovens, que a juventude não se interessava mais por poesia como na época dele, e que gostaria de receber trabalhos de gente nova que se interessasse por poesia. Eu não sei se o próprio Paulo disse no programa o endereço de onde morava ou minha mãe descobriu por si própria (não duvido que tenha sido dessa forma), mas o fato é que ela já estava com o endereço do apto dele nas mãos quando me entregou o livro, pronta pra sair.
Antes do fim da história, quero ressaltar a importância que o Paulo Bonfim tinha (e continua tendo) pra mim. Minha paixão pela literatura e pela poesia em especial veio da minha mãe, que desde cedo me introduziu a esse universo. Aos nove anos ganhei dela a coleção completa do Castro Alves e do JG de Araujo Jorge, depois tomei rumo próprio descobrindo os demais pela afinidade. Eu lia Paulo Bonfim desde os 13 anos, sempre foi uma das minhas referências. Além da poesia em si, me fascinava ele ter sido amigo íntimo do Guilherme de Almeida e da Tarsila do Amaral (a ponto de ter um livro ilustrado por ela), posteriormente a amizade com o Vinicius de Moraes, o título de “Príncipe dos Poetas” que perdura desde a década de 40, entre tantas outras coisas. Sempre o considerei um dos maiores poetas vivos brasileiros, talvez o maior deles.
Além da dedicatória, escrevi um bilhete contando um pouco da admiração que tinha pela obra e história de vida dele, pedindo desculpas pelo meu livro (que era, realmente, muito ruim) e agradecendo pelo exemplo. Meia hora depois minha mãe retorna, dizendo que havia deixado o livro e o bilhete na portaria do prédio dele. Missão cumprida. Alguns dias depois, num sábado (lembro bem) vem o susto: seis e meia da manhã ela irrompe pelo meu quarto, com cara de espanto e telefone nas mãos: “Acorda, é o Paulo Bonfim, ele quer falar com você.” Não fiquei nervoso porque não deu tempo, logo tomei o telefone sem entender como ele tinha o número, pra mais tarde descobrir que minha mãe acrescentou ao meu um bilhete dela própria, com nosso telefone. Respondi um “alô” sonolento, ao que ele retrucou: “Te acordei, poeta? Os poetas têm que acordar cedo, vá aprendendo”. Fiquei entre incrédulo e mudo, não sabia o que falar. Ele, talvez percebendo minha timidez e admiração, disse então que lera meu livro inteiro, citou alguns poemas que tinha gostado (por educação), o texto do prefácio do Arnaldo Niskier, e me incentivou a continuar escrevendo. Ainda perguntou das minhas influências, gostou quando citei Jorge de Lima (“É um dos meus preferidos, também”), foi de uma cordialidade e simpatia que eu não merecia nem imaginava receber duma pessoa como ele. Ao final ainda pediu que mandasse a ele meus livros posteriores, que ele gostaria de acompanhar meu amadurecimento literário. Demorei alguns dias pra assimilar tudo aquilo, e guardei essa história como se fosse um segredo entre eu, minha mãe e o próprio Paulo, que só a nós interessava porque ninguém entenderia a dimensão daquilo.
Ontem à noite, quase vinte anos depois, relendo “A Descoberta do Mundo”, da Clarice Lispector, achei alguns textos onde ela conta do encontro que teve com o Chico Buarque, que me remeteram à lembrança do telefonema do Paulo Bonfim. Ela menciona que o que mais a impressionou no Chico foi a candura, comum a ela também, e que pessoas com candura identificam-se umas nas outras. Paulo Bonfim é uma pessoa com candura de sentimentos, e como precisamos de mais pessoas assim no mundo. Com o amadurecimento nos transformamos naquela carapaça que a sociedade e os anseios de todos esperam que vistamos - até pra nossa própria proteção -, mas em alguns instantes da vida nos deparamos com pessoas de cara limpa que refletem o que éramos no início, e de como é importante que nos lembremos daquele semblante puro. Hoje, caso tivesse a oportunidade de falar novamente com Paulo Bonfim, não o agradeceria pelo exemplo de vida, como da outra vez. Agradeceria pela candura.
Por Edú as 2:17 PM


Dezembro 31, 2009
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(ao som de (Getting some) Fun out of life, by Madeleine Peyroux)

O blog tem outras duas novidades (graças, sempre, à Carla): agora meu twitter está integrado ao blog, aparecendo na barra à direita os 3 twits mais recentes. Há também, logo abaixo, a licença da Creative Commons, onde eu deixo claro como os textos desse blog podem ser utilizados. Tive uma surpresa desagradável quando vi alguns textos do blog reproduzidos em outros sites de forma errada, com cortes e mudanças não autorizadas que os descaracterizaram. É isso que eu quero evitar. Ao copiar, por favor, não alterem o título, não editem o texto e façam referência à fonte original, que é esse blog. Acho que não é pedir muito, não é mesmo?
O texto de fim-de-ano ficou completamente diferente do que queria. Estava finalizando um (que ainda pretendo postar semana que vem) baseado numa frase de “Antes de Partir”, mas ontem comecei a escrever o texto abaixo e resolvi publicá-lo. Achei mais interessante, embora saia um pouco da linha do blog. A música(uma antiga da Billie Holiday cantada pela Madeleine Peyroux, que está na trilha do “ Clube de Leitura de Jane Austen”) vem de encontro ao que eu desejo a todos nesse final de ano e no que se inicia: tirar um pouco mais de graça da vida. Quando encontramos a graça no processo, o fim realmente pouco importa. Que todos nós, em 2010, assim como a Billie cantava mais de 60 anos atrás, consigamos um pouco mais de graça na vida. Obrigado a todos que, de forma direta ou indireta, me ajudaram pra que tivesse um ano sensacional, apesar de alguns percalços que, no fim, me ajudaram bastante a crescer. Queria retribuir a essas pessoas 10% de toda alegria que me propiciaram, em especial nesses últimos 3 meses do ano. Um Feliz 2010 a todos, e Carpe Diem!


O mundo de Zacarias (conto de ano-novo)

Os homens são, na maioria, racionais. Racionalizam até os sonhos, colocando-os em cápsulas digeríveis por sua pouca ambição em transgredir. Zacarias, não. Era como se tivesse nascido nesse planeta, mas numa época diferente. Seus amigos, desde pequenos, gostavam de conversar sobre carros, mulheres que conquistaram ou fingiam ter conquistado, cigarros, política, coisas que queriam comprar. Tudo aquilo entediava Zacarias. Sonhava com o intangível, sim, mas o intangível do seu mundo esplendoroso. Zacarias queria ver o mar, tocar as estrelas, sentir o cheiro da chuva, ouvir o silêncio do pôr-do-sol. Passava-se por arredio, mas era duma timidez eloqüente que só ele entendia. Até o dia em que reconheceu outros habitantes de sua cápsula do tempo. Perspicaz nos detalhes, o código secreto estava nas entrelinhas, mas eles não encontravam dificuldade na identificação. Uma mulher lendo poesia na biblioteca, um casal admirando a chuva através da janela, os sinais eram fartos e conclusivos, logo apercebiam-se uns dos outros. Com o tempo, Zacarias formou o que chamava de “complô da felicidade”. Sempre que lhe atiravam balas de amargura ou tédio, unia-se a seu exército – que muitas vezes se resumia numa única companhia - e punha-se em disparada ao abrigo, geralmente uma grande ponte à beira do rio mais próximo. Lá isolava-se com sua turma em seu mundo atemporal, ria muito, pegava suas estrelas e pronto: tomava à força, de volta, a alegria.
Zacarias envelhecia, mas seu universo interior continuava o mesmo. O outro, de fora, também. Vez ou outra animava-se ao perceber os habitantes do mundo banal comentando sobre assuntos de seu mundo, o da cápsula. Escutava alguém falando sobre o amor e logo deduzia que o assunto não era realmente o amor, mas corpos estirados, troféus, finais de semana e diferentes conquistas. Então desviava a atenção e sentava-se, cabisbaixo, olhando para a água. Não era esse amor raso que o interessava, mas aquele outro, o das profundezas. Aquele que nem ele sabia definir, exceto que se diferenciava muito desse de marolas.
Um dia Zacarias desapareceu da cidade. Os amigos do mundo real divagavam o que teria acontecido, porque partira assim, sem aviso, em que confusão se metera. Os outros amigos, os do complô da felicidade, da cápsula de tempo, sabiam. “Zacarias pegou o barco em direção ao mar”, sussurravam, orgulhosos de sua coragem. Ansiavam por sua volta e histórias que contaria. Não sabiam do plano, mas imaginavam que Zacarias pensara tudo antecipadamente, antevera as tempestades, as gaivotas nos dias claros, memorizara rotas em suas noites de insônia, enquanto os outros se ocupavam com mesquinharias.
Foi em setembro que a preocupação ganhou formas, já que Zacarias não retornava tampouco mandava sinais. Nem aos amigos do mundo real, com e-mails ou telefonemas, nem aos do complô da felicidade, com mensagens em estrelas cadentes ou pombos-correios. O alvoroço durou mais alguns meses, até que os jornais locais mudaram as manchetes e as pessoas cansaram-se de esperá-lo. Dois ou três colegas da cápsula ainda mantiveram fragmentos de esperança, mas mesmos esses sucumbiram à rotina dos meses seguintes, que afetou a todos os mundos.
Ninguém o reconheceu quando Zacarias retornou, três anos depois, às vésperas do ano-novo. Não fosse pelas crianças que se aglomeravam ao seu redor, estupefatas com as histórias de sargaços, rebentações, espumas salgadas e medusas, talvez sua presença passasse despercebida até aos velhos amigos. A notícia logo se espalhou, e todos queriam ouvir seus relatos. “Sentira medo? Conhecera o amor das profundezas?”, eram as perguntas mais comuns. Zacarias sequer sabia que tinha ido tão longe até começar a contar suas histórias. Não sabia responder à maioria das perguntas, mesmo assim adorava falar das constelações que quase o cegaram com seu brilho nas noites quentes, das carícias nos tapetes de algas, do sopro marinho de toda manhã que o acordava. "- Porque retornaste, então?” ouviu de uma pessoa. “- Porque é ano-novo, e quero me divertir”, respondeu sem muita convicção, com aquele sorriso de quem conhecera a beleza do universo. Então notou o semblante esguio da moça que lhe fitava, de longe, atenta ao seu discurso mas discreta o suficiente pra não transparecer.
Exatamente um ano depois Zacarias parte novamente, dessa vez em companhia da moça de olhos castanhos, cabelos compridos e semblante esguio. Dessa vez, ninguém estranhou. O mundo normal logo voltou a atenção aos carros novos, às eleições, aos assuntos de casa. O outro mundo, aquele a que Zacarias pertencia, não. Continuavam sonhando e torcendo por ele, em silêncio. “Será que teve sorte, encontrou o amor das profundezas ao lado da moça? Voltará pra nos contar do sal da terra e da dança do mar?”, indagavam e torciam.
De vez em quando a brisa agitava as palmeiras à beira da praia, e o complô da felicidade e os habitantes da cápsula do tempo lembravam-se de Zacarias, como que respondendo a um sinal previamente combinado. Ninguém sabia de seu paradeiro, mas agora isso já não mais importava. Estavam todos despertos, alheios ao banal e atentos ao que realmente fazia sentido. Zacarias partira em busca de seu sonho, rumo ao desconhecido, e era como se uma cortina eterna de perspectivas surgisse àqueles que ficaram. A cápsula do tempo cresceria com o passar dos anos, enquanto o resto do mundo continuaria a se perguntar o porquê daquele estranho povo de Zacarias viver eternamente num sonho de esperança e otimismo, do qual sabiam que não queriam – nem iriam – jamais acordar.


(Getting Some) Fun Out Of Life

(Billie Holiday)

When we want to love, we love
When we want to kiss, we kiss
With a little petting, we're getting
Some fun out of life

When we want to work, we work
When we wanna play, we play
In a happy setting, we're getting
Some fun out of life

Maybe we do the right things
Maybe we do the wrong
Spending each day
Wending our way along

But when we want to sing, we sing
When we want to dance, we dance
You can do your betting, we're getting
Some fun out of life

Maybe we do the right things
Maybe we do the wrong
Spending each day
Wending our way along

But when we want to sing, we sing
When we wanna dance, we dance
You can do your betting, we're getting
Some fun out of life.

(Conseguindo um pouco de) graça na vida
Billie Holiday

Quando nós queremos amar, nós amamos
Quando nós queremos beijar, nós beijamos
Com um pouco de agrado, nós estamos
Conseguindo um pouco de graça na vida

Quando nós queremos trabalhar, nós trabalhamos
Quando nós queremos brincar, nós brincamos
Numa combinação feliz, nós estamos
Conseguindo um pouco de graça na vida

Talvez nós façamos as coisas certas
Talvez façamos as erradas
Passando cada dia
Direcionando nosso caminho

Mas quando nós queremos cantar, nós cantamos
Quando nós queremos dançar, nós dançamos
Você pode apostar, nós estamos
Conseguindo um pouco de graça na vida

Talvez nós façamos as coisas certas
Talvez façamos as erradas
Passando cada dia
Direcionando nosso caminho

Mas quando nós queremos cantar, nós cantamos
Quando nós queremos dançar, nós dançamos
Você pode apostar, nós estamos
Conseguindo um pouco de graça na vida.
Por Edú as 3:33 PM


Dezembro 6, 2009
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(ao som de “Make someone happy”, by Sophie Milman)

E o blog voltou. O texto de hoje é pessoal, mas explica um pouco a ausência desses meses. O blog também está com algumas modificações, todas elas graças e por causa da Carla, que me incentivou nas últimas semanas a retomar a publicação dos textos, e fez todo esse trabalho de organização que aparece aqui. Agora o blog está ajustado a todos os navegadores, logo abaixo do contador há links pro meu twitter, orkut e facebook. Passei a usar recentemente o twitter como um complemento pro blog. Muitas vezes quero comentar sobre algum filme ou trecho de livro que acho interessantes e o blog não é o espaço adequado, então usarei o twitter. O Orkut ainda é a minha rede social preferida, é meu espaço pra entrar com contato com os amigos e fazer novas amizades. E o facebook... bom, o facebook é o facebook, oras.
A música que acompanha o texto é uma antiga do musical “A Noviça Rebelde”, na voz da Sophie Milman, outra nova cantora de jazz que descobri recentemente e por quem estou apaixonado, tanto pela voz, repertório e estilo. Como não achei no youtube a versão da Sophie pra música(que está no último cd), coloquei uma antiga, na voz inesquecível da Judy Garland. Uma ótima semana a todos e Carpe Diem!


O que realmente importa

No final de abril deste ano tive que me submeter a uma cirurgia. Dois procedimentos cirúrgicos realizados simultaneamente, que, embora demandassem um pequeno risco, não me causavam muita preocupação. No dia marcado, já no hospital à hora da anestesia, uma enfermeira aproximou-se de mim pra me tranqüilizar e comentar que ela também já havia passado pelo mesmo procedimento que eu, com o mesmo médico, e que iria me acompanhar até o início da operação. Aquela mão desconhecida apertando a minha, enquanto estava na maca sendo sedado, me causou uma tranqüilidade reconfortante maior que qualquer palavra que alguém pudesse me dizer. Era como se ela sussurrasse: “Não se preocupe que tudo correrá bem.” A operação posterior, embora tenha durado cinco horas, foi um sucesso, pouco tempo depois acordava da anestesia sem praticamente nenhuma dor.
Os problemas começaram no final daquela tarde, quando, sem motivo aparente, minha pressão começou a subir de maneira perigosa mesmo com os remédios que me administraram no quarto. Durante a noite, vendo que a pressão continuava subindo (já estava em 23x17) e os remédios não faziam efeito algum, os médicos resolveram me transferir pra UTI. Eu nunca havia estado numa UTI dum hospital antes, seja como paciente ou visitando alguém, e é um ambiente difícil de descrever, por tudo que envolve: você consciente de que está num lugar por um motivo preocupante, pessoas morrendo à sua volta, (foram cinco só naquela primeira noite), enquanto você presencia tudo de maneira temerosa, torcendo pra não ser o próximo. Logo comecei a receber a medicação intravenosa e começou aquele estado de sonolência que iria se prolongar pelos próximos dias. Na madrugada acordo com a voz de dois médicos conversando à beira do meu leito sobre minha situação, um deles dizendo que mesmo com a dosagem alta dos remédios minha pressão não baixava, o outro respondendo que não havia mais como aumentar a dosagem e pedindo que a equipe ficasse atenta ao meu estado. Naquele exato instante, pela primeira vez na vida, tive a sensação de que talvez não sobrevivesse ao dia seguinte.
Não comentarei sobre a série de sentimentos que me acometeram nos minutos seguintes porque esse não é o objetivo do texto, mas quando o pensamento voava nas suposições ouvi uma outra voz, dizendo: “Vou te tirar daqui, você nunca vai melhorar vendo essas pessoas morrendo do seu lado”. Era outra enfermeira, que acabou sendo meu anjo da guarda nos dias seguintes, me removendo pra outro setor da UTI, mais tranqüilo. A tranqüilidade não durou muito, ao final do dia seguinte os médicos “descobriram” minha remoção não autorizada e ordenaram que retornasse à sala principal da UTI, onde fiquei mais alguns dias. Aos poucos fui me familiarizando com a equipe de enfermeiros do hospital, e não foram poucos os momentos em que eles me surpreendiam com as pequenas atitudes espontâneas de carinho, que deram uma dimensão à minha melhora que nunca imaginaram. Bilhetes e recados que a família me mandava e não poderiam ser entregues pelas normas do hospital, conversas tranqüilizadoras, notícias sobre meu estado sempre que saia o resultado de algum exame. Num dos dias posteriores em que ainda estava na UTI, naquele estado onde não diferenciava o dia da noite pela sedação dos remédios e impossibilidade de dormir continuamente por mais de meia hora, sou acordado com um rosto sorridente da enfermeira: “Nós temos uma surpresa, mas você não pode contar pra nenhum dos médicos”. Enquanto pensava no que poderia ser, dois enfermeiros a ajudavam a levar meu leito até outro lugar da UTI onde uma pessoa tentava ligar uma TV improvisada sobre um banco. Eles haviam notado a tatuagem que tenho do meu time de futebol, e, como naquele dia acontecia um dos jogos decisivos do campeonato, prepararam a surpresa, deixar que visse uma parte do jogo. Não consegui acompanhar o jogo todo por causa da sonolência, mas nunca esquecerei o rosto de satisfação deles notando minha felicidade em presenciar aquele momento, principalmente depois que eu, brincando, disse: “pronto, podem me levar, já posso morrer agora”, após o famoso gol do Ronaldo na vila Belmiro. Com o decorrer dos dias minha saúde foi melhorando, da UTI passei a um quarto comum, mas a atenção que todos me dispensavam continuava igual. Felizmente, cerca de 10 dias após a entrada na UTI, fui liberado pra voltar pra casa, onde continuei o tratamento até me recuperar de vez.
Nunca mais encontrei nenhuma pessoa daquela equipe de enfermeiros que me trataram tão bem, mas não são poucas as vezes em que penso neles, ainda hoje, quase 8 meses depois de tudo. Às vezes me pego numa situação em que possa me irritar por causa do trabalho ou da vida pessoal, e me lembro daquela equipe, das situações estressantes a que eram submetidos várias vezes ao dia, e de como sempre estavam com um sorriso no rosto e uma atitude positiva, de como gostavam daquilo que faziam e de como, bem mais que os próprios médicos, apercebiam-se dum fator tão importante quanto os remédios num tratamento – o emocional. E aí chego à conclusão de que as pequenas bobagens do dia-a-dia são o que aparentam ser – bobagens, de que muitas vezes somos atingidos por situações que se desenvolvem alheias à nossa vontade, e da importância de, nesses instantes, mantermos, além de esperança, um sorriso no rosto que demonstre o painel de vida que carregamos por dentro. Então percebo que o amor pode até mover as tais montanhas, mas há algo mais importante que o próprio amor, a girar, diariamente, toda essa engrenagem: a gentileza.


Make someone happy
(styne/comden/green)

Make someone happy,
Make just one someone happy.
Make just one heart the heart you sing to.
One smile that cheers you,
One face that lights when it nears you.
One gal you're everything to.

Fame, if you win it,
Comes and goes in a minute.
Where's the real stuff in life to cling to?
Love is the answer,
Someone to love is the answer.
Once you've found her,
Build your world around her.
Make someone happy.
Make just one someone happy
And you will be happy too.

Faça alguém feliz

Faça alguém feliz,
Faça só uma pessoa feliz,
Faça apenas um coração ser o coração pro qual você canta.
Um sorriso que te anima,
Um rosto que se ilumina quando está perto do seu
Uma pessoa pra quem você é tudo.
Fama, se você conquistá-la,
Vem e vai num minuto.
Qual é a coisa real na vida pra nos apegarmos?
O amor é a resposta,
Alguém pra amar é a resposta.
Uma vez que você a encontra,
Construa seu mundo ao redor dela.
Faça alguém feliz
Faça só uma pessoa feliz
E você será feliz também.
Por Edú as 11:50 PM


Março 10, 2009
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(ao som de "Time after time" , by Cassandra Wilson)

O post de hoje surgiu de uma surpresa. Descobri, por acaso, um texto da Clarice Lispector chamado “estado de graça” na antologia “The book lover”, onde a autora, Ali Smith, reuniu trechos de livros e poemas de autores do mundo todo que a marcaram. Pra quem gosta de escrever o livro é uma bíblia de fontes de inspiração, e foi reconfortante encontrar nessa antologia um texto (que eu desconhecia) tão bonito da Clarice. O “estado de graça” dela transformou-se nas cápsulas de infinito que quis retratar abaixo. Aliás, um dos meus “estados de graça” das últimas férias foi visitar meu conceito de Disneylândia, a sessão de literatura e poesia da Barnes & Noble de Greenwich Village. Foi um dos momentos mastercard da vida, passar uma tarde inteira numa livraria com um excepcional acervo, com atendentes solícitos que realmente entendem do assunto e conhecem o que estão vendendo. A partir de agora acabaram-se minhas desculpas pra não atualizar o blog, livros pra inspirar não faltam. Já selecionei alguns trechos pra compartilhar no blog a partir da próxima semana.
Tive que fazer uma mudança no sistema de comentários do blog. Recebi um e-mail do blogger me pedindo pra mudar o login porque meu cadastro antigo não seria mais aceito a partir de março, e, ao criar um novo login, o sistema de comentários zerou ao juntar as contas. Não tive outra opção, ou retirava de vez os comentários ou deixava como está agora, e infelizmente, por causa disso, perdi todos os comentários dos posts anteriores. O lado bom é que a partir de agora, com contas integradas, ficou mais fácil gerenciar tudo, e não precisarei mudar de endereço virtual. Uma ótima semana a todos, e Carpe Diem!


As cápsulas do Infinito

Todas as pessoas especiais que conheci guardavam ao menos um vidro cheio de cápsulas do infinito. Todas, porque não vislumbro a palavra “especial” em alguém sem flashes de infinitos plenos. Não me refiro à felicidade, que todos a conhecemos, mesmo que seja pelos outros. A felicidade dá as caras, sai pruma volta no jardim, retorna alguns anos depois e fica nesse entra e sai até nos acostumarmos e esquecermos de sua presença. As cápsulas de infinito não, têm outro objetivo. Elas formam nossas gotas de euforia. Permanecem.
Quando afirmo “cápsulas” não quero associá-las a nenhum fármaco ou substância química, que minhas cápsulas compõem-se da mais inocente esperança e fé. O infinito contido nelas tampouco constitui-se de devaneios porque formou-se de instantes, reais, que nos marcaram. Aquele arremesso final que ganhou o jogo, o reconhecimento público, o beijo inesperado, a surpresa do êxtase no instante desacreditado, a vitória profissional, a palpitação antes da certeza do amor correspondido, a música compartilhada com uma só pessoa vida afora. As pequenas coisas guardadas, o momento em que nós - e apenas nós – captamos a certeza de eterno e o aprisionamos numa cápsula de lembrança a ser tomada depois.
As cápsulas do infinito entorpecem a percepção, abrindo-nos à bondade que repousa nos outros. Não é um entorpecimento imaginário, entretanto. Aspiramos o hálito que vem da exata combinação espiritual que emana das pessoas que nos cercam, .e as cápsulas vão se depositando no frasco. Ao abri-lo sem razão aparente (e a falta de motivos aparentes constitui-se na mais justa razão pra abrir o frasco), as cápsulas descem pela garganta da nossa ingenuidade, e logo fazem efeito. O corpo, num transe, dá vazão à estupefação, à maravilha de saber que, em algum momento passado, fizemos a diferença. Vislumbramos exatamente o ponto onde as expectativas cruzaram a linha imaginária para a outra metade, real, e tornaram-se, num misto de sorte e destino, instantes plenos da eternidade que mais tarde conheceríamos como estado de graça.
Quando finalmente tomamos alguma cápsula de infinito em nossa imaginação as conversas tornam-se proibidas, não há espaço para palavras. Sentamo-nos, sozinhos, em algum lugar tranqüilo, enquanto as cápsulas trilham seu caminho pelo entusiasmo. O curioso é que não há como definir a sensação, tudo torna-se impalpável nessa hora: os objetos ao redor, as opiniões alheias, a verdade do mundo. De repente nossa vida simples e ordinária passa a uma perspectiva tão singela que sequer nos reconhecemos na imagem que se forma, e apenas ser uma pessoa humana, com todos os defeitos e virtudes do pacote, adquire uma importância absurda. As boas lembranças das cápsulas nos trazem de volta a certeza de sermos únicos e especiais, e azar de quem não compreende isso.
As cápsulas do infinito não podem ser usada pra tudo, ou perderiam o efeito. Acostumar-se à felicidade é um vício traiçoeiro abafado pela rotina, e as cápsulas não a têm como objetivo, mas sim nos transformar em pessoas melhores. Seu infinito se resume a pequenos e suficientes instantes, suficientes pra que o corpo se entregue a espasmos transfigurados num sorriso de canto de boca. E se alguém nos visse nesse instante, diria presenciar o sorriso mais bonito do mundo.

Há dias em que precisamos redimir a condição humana das conveniências, discussões, arrependimentos, limitações, incertezas e decepções menores do cotidiano. Mesmo nos instantes mais pessimistas sempre nos resta uma cápsula guardada. A derradeira até aquele momento, a que nos aponta que possuímos, em verdade, a essência da vida. Compreendemos o que o mundo exaure de nós, restituído por alguns mágicos instantes plenos ao longo da existência. E lamentamos não controlar a mente de tal forma a pegar uma cápsula de infinito sempre que necessário, principalmente naquelas madrugadas que formaram outras cápsulas, as tristes e doloridas. Mas essas devem repousar na árida imensidão de nosso deserto interno, que a realidade por vezes já é cruel o suficiente pra precisar de um impulso sofredor.
Por Edú as 4:34 AM


Fevereiro 8, 2009
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Instantâneo de felicidade

Por que ela veio, silenciosamente, ao meu lado esquerdo
E pousou em meu braço sua rude serenidade .
Ela é multifacetada mas com uma só cor,
Por seus cabelos escorrem longos trechos sinuosos
de espanto.
Essa brisa amorosa move minhas mãos até seu queixo desprotegido,
Que, nesse instante,
forma a imagem da inocência de crianças brincando na grama.

Finalmente percebo, então,
Que se a alma desse um passo além de meu próprio corpo
Eu me perderia nesse retrato abençoado.

Por Edú as 2:01 AM


Novembro 30, 2008
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(ao som de “Here”, by Tindersticks)

Mudei um pouco o estilo dos textos nos últimos meses, já que ando escrevendo alguns contos que, depois do teste da gaveta, talvez sejam reunidos pruma publicação no final do ano que vem. Não postei nenhum antes por achar que não faz muito o estilo deste blog, mas já que não atualizava há um bom tempo, correrei o risco. Como li muito Virginia Woolf esse mês ( poesia e prosa), compartilho um pequeno conto que escrevi após ler um dos textos dela. Acho que a música do Tindersticks se encaixa no espírito do conto. Um ótimo início de dezembro a todos e Carpe Diem!



Os gansos

Inspirado no conto “Segunda ou terça”, de Virginia Woolf

Os gansos surgiram num final de quinta, já brincando à beira do lago, mergulhando pela água turva mas despoluída. Passaram acima da fumaça das fábricas de reciclagem próximas, pelo engarrafamento movido a motociclistas ensandecidos, e agora brincavam, num aparente regozijo, à visão de quem se apercebesse.
Derramando uma cumplicidade pueril, espirravam golfadas de água e esperança nos mais novos, que, por instinto, batiam as asas sem a preocupação de serem vigiados. Uma senhora de anáguas pretas, que os observava, toma nas mãos o relógio que adorna seu escapulário e preocupa-se ao notar que passava das cinco, para em seguida lembrar-se de que não havia nada mais interessante a fazer que continuar observando os gansos. “– Onde está a mudança?”, balbuciou enquanto o vento desmanchava seus cabelos.
Mais à esquerda passa a garota que acabara de ganhar a câmera digital, enchendo a memória da máquina com instantâneos das aves. Eternizava cada detalhe diferente à sua percepção, encantada com os novos habitantes de seu mundo. Mais tarde seus pais lamentariam a falta de diversidade das fotos, como se desconhecessem que a beleza residia justamente no inesperado, no desconhecido. A garota não perguntou sobre a mudança.
Sentados num banco de tronco de madeira via-se o casal adolescente, enamorados há algum tempo porém sem o frescor do início de relacionamento. A visão dos gansos trouxe-lhes, por um instante, a vontade de chegar mais perto e observar os detalhes daquela dança aquática. Certamente o fariam alguns anos atrás, mas retesaram-se em sua preguiça enfadonha e continuaram a conversa pequena dos últimos meses. . “– Onde está a mudança?”, pensaram, ambos, enquanto voltavam os olhos aos gansos novamente.
Durante oito dias os gansos permaneceram no lago, sem que os atormentassem. Ninguém suspeitou que partiriam, nem com a brisa gelada que marcou a chegada do fim-de-semana seguinte. Sem aviso o ganso mais velho bateu asas freneticamente até desgarrar-se da água e ganhar altura. Os demais o acompanharam, um a um, no vôo de retorno ao Pacífico. A mesma garota das fotos a tudo observava, e lamentou não ter próxima a câmera pra registrar aquele momento. A imagem das aves em seu início de vôo, depois já nas alturas, passando pelas árvores naquele céu borrado de azul, a acompanharia até a terceira pessoa que despedaçasse seu coração. “- E a mudança?”, continuaram a perguntar nos meses seguintes os sonâmbulos de alma que moravam próximos ao lago. A garota, não. Ela sabia.
Por Edú as 1:40 AM


Agosto 18, 2008
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(ao som de "My destiny", by Katharine McPhee)

Semana passada recebi uma ligação da minha irmã perguntando se já tinha visto “Sex & the City”. Respondi que não, porque gostava muito do seriado mas todas as críticas foram muito ruins em relação ao filme. Ela então me pediu que visse, porque lembrou-se de mim em uma cena (o diálogo segue abaixo) por causa do otimismo que o filme passa àquelas pessoas que teimam, como eu, em acreditar nos relacionamentos mesmo com as experiências ruins do passado. Como não se nega nada a uma mulher grávida de 8 meses, vi, e, como ela previu, gostei muito. Acho até que o filme renderá mais um ou dois textos. No de hoje, que escrevi em meio a mais uma madrugada insone do final de semana, voltei a um assunto que já abordei alguns anos atrás: o prazer de nos relacionarmos com pessoas que, além de amar, admiramos. Um ótimo início de semana a todos, e Carpe Diem!


- Precisamos conversar. Estou aqui, sentado, tentando escrever os votos de casamento e... isso é algo que você realmente quer fazer?
- Qual o problema?
- É que... tudo está tão bom do jeito que está, não quero arruinar nada.
- Você não vai.
- Eu já fui casado duas vezes.
- É o seguinte: é comigo que você se casará amanhã. Comigo, e com ninguém mais.
- É.
- E eu vou me casar com você. Somos só eu e você. E quer ouvir a grande notícia disso?
- Sim.
- Nós já fizemos tudo que podíamos pra estragar.
(Mr Big sorri)
- É um sorriso que estou ouvindo?
- Sim.
- Me parece que você tem um bloqueio mental sobre escrever votos de casamento.
- Sim.
- E eu descobri, como escritora profissional que sou, que é melhor que você pare de pensar tanto nisso, vá se deitar e, pela manhã...
- Eu saberei o que fazer.
- Exatamente.
- E se não funcionar, escreva só isso: “Eu te amarei.” Simples, direto ao ponto e eu juro que não cobrarei direitos autorais. Então você já vai dormir, não?
- Sim. Boa noite.
- Te vejo amanhã. E, olhe, somos só você e eu.
(conversa ao telefone entre Mr. Big e Carrie, na véspera do casamento, em Sex & the city)




Girassóis a Van Gogh

“To love you baby is my pride”. (trecho da letra de “Smile”, Simply Red)


Acredito que o primeiro golpe fatal do amor não é o fim da paixão, mas o fim da admiração. A paixão quando arrefece pode transformar-se em amor sereno e duradouro, mas a admiração que se perde dificilmente retorna. Apaixonados, colocamos num pedestal banalidades que certamente se esfacelarão depois, mas quando a paixão correspondida vem junto com a admiração, as tintas ganham um ar maroto, otimista, alegre. Quando admiramos, reconhecemos na outra face aquilo que também carregamos ou que gostaríamos de ter, fragmentos de nossas aspirações materializam-se no outro corpo. A admiração é terna porque faz com que nos aproximemos de nossos próprios sonhos na outra pessoa. E como é bom ter sentimentos altruístas assim.
É ótimo amar pessoas que admiramos e que os outros também reconhecem nelas as qualidades que vemos, porque nos dá a gostosa sensação de vitória interior, de ter escolhido uma pessoa que se destaca em meio à futilidade que nos cerca, aos amores “meia-boca” que tivemos ao longo da vida. Não me refiro à admiração que vem de talento artístico ou literário, mas também a outras intrínsecas, bem mais simples, como sinceridade ou empatia. Ontem reencontrei, por acaso, uma antiga namorada e lembrei-me de como a admirava pela habilidade que ela tinha em fazer e cativar amigos. Nunca conheci uma única pessoa que não gostasse dela, que não a admirasse pela beleza que carregava no caráter. Durante os quase três anos de namoro não foram poucas as pessoas que se aproximaram de mim pra uma frase de elogio sobre ela, ou de repreensão quando terminei o relacionamento pelas famosas “razões que a própria razão desconhece”. A admiração, entretanto, permanece.
Talvez a batalha mais inglória num relacionamento seja manter intacta, no cotidiano, essa admiração pela pessoa ao nosso lado. A rotina banaliza a admiração que temos pelos outros, passamos a achar que as qualidades que víamos muitas vezes transformam-se em defeitos, e o caminho está aberto pra que o amor agonize. O tapa na cara vem depois, na vivência dos relacionamentos posteriores, quando enfim percebemos que as qualidades que em algum momento deixamos de valorizar naquela pessoa de antes não eram tão comuns assim, mas aí o estrago já está feito. As pessoas comuns voltam a passear em nosso coração, mas não as queremos mais porque sentimos o gosto daquelas outras, e a criança emburrada que carregamos vem à tona gritando que não, não aceitaremos mais pessoas que não despertem em nós sentimentos de admiração. Por orgulho, ao menos.
Admirar alguém que se ama é como colocar girassóis a mais em quadros do Van Gogh. Podemos tentar colocar as mesmas flores depois em outros quadros de outras paixões, mas sabemos que nada acrescentarão a pinturas baratas. Mas ao nos relacionarmos com essas poucas pessoas dignas de admiração, eternizamos na alma uma pintura que só antevíamos nas galerias de relacionamentos que não nos pertenciam. E então descobrimos que podemos, também, ter nossas próprias obras de arte. Como o pequeno príncipe com sua raposa, tornamo-nos responsáveis pela pintura que cativamos. E vemos então que não há nada mais bonito que aquele quadro em destaque, aquele pequeno quadro, aquele colorido e magnífico quadro, aquele frágil quadro, aquele nosso quadro.
Por Edú as 3:40 AM


Agosto 3, 2008
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(ao som de “Mystery”, by Live)

O texto de hoje veio em decorrência da perda de um colega de trabalho, anteontem, numa execução sem sentido. Iria escrever um texto sobre orgulho que já estava quase pronto, mas quis retornar a um assunto que já abordei antes no blog - a importância de dizermos o que sentimos àqueles que fazem diferença em nossa vida. Uma ótima semana a todos, e, acima de tudo, Carpe Diem!


As mesquinharias da chuva

Que me desculpem os religiosos pela presunção, mas eu não acredito que exista um Paraíso ou algo parecido após a morte. Em verdade, não acredito que exista um Deus. Ou talvez até acredite, mas minha definição passa bem longe da de qualquer religião. Decidi que não vale a pena conjecturar sobre a existência de algo maior enquanto aquilo de que sei, a vida lá fora, passa atropelando e reformulando coisas que tínhamos como garantidas. Há ocasiões, entretanto, em que as coincidências teimam em afirmar que algo no mínimo estranho brinca com nosso destino. E isso assusta. Ontem perdi um amigo e colega de trabalho por mais de 15 anos, num assassinato cruel. No dia em que morreu ele esteve comigo em minha empresa, não nos víamos desde maio. Disse que tinha sonhado comigo e com meu pai, e havia passado só pra saber se estava tudo bem conosco e nos dar um abraço. E foi o que fez, ficou lá menos de dez minutos. Na conversa com meu pai, que presenciei, agradeceu a ele por algumas oportunidades que teve no início da carreira, e foi embora sorrindo. Doze horas depois fomos informados do assassinato. Hoje, no funeral, o irmão dele me confidenciou que essa situação não foi a única, que ele sentia de alguma forma o que iria acontecer e estava, inconscientemente, despedindo-se das pessoas do seu convívio. Que disse, nos dias que antecederam sua morte, palavras carinhosas à filha, aos funcionários, à ex-mulher e algumas outras pessoas. Ainda acredito que tudo foi realmente uma coincidência, mas invejo o Raul porque ele teve a oportunidade de dizer às pessoas com quem convivia palavras que todas elas já sabiam, mas que adquirirão agora uma nova amplitude diante do acontecido, e tenho certeza que reconfortarão a todos que as ouviram.
Leo Buscaglia certa vez escreveu que, se a humanidade descobrisse que teria apenas mais 5 minutos de vida, todas as linhas telefônicas ficariam congestionadas de pessoas ligando umas às outras pra dizer, entre lágrimas, que as amavam. E ele então perguntava: “Porque não fazer isso agora?” Perdemos tanto tempo com as mesquinharias do dia-a-dia que acabamos num estado de letargia em relação ao que o futuro nos reserva. Tomamos coisas como garantidas, situações como de fácil solução, ouvimos pessoas cujo exemplo não as credencia a qualquer conselho, e pior, chegamos à presunção de achar que sabemos o que se passa na mente daqueles que nos cercam, como se as pessoas fossem assim, simples e previsíveis. Não são.
Li hoje na Vida Simples um texto sobre qual seria a melhor representação de felicidade, e a definição da autora é igualzinha à que sempre carreguei: crianças brincando. Ingenuidade, transparência, irresponsabilidade sadia, espontaneidade. Sinto que nesse sentido regredimos com o passar dos anos, e amadurecer no final das contas talvez seja retornar à criança que ainda brinca, escondida, dentro de nós. Além disso, minha representação de felicidade consiste em um aspecto particular do mundo das crianças que me encanta: dizer aos outros o que realmente sentimos, na hora em que sentimos. No momento em que as coisas precisam ser ditas, porque depois elas não terão o mesmo impacto. Se essa postura acrescenta alguma grandeza ao caráter não sei, mas faz com que o sono venha mais reparador.
Amanhã todos retornaremos às mesquinharias que nos atiram diariamente. Os problemas no trabalho aos quais damos uma importância maior que realmente possuem, a discussão desnecessária com o amigo, a briga em família, algum plano frustrado de última hora. Gosto de acreditar que essas mesquinharias sempre vêm com a chuva. Quer gostemos delas ou não, é lei da natureza que existam. Sempre estarão lá, sorrateiramente como o sereno ou atiradas com força numa tempestade de verão. Só que a mesma chuva que traz, leva-as embora. E, se em meio a todas elas, afogarmos o orgulho e a vergonha procurando aqueles que fazem diferença em nossa vida pra um “eu te amo” , “não conseguiria sem você”, ou “desculpe-me pelo que fiz”, lembraremos que essas bobagens não deveriam possuir o tamanho que damos a elas, nem passam do que realmente são – mesquinharias. E então o coração amanhecerá renovado a cada vez que nos encararmos no espelho e vermos nele, refletido, o sorriso da criança despertando em nossa alma, curando cicatrizes com gargalhadas sinceras.
Por Edú as 10:25 PM


Julho 27, 2008
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(ao som de “Someday in my life” , by Simply Red)


Semana passada o Telecine incluiu na programação um dos meus filmes preferidos, “Um beijo a mais” (The last kiss). Já revi algumas vezes, acho que gostei tanto porque trata dos anseios e problemas duma geração a que pertenço, a dos “30”, além de possuir uma ótima trilha e alguns diálogos muito bons, como esse, que motivou o texto de hoje. Voltei com a tradução de algumas músicas que gosto, escolhi a de hoje pela letra e melodia, mais uma grande composição do Mick Hucknall.
Essa semana que findou hoje me foi especial por alguns motivos. Recebi um e-mail e um recado no orkut daqueles que se guardam pra sempre, de duas pessoas que me acompanham no blog há algum tempo e por quem sempre tive muito carinho. Além disso, hoje tive a alegria de testemunhar, como padrinho, o casamento de mais um amigo de infância, e momentos assim, em que presenciamos a felicidade das pessoas que gostamos, ficam gravados pra sempre na lembrança. A moça que me acompanhou na cerimônia me disse que invejava essa amizade de mais de 20 anos que minha turma daqui tem, e tive que concordar com ela. Talvez seja esse o motivo do meu desapego às coisas que não têm tanta importância. Como alguém pode não ser otimista em relação a tudo se tem uma família e uma turma de amigos assim? Realmente não há como. Carpe Diem e um ótimo início de agosto a todos!



Nós, entre o eterno e o que se perde

Pare de falar de amor, todos os idiotas do mundo dizem que amam alguém. Isso não significa nada. O que você sente só interessa a você. É o que você faz às pessoas que diz amar, o que realmente importa. É a única coisa que importa.” (Stephen, em “The Last Kiss” )

Um amigo promotor contou-me certa vez sobre a experiência profissional que mais lhe causou tristeza, uma das poucas que não esqueceu. Um casal prestes a completar 50 anos juntos iniciou uma batalha litigiosa pelo divórcio, e ele espantou-se com a atitude de decepção e mágoa de ambos durante uma das audiências, e as palavras de rancor que proferiram. Um pequeno gesto impensado de um deles havia posto abaixo todas as boas lembranças que carregavam ao longo de uma existência praticamente ao lado do outro, e a partir daquele instante ambos pagariam o preço desse gesto.
Às vezes tenho a impressão de que amar assemelha-se a uma visita constante a um restaurante preferido. Apreciamos a maioria das visitas, mas basta um único dia desastroso onde nada funcionou pra que apaguemos da lembrança todas as outras boas refeições anteriores. E ainda maldigamos o lugar aos amigos. Palavras de amor emocionam, declarações inusitadas eternizam momentos, mas de que adiantam se não juntam-se a gestos que as corroborem?
Conheço casais felizes que quase nunca externam o que sentem em palavras. Não necessitam disso, o amor exala por todas as pequenas coisas do dia-a-dia. Gestos pequenos como uma troca cúmplice de olhares, o afago no cabelo, o carinho inesperado, o toque das mãos espalmadas que se entrelaçam à outra, o interesse real em saber acerca do dia do outro. A ternura no olhar, a compreensão dos problemas alheios, o bom-humor nos momentos de conflito, o silêncio nos de destempero, a linguagem corporal que denuncia, tudo que tem mais valia que o melhor poema do Neruda ou Drummond.
Por mais egoísta que pareça, a constatação de que o que sentimos em relação aos outros é problema nosso(não deles) é verdadeira. Ótimo que tenhamos sentimentos amorosos altruístas, sinceros e desinteressados, mas sem gestos, sem atitudes que ratifiquem todo amor expressado, de nada valem. Nada. O destino, cruel, não eterniza ao final qualquer palavra escrita ou proferida, mas os gestos. Basta um, inconseqüente, e as certezas anteriores atiram-se na represa da mudança.
Há um invisível escudo mágico que nos impeça de ultrapassar o limite do aceitável num relacionamento, criando proteção contra gestos que jamais imaginávamos cometer? Não sei, creio que os limites impõem-se naturalmente pelo caráter, bom-senso, pelo próprio amor à outra pessoa. E a certeza do que basta para perdê-la pra sempre. De uma certa forma isso tranqüiliza porque sabemos que jamais cruzaremos alguns desses limites, mas o problema está nos outros. Outros que nos golpeiam com gestos inesperados, onde o que verte desse ataque é o incômodo aroma da derradeira lembrança. Mas o perfume a brotar depois vem do hálito da primavera, que, num beijo redentor, penetra no coração e sussura: “Acorda e enche novamente teus bolsos com ansiedade e esperança, que logo à frente há um semblante ainda desconhecido indicando que falta pouco a pagar.”



Someday in my life

Mick Hucknall

Here from the top of a mountain
I see you there
In the cool night air
Someday in my life

Fear has no reason to doubt them
They tell me so
Yet they will never know
You are here in my life

Wherever I go now
I'll follow you
And my heart will be true
I have never known someone
To stay right here
Soon you will be right here
Someday in my life

Here from the top of a mountain
I see you there
In the cool night air
Someday in my life

Storms may rage on about them
They hail and snow
Yet they will never know
You are here in my life

Wherever I go now
I'll follow you
And my heart will be true
I have never known someone
To stay right here
Soon you will be right here
Someday in my life


Algum dia em minha vida

Aqui do alto da montanha
Eu te vejo lá
No ar fresco da noite
Algum dia em minha vida

O medo não tem motivos pra duvidar deles
Eles me dizem tanto
Embora eles nunca saberão
Que você está aqui em minha vida

Onde quer que eu vá agora
Eu te seguirei
E meu coração será verdadeiro
Nunca conheci alguém
Pra ficar bem aqui
Logo você estará bem aqui
Algum dia em minha vida

Aqui do alto da montanha
Eu te vejo lá
No ar fresco da noite
Algum dia em minha vida

Tempestades podem encolerizar-se sobre eles
Eles chovem pedras e nevam
Embora eles nunca saberão
Que você está aqui em minha vida

Onde quer que eu vá agora
Eu te seguirei
E meu coração será verdadeiro
Nunca conheci alguém
Pra ficar bem aqui
Logo você estará bem aqui
Algum dia em minha vida
Por Edú as 3:16 AM


Julho 14, 2008
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(ao som de “Somewhere only we know”, Keane)

Vi nesse final de semana “August Rush – o som do coração” por indicação da minha amiga Fernanda, que achou que me serviria de inspiração, e acertou em cheio. A Keri Russell nunca esteve tão bonita num filme, essa cena é um exemplo. O filme retrata a música, a paixão que ela nos desperta e a forma com que modifica nossas vidas. Resolvi tratar disso no texto, embora ache que ele ficou confuso em virtude do que o filme me trouxe.
Queria pedir desculpas às pessoas que acessam o blog usando o Firefox. Semana passada recebi a reclamação da Noêmia de que meu blog fica “estranho” no Firefox, alerta que a Carla já me tinha feito também. Aproveitando, fiz uns pequenos ajustes sugeridos pela Carla, como mudar o código pra que os links abram numa outra página, e não a partir desta. É que meu negócio é escrever, não entendo nada disso de configuração e ajustes. Em relação aos comentários, me perguntaram se eu tinha modificado a configuração pra aprovar primeiro antes de publicá-los, mas não fiz isso. O que aconteceu foi que agora eles não aparecem automaticamente, há uma espera duns 5 minutos, isso foi modificado pelo próprio pessoal do blogger. Por causa disso, apaguei os comentários repetidos que apareciam nos posts.
Olhando o contador de visitas, percebi que muita gente acessa o blog através do meu perfil no Orkut, outra grata surpresa. O Orkut me trouxe tantas coisas boas e me levou algumas outras também que às vezes me assusto com a influência que um site de relacionamentos ocasiona em nossas vidas. Uma ótima semana a todos, e Carpe Diem!


De música ,lembranças e palavras não proferidas...

“ De la musique avant toute chose” (“Antes de tudo, a música”) (Verlaine, primeiro verso do poema “Jadis et naguère”)


Transita-se com facilidade pela música. Como se a carregássemos dentro de um bolso imaginário da mente, encontramos música onde quer que a procuremos. Há música em todas as nossas paixões: esportivas, amorosas, profissionais, religiosas, artísticas. A borracha do tênis das crianças raspando na quadra de basquete enquanto brincam, o tamborilar dos dedos esperando a resposta, o trecho da canção que inspira o poema esperado, em tudo ela despeja sua influência.
A música esconde a cumplicidade dos casais, conta histórias, faz com que sonhemos outras, carrega amores reais e platônicos, dando formas aos devaneios. Basta uma melodia antiga e o amor mal-resolvido da adolescência forma-se à nossa frente, sem que ninguém mais perceba, pra evaporar em seguida. Outra nos mostra as pessoas que machucamos, a seguinte as que nos deixamos magoar. O carrossel é interminável, há sempre um pedaço de reminiscência que se fixa às canções que nos acompanham vida afora.
Ouvimos música nas ondas espumando à margem da praia, na arrebentação do mar, no pulsar do próprio coração, no caminhar da outra pessoa, afastando-se, depois de uma discussão. Aparece no intangível da solidão abafada da mágoa, na poça vazia pela pisada raivosa, no espanto, na surpresa; nas gotas caindo, devagar, da torneira mal-fechada das nossas recordações. O som insurge-se e nos modificamos sem saber ao certo em que direção. Mas nos movemos. Música confunde, entorpece, muda sentimentos, ao menos por aqueles eternos minutos aspirados pela alma. Inspira textos megalômanos e outros simplistas rabiscados num caderno de receitas. Deprime de uma maneira em que jamais pensaríamos estar, e arrefece a dor com a mesma velocidade. Muda a duração dos segundos, tornando alguns poucos, eternos. Derruba lágrimas na madrugada, que disfarçamos durante o cotidiano e a rotina diários. Convida a um baile que evitamos participar. Música sussurra aos ouvidos que façamos a ligação que tanto tememos, a escrever a carta proibida, a viajar (na mente ou à rua mais próxima), a desculparmo-nos. A voltar sempre aos mesmos erros que juramos jamais cometer novamente.
Música desnuda o arrependimento, quebra a teimosia, dá um tiro à queima-roupa no amor-próprio. E acerta. Faz com que escrevamos textos desconexos à procura de algo que não temos idéia do que seja, mas que, esperamos, ponha um fim a toda amargura que teima em ziguezaguear em nossos escombros. Ou ao menos derrame, como a melodia da chuva caindo, o conforto de que tomamos as decisões corretas, e mostre que o porvir que se anuncia é menos sombrio, confuso e triste que a ansiedade amanhecida de hoje.
Por Edú as 12:56 AM


Julho 6, 2008
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(ao som de “Chocolate”, Snow Patrol)

Texto de hoje veio em decorrência de uma pergunta e uma passagem do filme “ The air I breathe” (que em português ganhou o título horroroso de “Ligados pelo crime”). É um filme com pretensões de ser um Crash e, evidentemente, não atinge o objetivo, mas nem por isso deixa de ser um bom filme. Norman Mailer, que cito no texto, está numa ótima retrospectiva de uma hora com trechos de diversas entrevistas ao Charlie Rose (seu amigo de longa data), e exibida a partir dessa semana no ManagemenTV. Vale a pena assistir. Durante a semana vou arrumar os links quebrados dos sites parceiros, retribuir a gentileza das pessoas que colocaram o link pro meu blog no delas, assim como visitar os blogs das pessoas que comentam aqui. De vez em quando aparecem alguns comentários, como os do post anterior, que fazem tudo valer a pena. Vocês não imaginam como é gratificante saber que algumas pessoas se identificam com o que você escreve. Não há dinheiro no mundo que se compare a essa sensação. Um ótimo início de julho a todos e Carpe Diem!


O propósito

“Todo mundo tem um propósito. Às vezes, a pessoa passa a vida toda sem saber qual é o seu propósito. Eu não. Aos dez anos, já sabia. Meu propósito era amar a pessoa certa por completo e por inteiro.” (Kevin Bacon em ”The air I breathe” )


Norman Mailer, um dos polêmicos autores que admiro e considerado pela crítica entre os 5 maiores escritores americanos de todos os tempos, morreu no final do ano passado, aos 84 anos. Casou-se 6 vezes. Até aí nenhuma novidade, nosso poetinha Vinícius chegou aos 9 casamentos e pelo menos outros 4 “não-oficiais”. O curioso em Norman Mailer foi o tempo de duração de seus casamentos: dois deles acabaram em menos de um ano, outros 3 duraram relativamente mais, até o derradeiro, que durou 33 anos, com Norris Chuck, a quem ele considerava sua alma-gêmea e o acompanhou até seu leito de morte. Mailer passou por toda espécie de decepções durante seus casamentos, chegando a internar-se num hospício logo após o fim do primeiro. Nunca desistiu de procurar a mulher que o completasse até achar em Norris essa figura, e foi durante esse último casamento que produziu, em sua própria opinião, seus melhores livros. Lembrei-me de Mailer porque sua história reúne muito desse inconcebível universo de relacionamentos: entrega, decepção, persistência, esperança, felicidade, um propósito de vida.
Dar um sentido à vida transformou-se no Graal da humanidade desde o início dos tempos. A religião usa muito o argumento pra justificar a crença no Deus particular que cada uma apregoa. Há que existir um Deus, afinal de que maneira explicaríamos o sentido de tudo, defendem. Cada um de nós tem um propósito que fica acima dos demais, tentando aprisionar os sonhos. Um pequeno vinhedo na França, uma medalha olímpica, uma empresa que faça a diferença, amigos leais. O meu, assim como o de muita gente, sempre foi encontrar a mulher a quem pudesse me entregar sem desconfianças e que me devolvesse não um amor do mesmo tamanho - que isso não se mede – mas a tranqüilidade advinda da certeza de que fiz a escolha certa e derradeira.
Os conflitos daqueles que também escolhem uma pessoa que as façam querer envelhecer ao lado delas são constantes. Romantizamos em demasia o objeto da paixão quando assumimos que a outra pessoa está impregnada do mesmo propósito que nós, e o erro das expectativas alia-se ao da presunção. A paixão sonhadora de um espanta-se com o coração ateu do outro, e o espaço que se forma no cotidiano é preenchido com elementos estranhos a ambos. Não temos o direito de assumir que os anseios de vida da outra pessoa estejam em sintonia com os nossos, e, mesmo que assim fosse, essa sintonia de nada garante a reciprocidade no amor àqueles que acreditam que nada de interessante existe em realizar os sonhos se não há alguém com quem possam compartilhá-los.
O propósito, sempre, tem que ser maior que o seu objeto. Há momentos em que o tomamos como utopia, inatingível, esquecendo-nos que o problema não está no que definimos, mas em quem escolhemos pra alcançá-lo. Há centenas de casos como os de Norman Mailer rodeando os exemplos, pessoas que tiveram na experiência o motivo pra desistir mas transformaram-na em otimismo, até que, bem devagar, o propósito ganhou cores e mostrou-se presente.
Beecher escreveu que “assim como as ondas, nenhuma emoção consegue manter sua forma particular por muito tempo”, e nessa metamorfose revela-se a maldade do destino, porque nunca sabemos o que a convivência trará: a cumplicidade graciosa e a felicidade de canto de boca de ambos ou as amarras invisíveis que dilaceram e mostram o pior que temos nos subterrâneos. Aqueles que escolhem o amor como propósito sabem dos riscos maiores, mas repousam a cabeça com tranqüilidade a cada noite porque dormem na certeza de que, mesmo que venha no fim da vida, por poucos instantes, a espera terá valido a pena. E ninguém tem o direito de roubar-lhes esses sonhos, porque é deles o sono dos justos, ubíquo no espaço, formando o inadiável exercício que alguns chamam de tolice, e eles, de viver.
Por Edú as 2:44 AM


Junho 28, 2008
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(ao som de "Unconditional love", Susanna Hoffs)

100 mil...

Confesso que nunca pensei que o blog chegaria, um dia, às 100 mil visitas. Como me pediram pra escrever um post especial pela ocasião, acabei tratando de uma de minhas paixões, o mar. Ficou intimista, é verdade, mas enfim, achei apropriado. O texto em prosa poética que acompanha é o do Neruda que mencionei no post anterior. Ganhei um presente semana passada – o novo template pro blog, e, embora ela tenha me pedido pra não mencionar, é impossível. Obrigado mesmo, Carla, por tudo que tem feito por mim ao longo dos últimos anos. Carpe Diem!


O mar e o tempo (o paradoxo do crescimento)

”Dizem que perguntaram a Whistler quanto tempo lhe fora necessário para pintar um de seus noturnos, e ele respondeu: “A vida toda.” (Jorge Luis Borges, Discussão)

" La mer, la mer, toujours recommence!"
O mar, o mar, recomeçando sempre! (Paul Valéry, trecho do poema “Le Cimetière Marin”)


Tentei, boa parte da vida, entender o fascínio que o mar exerce em mim. Toda aquela impassibilidade logo transformada em tormenta, a intempérie de divagações que ele desperta: o dia e a noite, o instante e o eterno, vida e morte, desapego, saudosismo, esperança. Não me basta observar o mar, preciso da atmosfera completa: o cheiro, o toque da areia macia, o som das ondas arrebentando e borbulhando, o gosto do sal na boca. Espécie de santuário onde jogo todo sortilégio de afeições, deixando que as ondas tragam aquelas que me interessam no exato momento em que elas se tornam necessárias.
Nunca encontrei refúgio espiritual em igrejas, templos religiosos, construções idílicas ou forjadas à contemplação. O mar, esse sim, sempre foi meu confessionário remissivo e esconderijo de idéias. Como uma religião sem deus, me basta a certeza de que ele estará sempre lá, presente, anônimo. Por vezes tomo emprestada uma concha de alguma praia, como o fiel à procura da imagem santificada que, a milhares de quilômetros, reverbera seu som e sereniza pela certeza da compreensão, de que alguém escuta. Sua presença invisível me acompanha do primeiro beijo à separação mais recente, espécie de paradoxo do crescimento que aconselha a seguir, cometendo os mesmos erros, porque a próxima onda se transfigura completamente diferente da anterior e das demais que agonizaram à praia. Sabe que experiência tem pouca valia quando exposta ao vigor fresco de cada manhã, metáfora aos amores que virão. O mar não me quer crescendo, mas sonhando.
Estou, agora, longe do mar e ao mesmo tempo encharcado de suas minúcias. Desconheço quais os elos que me prendem tanto ao oceano, mas tenho ciência que sob influência dele vou traçando o roteiro da minha própria liberdade. Embora tenha a desculpa de certa experiência pra me consolar, a epígrafe que fica permeia-se de tons otimistas. Porque muitos se esquecem de que ele é bem mais que água salgada, que é feito de descompassos. Descompassos de lamúrios, descompassos de incertezas, descompassos de pedidos de pessoas tão dissimuladas que esquecem que são apenas pessoas, falíveis e otimistas, e, - exatamente por isso -, de uma complexa beleza infinita.
"

O barco dos adeuses
(Pablo Neruda)

Navegantes invisíveis me levando da eternidade através de estranhas atmosferas, sulcando mares desconhecidos. O espaço profundo cobiçou minhas viagens que jamais acabam. Minha quilha rompeu a massa móvel de icebergs relumbrantes que intentavam cobrir as rotas com seus corpos poeirentos. Depois naveguei por mares de bruma que estendiam as suas névoas em meio a outros astros mais claros que a Terra. Depois por mares brancos, por mares rubros que tingiram o meu casco com as suas cores e suas brumas. Às vezes cruzamos a atmosfera pura, uma atmosfera densa, luminosa, que empapou o meu velame e o tornou fulgente como o Sol. Longo tempo nos detínhamos em países dominados pela água e pelo vento. E um dia - sempre inesperado -, meus navegantes invisíveis levantavam minhas âncoras e o vento inflava minhas velas fulgurantes. E era outra vez o infinito sem caminhos, as atmosferas astrais abertas sobre as planícies imensamente solitárias.
Cheguei à terra, ancoraram-me num mar, o mais verde sob um céu azul que eu não conhecia. Acostumadas ao beijo verde das vagas, minhas âncoras descansam na areia dourada do fundo do mar, brincando com a flora retorcida das suas profundezas, sustentando as alvas sereias que nos dias longos vêm nelas cavalgar. Meus altos e retos mastros são amigos do Sol, da Lua e do ar amoroso que os prova. Pássaros que nunca viram detêm-se neles depois de um vôo de flechas, riscam o céu, afastando-se para sempre. Comecei a amar este céu, este mar. Comecei a amar estes homens.
Mas um dia, o mais inesperado, chegarão meus navegantes invisíveis. Levarão minhas âncoras arborescidas nas algas da água profunda,encherão de vento minhas velas fulgurantes...
E será outra vez o infinito sem caminhos, os mares rubros e brancos que se estendem em meio a outros astros eternamente solitários.
Por Edú as 3:20 PM


Junho 16, 2008
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(ao som de “Madness”, by Alanis Morissette)

Post de hoje trata dos finais de relacionamento. Além do texto, segue a letra, que também trata de separação, da (na minha opinião) melhor música do novo cd da Alanis Morissette. Incrível a capacidade que ela tem de escrever letras assim. Quantos de nós têm a consciência de, ao final, agradecer? Pra quebrar um pouco o clima pessimista, acrescentei um pequeno poema que escrevi ontem. No final da semana volto com outro post e um texto em prosa poética do Neruda que acabei de ler, e só não acrescentei porque o post de hoje já estava pronto. Estou com um problema em fazer upload de fotos, no decorrer da semana tentarei acrescentar algumas pra separar o texto da música e do poema. Uma ótima semana a todos e Carpe Diem!


Pingentes jogados pelo quarto

Muitas vezes sou tomado pelo desejo incontido de encarcerar o sentimento e o comportamento humano em bulas que podem ser confundidas com guias, como se tudo se tornasse fácil assim, remediado por algum manual de conduta barato dum jornal ribeirinho. Como a teimosia vem mais forte que a sensatez, sigo. Conversando ontem com uma amiga sobre relacionamentos que acabam, surgiu a inevitável pergunta: o que deve ficar de cada um deles? A mágoa, o rancor, ou a lembrança dos bons momentos, o agradecimento pelo período de sonho (que todo relacionamento sério tem um, por mais curto que seja). Até pouco tempo atrás eu responderia, sem titubear, que a segunda hipótese era a correta. Deveríamos esquecer todo período conturbado, e levar de cada relacionamento apenas a parte boa, aquela que nos deu vivência e rescaldo aos futuros relacionamentos. A idealização do objeto de adoração, pouco antes da queda do pedestal cotidiano. Não é isso, entretanto.
Vejo cada relacionamento findado como uma série de pingentes jogados pelo quarto de dormir, onde, querendo ou não, temos que retornar a cada noite. Ao final, somos apresentados a centenas deles. Frágeis, de porcelana, impossível pisar sem atingir ao menos um. Eles sempre estiveram lá, mas a presença se delineou com o fim. Cada um carrega um momento específico do relacionamento: o Natal inesquecível a dois, o primeiro beijo, a briga irreconciliável, o dia da separação. Escolhemos quais devemos pegar e quais destruir. Há uma lógica em descartar ou apegar-se a um específico? Evidente que não, muitas vezes tomamos alguns desses pingentes pra carregar meses afora sem saber ao certo o motivo deles estarem conosco. Mas continuam, até serem substituídos por outro que estava mais distante, ou por um terceiro antigo, que trouxe sensações parecidas de relacionamentos distintos. O pingente do coração arrebatado no inicio por vezes dá lugar ao do silêncio injustificado, das palavras não proferidas, da mágoa imperdoável. E formamos nossa experiência, atingida pelo orvalho dos preconceitos que alguns desses pingentes produziram.
O que resta, à hora do sono reparador, não é um coração blindado e cego às pancadas, tampouco um estereotipado com generalizações dessas mesmas pancadas. Sobra a esperança, que – essa sim – nunca nos abandonou. Percebemos que é de esperança o chão que segura nossos pingentes, e então eles já não têm mais tanta importância assim. Sabemos que uma hora a brisa retorna, o coração voltará a bater acelerado na esperança de que - finalmente – a pessoa certa se transfigure, embora não tenhamos a mínima idéia do pacote em que ela virá envolvida. E os antigos pingentes penduram-se ao aparador, lá em cima, esperando o momento certo de despencarem novamente.

Poeminha

Frágil e delicada,
Enfeitaria pra sempre de ti meu cotidiano
Como uma cesta de crisântemos no outono.

E porque cabes inteirinha em meus desejos,
Tomo-te com as mãos em concha perto do coração,
Pra que percebas
A medida correta do medo que carrego.


Madness
(Alanis Morissette)

I've been most unwilling
To see this turmoil of mine
The thought of sitting with this
Has me paralyzed

With this prolonged exposure
To near and averted eyes
I think that I've been waiting
Such mileage for empathizing

Now I see the madness in me
Is brought out in the presence of you
Now I know the madness lives on
When you're not in the room
Though I'd love to blame you for all
I'd miss these moments of opportune
You simply brought this madness to light
And I should thank you

Oh, thank you
Much thanks for this bird's eye view
Oh, thank you
For your most generous triggers

It's been all too easy
To cross my arms and roll my eyes
The thought of dropping all arms
Leaves me terrified

And now I see the madness in me
Is brought out in the presence of you
Now I know the madness lives on
When you're not in the room
Though I'd love to blame you for all
I'd miss these moments of opportune
You simply brought this madness to light
And I should thank you

Oh, thank you
Much thanks for this bird's eye view
Oh, thank you
For your most generous triggers

I'd have to give up knowing
And give up being right
You, inadvertent hero
You, angel in disguise

And now I see the madness in me
Is brought out in the presence of you
And now I know the madness lives on
When you're not in the room
And though I'd love to blame you for all
I'd miss these moments of opportune
You simply brought this madness to light
And I should thank you

Oh, thank you
Much thanks for this bird's eye view
Oh, thank you
For your most generous triggers


Loucura

Estive na maior parte negando
Pra enxergar essa minha confusão
A idéia de me sentar com isso
Paralizou-me

Com essa exposição prolongada
De olhos próximos e desviados
Acho que estive esperando
Tamanha milhagem pela empatia

Agora vejo que a loucura em mim
Vem à tona na tua presença
Agora eu sei que a loucura sobrevive
Quando você não está no quarto.
Achei que adoraria te culpar por tudo
Eu sentiria falta desses momentos de conveniência
Você simplesmente trouxe essa loucura à luz
E eu deveria te agradecer.

Oh, obrigado
Muito obrigado por essa vista do olho do pássaro
Oh, obrigado
Pelos teus gatilhos mais generosos

Tem sido tudo muito fácil
Cruzar meus braços e levantar meus olhos
A idéia de soltar meus braços
Me aterroriza

E agora vejo que a loucura em mim
Vem à tona na tua presença
Agora eu sei que a loucura sobrevive
Quando você não está no quarto
Achei que adoraria te culpar por tudo
Eu sentiria falta desses momentos de conveniência
Você simplesmente trouxe essa loucura à luz
E eu deveria te agradecer.

Oh, obrigado
Muito obrigado por essa vista do olho do pássaro
Oh, obrigado
Pelos teus gatilhos mais generosos

Eu teria que desistir de saber
E desistir de estar certo
Você, herói(heroína) inadvertida
Você, anjo disfarçado

E agora vejo que a loucura em mim
Vem à tona na tua presença
Agora eu sei que a loucura sobrevive
Quando você não está no quarto
Achei que adoraria te culpar por tudo
Eu sentiria falta desses momentos de conveniência
Você simplesmente trouxe essa loucura à luz
E eu deveria te agradecer
Por Edú as 7:49 PM

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